
Divulgação/Downtown Filmes
Confira as estreias de cinema desta quinta
Comédia de equipe do humorístico "Sai de Baixo", "Tom e Jerry" chinês e drama familiar da Disney no Japão são os principais lançamentos da semana
O ano de 2026 começa sem grandes lançamentos comerciais no circuito cinematográfico. As distribuições mais amplas desta quinta (8/1) são a comédia brasileira “Agentes Muito Especiais”, da turma do “Vai que Cola”, uma animação chinesa do “Tom e Jerry” e um drama familiar da Disney, “Família de Aluguel”, com o vencedor do Oscar Brendan Fraser no Japão. O lançamento mais curioso ocupa o circuito limitado: “A Useful Ghost – Uma Ajuda do Além”, terrir tailandês sobre um aspirador de pó possuído por um espírito supostamente bem-intencionado. Entre outros títulos, as estreias ainda incluem “Transamazônica”, filme de diretora sul-africana, estrelado por atriz juvenil alemã, sobre os conflitos entre indígenas e garimpeiros ilegais no Pará.
🎞️ AGENTES MUITO ESPECIAIS
A comédia brasileira é baseada em ideia original do falecido Paulo Gustavo (“Minha Mãe É uma Peça”) e Marcus Majella, com roteiro de Fil Braz e direção de Pedro Antônio (os três de “Os Salafrários”). Na trama, Majella e Pedroca Monteiro (“Vai que Cola”) vivem Jeff e Johnny, policiais que almejam ingressar na unidade de elite da polícia do Rio de Janeiro. Durante o treinamento, eles recebem a missão de se infiltrar numa penitenciária para desmantelar o terrível “Bando da Onça”. Mas a operação sai do controle quando fogem com os criminosos da cadeia, originando uma cascata de confusões que culmina num grande evento de moda, onde precisam provar sua capacidade como agentes da lei.
O elenco também destaca Dira Paes (“As Três Graças”) como chefona do crime, Chico Díaz (“Todas as Flores”), Bárbara Reis (“Sob Pressão”) e a top model Caroline Trentini.
🎞️ TOM E JERRY: UMA AVENTURA NO MUSEU
Esta coprodução chinesa e americana marca o 85º aniversário da dupla criada por William Hanna e Joseph Barbera. Dirigida por Gang Zhang (“No. 7 Cherry Lane”), a animação combina o humor físico clássico que consagrou Tom e Jerry com ambientação fortemente inspirada na cultura chinesa, gerando um novo cenário para as perseguições e armadilhas que definiram a franquia.
A trama começa de forma familiar: Tom trabalha como guarda de um grande museu, enquanto Jerry invade o local repetidamente. Durante uma perseguição, Tom toma posse de uma bússola mágica que transporta ambos para uma antiga cidade chinesa em outro período temporal. A rivalidade continua em um novo contexto, com personagens adicionais disputando o artefato misterioso. A animação em 3D funciona melhor nos cenários do que nos personagens, que mantêm a fidelidade ao legado original enquanto o longa homenageia elementos da história e arquitetura chinesa.
🎞️ FAMÍLIA DE ALUGUEL
Drama de ficção dirigido por Hikari (nome artístico de Mitsuyo Miyazaki), estrelado pelo vencedor do Oscar Brendan Fraser em seu retorno ao protagonismo após “Assassinos da Lua das Flores” (2022). A trama se passa em Tóquio e acompanha Phillip Vanderploeg, um ator americano que foi para o Japão anos antes para estrelar um comercial de pasta de dente e desde então permaneceu no país fazendo papéis menores.
Fluente em japonês, mas culturalmente isolado e sem dinheiro, Phillip aceita trabalhar em uma agência especializada em “aluguel de famílias” — um serviço real no Japão que oferece experiências afetivas encenadas: participação em casamentos, amizades de infância, relacionamentos românticos, figurantes em funerais falsos. Shinji (Takehiro Hira), gerente eficiente da empresa, coordena operações junto a colegas como Aiko (Mari Yamamoto). A narrativa engata quando Phillip aceita interpretar o pai de Mia, uma menina de 11 anos que nunca conheceu seu verdadeiro genitor. A relação entre Phillip e Mia torna-se o núcleo emocional do filme, revelando que afeto genuíno pode emergir de encenações inicialmente falsas.
🎞️ A USEFUL GHOST – UMA AJUDA DO ALÉM
O filme do estreante Ratchapoom Boonbunchachoke venceu o Grande Prêmio da Semana da Crítica de Cannes 2025, consagrando sua abordagem única de comédia ácida e fantasia política. A mistura de fantasia, humor absurdo e crítica política acompanha March, viúvo que descobre que o espírito de sua esposa Nat, morta por doença respiratória causada pela poluição urbana, retornou possuindo um aspirador de pó para protegê-lo quando ele começa a apresentar os mesmos sintomas. A mãe de March rejeita violentamente a relação entre o filho e a máquina possuída, iniciando uma série de conflitos que revelam segredos sombrios na fábrica de eletrodomésticos da família.
