
Instagram/Golden Globes
Vitória de Wagner Moura no Globo de Ouro reacende guerra cultural
Conquista histórica de "O Agente Secreto" gerou celebração de famosos e ataques da militância bolsonarista nas redes sociais
Vitórias dividem opiniões na internet
A consagração de “O Agente Secreto” e de Wagner Moura no Globo de Ouro 2026 transformou as redes sociais em um campo de batalha da guerra cultural do século 21. O triunfo brasileiro na cerimônia deste domingo (11/1) motivou uma onda massiva de celebrações por parte da classe artística e dos fãs, mas também despertou reações hostis de perfis ligados à militância de direita, incluindo políticos em busca do voto extremista.
Quem celebrou e quem atacou o prêmio?
A maioria dos internautas e grandes nomes do entretenimento exaltaram o feito histórico do baiano, premiado como Melhor Ator em Drama, e do filme de Kleber Mendonça Filho, que venceu como Melhor Filme em Língua Não-Inglesa. Fernanda Torres, premiada na edição anterior por “Ainda Estou Aqui”, juntou-se a nomes como Selton Mello, Bruna Marquezine e Lázaro Ramos nas felicitações. O reconhecimento cruzou fronteiras e ganhou o apoio de Pedro Pascal, astro de “Quarteto Fantástico: Primeiros Passos”, que publicou em seu Instagram: “Viva Brasil! Viva Wagner Moura!!!”.
Entretanto, o clima de festa foi rejeitado por setores conservadores, que tentaram esvaziar a conquista com críticas a “O Agente Secreto” e ao posicionamento político do artista. Perfis alinhados ao bolsonarismo atacaram a premiação, repetindo um comportamento observado durante a vitória de Fernanda Torres no ano passado. Antes da consagração, a militância direitista chegou a propor um boicote ao longa nos cinemas por sua temática crítica à ditadura militar e pela associação de Moura com a esquerda, mas a estratégia falhou: “O Agente Secreto” encerrou 2025 como a maior bilheteria nacional do ano.
Discurso conecta cultura e democracia
Wagner Moura discursou em inglês ao receber a estatueta, mas reservou o encerramento para uma mensagem direta aos compatriotas em português. “Para todo mundo no Brasil, assistindo isso agora, viva o Brasil! Viva a cultura brasileira!”, declarou o ator, demonstrando um patriotismo que contrasta com os ataques recebidos de perfis que frequentemente exaltam os Estados Unidos.
O artista aproveitou a visibilidade para defender a importância das políticas públicas para o setor audiovisual, posicionando-se contra o desmonte cultural promovido pela gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro. Para Moura, o reconhecimento internacional é fruto direto do fortalecimento do cinema nacional. “Momento bonito para filmes brasileiros. Lindo ter ‘Ainda Estou Aqui’ ano passado e ‘O Agente Secreto’ esse ano, mas também outros filmes brasileiros, indo bem em festivais de filmes, ao redor do mundo. Eu acredito que cultura e democracia andam juntas”, concluiu.