
Divulgação/Paris Filmes
“Manas” é indicado ao Prêmio Goya como Melhor Filme Ibero-americano
Longa de Marianna Brennand representa o Brasil na disputa do "Oscar do cinema espanhol"
Escolha brasileira para a premiação
O longa brasileiro “Manas” foi indicado ao Prêmio Goya na categoria de Melhor Filme Ibero-Americano. A indicação foi anunciada nesta terça (13/1) pela Academia de Cinema da Espanha e coloca o filme brasileiro entre os concorrentes da principal premiação do cinema ibérico, considerada o “Oscar Espanhol”.
O filme dirigido por Marianna Brennand foi selecionado pela Academia Brasileira de Cinema para representar o Brasil na disputa. Neste ano, a Academia optou por indicações de filmes diferentes para o Oscar, que ficou com “O Agente Secreto”, e o Goya.
Quais filmes disputam a categoria?
Além de “Manas”, concorrem ao prêmio “Belén”, da Argentina, “La Misteriosa Mirada Del Flamenco”, do Chile, “La Piel Del Agua”, da Costa Rica, e “Un Poeta”, da Colômbia. O vencedor será anunciado na cerimônia marcada para 28 de fevereiro, em Barcelona.
Sobre o que trata “Manas”?
O primeiro longa ficcional de Marianna Brennand, que até então trabalhava com documentários, estreou sob aplausos no Festival de Veneza, onde venceu o grande prêmio da Jornada dos Autores (Giornate Degli Autori), uma das principais mostras paralelas do evento, além de acumular uma dezena de vitórias no circuito dos festivais internacionais. A história emergiu de uma década de pesquisa sobre violência sexual contra crianças na região amazônica e gira em torno de Marcielle, uma menina de 13 anos que vive com a família em uma comunidade ribeirinha na Ilha de Marajó (PA).
Criada sob a influência da mãe, que enaltece a trajetória da filha mais velha por ter deixado a região após encontrar “um homem bom” nas balsas que cruzam o rio, Marcielle, aos poucos, começa a perceber a violência estrutural que molda a realidade das mulheres ao seu redor. Suas ilusões de liberdade desmoronam ao descobrir um grave segredo, que a fazem decidir proteger a irmã mais nova, inclusive do próprio pai.
Baseado em histórias reais
Rodado na Amazônia, o longa apresenta a estreante Jamilli Correa como protagonista, reconhecida com um prêmio especial do júri no Festival do Rio 2024, ao lado de Dira Paes (“Pantanal”), Fátima Macedo (“A Praia do Fim do Mundo”) e Rômulo Braga (“DNA do Crime”). O papel de Dira Paes, a policial Aretha, foi baseado em pessoas reais como o delegado Rodrigo Amorim e Marie Henriqueta Ferreira Cavalcante, referências no enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes na região Amazônica.
A produção também conta com atores e atrizes locais da região e segue uma tendência do cinema contemporâneo brasileiro de alto teor social e ecofeminista, dialogando com outras obras recentes que enfocam realidades indígenas e rurais, como “A Febre” (2019), de Maya Da-Rin, e “Pureza” (2022), de Renato Barbieri.
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