Enquanto os parentes tentam se livrar do espírito, a mulher/eletrodoméstico oferece-se para limpar a fábrica dos demais espíritos, tornando-se um “fantasma útil”. Porém, ao conquistar poder no mundo espiritual e fazer acordos com um ministro corrupto, Nat progressivamente abandona seus princípios, levando March a questionar quem sua esposa se tornou e se o sacrifício vale a pena.
Em meio à comédia lúdica e piadas sobre linguagem cinematográfica, a narrativa expõe temas políticos sobre desaparecimentos, corrupção governamental e justiça. O tom oscila entre humor visual e revelações emocionais, apresentando uma crítica sofisticada disfarçada de absurdo fantástico.
🎞️ ÁGUIAS DA REPÚBLICA
O thriller político encerra a “Trilogia do Cairo” do cineasta Tarik Saleh, após “O Incidente do Nilo Hilton” (2017) e “Cairo: A Conspiração” (2022). Selecionado para a competição oficial do Festival de Cannes 2025 e candidato da Suécia ao Oscar 2026, a produção gira em torno de George Fahmy (vivido por Fares Fares, “A Roda do Tempo”), o ator mais adorado do Egito, que é pressionado por autoridades governamentais a interpretar o presidente Al-Sisi em uma cinebiografia.
Pensando em recusar a proposta, George enfrenta ameaças a sua família e é forçado a aceitar a produção, ao mesmo tempo em que tenta convencer-se de que pode inserir verdade em uma narrativa de louvor governamental, criando tensão entre seu ego de ator premiado e as realidades brutais da repressão estatal. Para complicar, ele acaba se envolvendo com a esposa de um general e se vê em meio a uma conspiração.
A narrativa expõe dinâmicas de manipulação estatal, censura cinematográfica e corrupção institucional. O protagonista emerge como peão em um jogo muito maior, com sua vida pessoal desmoronando conforme aceita o papel de garoto-propaganda de um regime corrupto. Saleh utiliza o filme dentro do filme para satirizar a propaganda política e questionar até que ponto o poder autocrático influencia a mídia.
🎞️ TRANSAMAZÔNIA
Dirigido pela cineasta sul-africana Pia Marais e filmado no estado do Pará, o drama falado em inglês e português traz a jovem alemã Helena Zengel (“A Lenda de Ochi”) como Rebecca, declarada “milagrosa” após sobreviver a um acidente de avião na Floresta Amazônica quando criança. Anos depois, tornou-se uma curandeira cuja fama atrai multidões à missão religiosa pentecostal liderada por seu pai pastor (Jeremy Xido, “O Operário”), que busca evangelizar populações indígenas.
Quando madeireiros ilegais invadem as terras indígenas onde a comunidade religiosa opera, a família de Rebecca se torna o epicentro do confronto entre exploração ambiental, práticas neopentecostais, dinâmicas coloniais e direitos indígenas. O resultado é um western contemporâneo que equilibra a beleza hipnotizante da floresta com a atroz realidade de sua destruição, embora a perspectiva narrativa, centrada em personagens europeus, transforme os povos originários em meros figurantes.
🎞️ TIMIDEZ
O suspense psicológico brasileiro adapta a peça teatral “O Cego e o Louco”, de Cláudia Barral, apresentada em palcos brasileiros há mais de 25 anos. Protagonizado pelos atores baianos Dan Ferreira (“Meu Nome é Gal”) e Antonio Marcelo (“As Balas que Não Dei ao Meu Filho”), a trama segue Jonas, um jovem artista negro que vive sob a sombra sufocante de Nestor, seu irmão cego e autoritário.
Jonas carrega memórias que o adoecem, tornando-se inábil nas relações sociais, cultivando um universo particular marcado por rejeição e solidão, enquanto alimenta em segredo o afeto por Lúcia, sua vizinha. Quando Lúcia inesperadamente aceita um convite para jantar, ele enfrenta uma confrontação inevitável com Nestor, com seu passado e com os fantasmas internos que o impedem de se reconhecer digno de amor.
A estreia na ficção dos diretores Thiago Gomes Rosa e Susan Kalik, após consolidadas trajetórias em documentário e curtas, propõe um olhar sensível sobre cicatrizes deixadas pelo racismo cotidiano não em sua face explícita, mas nas cicatrizes íntimas que moldam subjetividades.