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Morre Silvio Da-Rin, cineasta e ex-secretário do Audiovisual, aos 77 anos
Diretor de "Hércules 56" e técnico de som de clássicos nacionais, ele foi figura central na política cultural durante o segundo governo Lula
Perda para o cinema
O cinema brasileiro perdeu uma de suas figuras mais versáteis nesta quinta-feira (29/1). O cineasta Silvio Da-Rin morreu aos 77 anos no Rio de Janeiro. A informação foi confirmada por sua filha, a também diretora Maya Da-Rin. O ex-secretário do Audiovisual estava internado há meses, mas a causa do falecimento não foi divulgada pela família.
Início na resistência
Natural do Rio, Silvio construiu uma carreira com mais de 150 filmes, transitando com maestria entre a área técnica e a direção de cinema. Começou sua trajetória nos anos 1970 trabalhando com som, mas logo assumiu a cadeira de diretor para documentar a resistência política da época. Seu curta de estreia, “Fênix” (1980), reuniu ícones como Caetano Veloso, Zé Celso e Cacá Diegues para comentar os anos de chumbo. Em seguida, foi premiado em Gramado com “Príncipe do Fogo” (1984), sobre o criminoso Febronio Índio do Brasil, e explorou a teologia da libertação em “Igreja da Libertação” (1985).
Mestre do som e do documentário
Durante a década de 1990, Da-Rin se consolidou como um dos maiores técnicos de som do país, assinando a captação de áudio de obras fundamentais da Retomada. Seu nome consta nos créditos de “Pequeno Dicionário Amoroso” (1997), “Amores” (1998), “Mauá — O Imperador e o Rei” (1999), “Villa-Lobos, Uma Vida de Paixão” (2000), “Quase Dois Irmãos” (2004) e “Achados e Perdidos” (2005), colaborando com diretores como Sandra Werneck, Domingos Oliveira e Lúcia Murat.
A estreia na direção de longas ocorreu em 2006 com o aclamado “Hércules 56”, documentário que revisitou o sequestro do embaixador americano Charles Burke Elbrick através de entrevistas com os cinco revolucionários envolvidos na ação. Sua filmografia recente inclui “Paralelo 10” (2011), sobre a proteção de povos indígenas no Acre, e “Missão 115” (2018), investigação sobre o atentado do Riocentro em 1981, plano terrorista da extrema direita contra show lotado que visava impedir o fim da ditadura militar.
Atuação política
Além do legado artístico, Silvio teve papel central na formulação de políticas públicas para o setor. Presidiu a Federação de Cineclubes e assumiu a Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura entre 2007 e 2010, durante a gestão de Gilberto Gil no segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
“Perdemos um dos mais apaixonados, estudiosos e militantes documentaristas brasileiros. Com Silvio, a expressão ‘militante’ manifestava-se em seus melhores sentidos”, definiu Amir Labaki, fundador do festival É Tudo Verdade, em depoimento ao jornal O Globo.