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Facebook/Scott Adams

Etc|13 de janeiro de 2026

Criador de “Dilbert”, Scott Adams morre aos 68 anos

Cartunista marcou gerações ao satirizar a rotina corporativa americana, tornou-se trumpista e teve a carreira abalada após declarações polêmicas

Pipoque pelo Texto ocultar
1 Morte foi anunciada pela ex-esposa
2 O que era a tirinha “Dilbert”?
3 Virada para a política e apoio a Trump
4 “Coffee with Scott Adams” e influência digital
5 Livros, pandemia e conceitos pessoais
6 Controvérsia e cancelamento
7 Doença e apelo público
8 Declaração de Trump
9 Abertura da série inspirada pelo cartoon

Morte foi anunciada pela ex-esposa

Scott Adams, criador da tirinha de quadrinhos “Dilbert”, morreu nesta terça-feira (13/1), aos 68 anos. A informação foi divulgada por sua ex-esposa, Shelly Miles, durante uma transmissão ao vivo, na qual ela leu uma mensagem final deixada pelo cartunista.

Adams ficou conhecido mundialmente pela criação de “Dilbert”, série que satirizava o cotidiano da vida corporativa nos Estados Unidos, mas teve a carreira profundamente impactada nos últimos anos após a repercussão de declarações polêmicas feitas em vídeos publicados na internet.

O que era a tirinha “Dilbert”?

Publicada pela primeira vez em 1989, “Dilbert” acompanhava a rotina de um engenheiro de escritório identificado por seus óculos e pela gravata permanentemente torta. A tira retratava, com humor ácido, o ambiente dos cubículos corporativos, ironizando a burocracia, a hierarquia empresarial e a incompetência de gestores.

Ao longo de décadas, a obra tornou-se uma das tirinhas de maior circulação nos Estados Unidos, conquistando leitores que se reconheciam nas situações absurdas do trabalho corporativo. O sucesso resultou em livros derivados, produtos licenciados e uma série animada exibida no fim dos anos 1990.

Virada para a política e apoio a Trump

A partir de 2015, Adams passou a comentar política após assistir ao primeiro debate das primárias republicanas. Ele chamou atenção para a resposta de Donald Trump a uma acusação de misoginia, quando o então candidato retrucou: “Só Rosie O’Donnell”. A partir dali, Adams passou a analisar o estilo de comunicação de Trump.

Treinado em hipnose, o cartunista previu que Trump venceria a indicação republicana e a eleição presidencial, mesmo quando o empresário era considerado azarão. A previsão rendeu descrédito inicial, mas passou a ser vista como assertiva à medida que Trump derrotava adversários, o establishment republicano e, por fim, Hillary Clinton.

Adams desenvolveu o conceito do “filtro da persuasão”, no qual avaliava discursos não pela veracidade, mas pela eficácia retórica. Essa abordagem se tornou a base de sua atuação política e midiática.

“Coffee with Scott Adams” e influência digital

O que começou como um post em blog evoluiu para transmissões diárias ao vivo, inicialmente no Periscope e depois em diversas plataformas, incluindo a Rumble, na qual ele havia investido. O programa passou a se chamar “Coffee with Scott Adams”.

As transmissões aconteciam diariamente às 10h (horário da costa leste), com Adams preparando café ao vivo. O formato atraiu milhões de espectadores e se tornou referência entre apoiadores de Trump, incluindo integrantes de seu círculo político.

Livros, pandemia e conceitos pessoais

Em 2017, Adams publicou “Win Bigly: Persuasion in a World Where Facts Don’t Matter”, no qual analisava a vitória de Trump. Depois lançou “Loserthink”, livro que criticava padrões de pensamento que, segundo ele, dominavam a mídia e o debate público.

Durante a pandemia de coronavírus, popularizou o conceito de “interface do usuário da realidade”, defendendo que as pessoas escolhem os filtros pelos quais interpretam o mundo. Segundo Adams, o “filtro Dilbert” previa incompetência, enquanto o “filtro Trump” antecipava vitória. A escolha do filtro adequado, argumentava, ajudaria a moldar resultados positivos.

Controvérsia e cancelamento

Embora fosse majoritariamente pró-Trump, Adams adotou posições inesperadas, como o apoio ao protesto de Colin Kaepernick ao ajoelhar durante o hino nacional e o reconhecimento da eficácia persuasiva do movimento Black Lives Matter. Ele chegou a aconselhar lideranças do BLM, incluindo Hawk Newsome.

A trajetória de Adams passou a ser marcada por forte controvérsia em 2023, quando jornais americanos deixaram de publicar “Dilbert” após a circulação de um vídeo no YouTube em que o autor chamou negros norte-americanos de “grupo de ódio” e sugeriu que brancos “se afastassem dos negros”.

O bilionário Elon Musk saiu em defesa de Adams na época, acusando a mídia de preconceito contra brancos e asiáticos. Posteriormente, o cartunista afirmou que suas falas eram hiperbólicas, disse repudiar o racismo e alegou que as reportagens teriam ignorado o contexto de suas declarações.

Apesar das tentativas de explicação, o episódio levou ao rompimento definitivo com grande parte da imprensa tradicional, encerrando a publicação regular de uma das tirinhas mais influentes da cultura americana das últimas décadas. A partir disso, Adams passou a autopublicar seus livros e relançou seu tirinha numa versão mais radical na plataforma independente Locals. Nesse período, também defendeu a tese de Trump de que a eleição de 2020 teria sido “fraudada”.

Doença e apelo público

Em maio de 2025, Scott Adams anunciou que havia sido diagnosticado com câncer de próstata metastático durante seu programa “Coffee with Scott Adams”. Na ocasião, afirmou que os médicos lhe davam apenas alguns meses de vida.

O cartunista passou a relatar publicamente o avanço da doença nas redes sociais e fez um apelo direto ao presidente Donald Trump para que seu plano de saúde, a Kaiser Permanente of Northern California, viabilizasse o tratamento com o medicamento de radioterapia direcionada Pluvicto.

“É para já”, respondeu Trump em uma publicação na rede social Truth Social em 2 de novembro. Um dia depois, Adams informou que começaria a receber o tratamento no dia seguinte.

Declaração de Trump

Nesta terça-feira, Trump lamentou a morte do cartunista em publicação no Truth Social. “Infelizmente, o grande influenciador Scott Adams faleceu. Ele era um cara fantástico, que gostava de mim e me respeitava quando não estava na moda isso. Ele lutou bravamente em uma longa batalha contra uma doença terrível”, escreveu o presidente republicano.

Abertura da série inspirada pelo cartoon

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