
Divulgação/A24
Cinemas recebem Timothée Chalamet e vencedor do Festival de Toronto
Programação destaca "Marty Supreme", o thriller sul-coreano "A Única Saída", o novo "Terror em Silent Hill" e ficção científica com Chris Pratt
A programação de cinema desta quinta (22/1) destaca duas apostas para o Oscar 2026: o drama esportivo “Marty Supreme”, que rendeu a Timothée Chalamet o Critics Choice e o Globo de Ouro 2026 de Melhor Ator de Drama, e o thriller sul-coreano “A Única Saída”, vencedor do Festival de Toronto – e que perdeu o Critics Choice e o Globo de Ouro 2026 para o brasileiro “O Agente Secreto”. Apesar disso, as estreias com maior distribuição comercial são produções de perfil oposto, com nada que as recomende ao público: “Justiça Artificial”, sci-fi no formato “screen life” estrelada por Chris Pratt, e “Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno”, terceira adaptação do famoso videogame. A lista de estreias se completa com uma animação canadense e um documentário da banda de thrash metal Megadeth.
🎞️ MARTY SUPREME
O drama esportivo de Josh Safdie, um dos diretores de “Joias Brutas” (2019), traz Timothée Chalamet (“Duna”) no papel do prodígio do tênis de mesa Marty Mauser. Ambientado na cultura do ping-pong dos anos 1950, o drama de época acompanha Marty, um jovem com um sonho que ninguém respeita, cuja busca pela grandeza o leva por um caminho perigoso, envolvendo dinheiro suspeito, explosões e fugas da polícia. O filme ganha ritmo vertiginoso ao seguir o personagem por Manhattan e diferentes continentes enquanto ele manipula, coage, seduz e humilha para alcançar seu objetivo supremo.
O elenco é um dos maiores atrativos da produção. Além de Chalamet, vencedor do Critics Choice e do Globo de Ouro 2026 como Melhor Ator de Drama, o filme marca o retorno de Gwyneth Paltrow às telas de cinema pela primeira vez desde “Vingadores: Ultimato” (2019). Ela interpreta uma atriz decadente que se envolve com o protagonista. A lista de nomes surpreendentes continua com Odessa A’zion (“I Love LA”), o rapper Tyler, the Creator, o mágico Penn Jillette, o empresário do “Shark Tank” Kevin O’Leary, a atriz Fran Drescher (“The Nanny”), a comediante Sandra Bernhard (“Hudson Hawk, o Falcão Está à Solta”) e até o cineasta Abel Ferrara (“Vício Frenético”).
“Marty Supreme” é o primeiro longa que Josh Safdie dirige sozinho, sem o irmão Benny Safdie, desde sua estreia em 2008. Ele co-escreveu o roteiro com seu colaborador de longa data, Ronald Bronstein (“Joias Brutas”), enquanto Benny se dedicou a “The Smashing Machine” com Dwayne “The Rock” Johnson. Embora seja uma obra de ficção, a trama se inspira livremente na história de Marty Reisman, um jogador profissional de Nova York que se tornou uma lenda do esporte, conhecido tanto por seu talento quanto por seu carisma e sagacidade.
🎞️ A ÚNICA SAÍDA
O consagrado diretor sul-coreano Park Chan-wook (“Oldboy”) adapta o romance “The Ax” de Donald Westlake para o contexto contemporâneo de seu país, criando um thriller noir com dimensões de sátira socioeconômica visceral. You Man-soo, interpretado por Lee Byung-hun (“Round 6”), era um funcionário exemplar de uma fábrica de papel, com 25 anos de lealdade inabalável, até ser considerado descartável por uma reestruturação corporativa.
A notícia desestabiliza a vida perfeita que montou para si mesmo. Acostumado a uma situação confortável com a esposa e os filhos em uma casa ampla, ele subestima a dificuldade de se recolocar e acredita que resolverá a situação em poucos meses, mas acaba passando mais de um ano acumulando entrevistas frustradas e trabalhos precários no comércio, enquanto vê a perspectiva de perder a casa e o padrão de vida da família. Diante do desespero, Man-su decide adotar uma estratégia extrema: identificar os principais concorrentes a uma vaga em outra companhia do setor e eliminá-los, numa série de crimes meticulosamente planejados para que reste apenas ele como opção para o empregador.
Park Chan-wook dirige a adaptação como uma metáfora contra o neoliberalismo corporativo, acentuando a dimensão de comentário social sobre precarização do trabalho, pressão econômica sobre a classe média e violência latente em processos seletivos hipercompetitivos. Lee Byung-hun entrega performance extraordinária — seu Man-soo não é um vilão tradicional nem um anti-herói admirável, mas um homem cuja iniciativa para conquistar um emprego é simultaneamente cômica e devastadora. Vencedor do Festival de Toronto e indicado ao Critics Choice e ao Globo de Ouro de 2026 na categoria de Melhor Filme em Língua Não Inglesa, o filme é um dos mais comentados da temporada e ainda tem 97% de aprovação crítica no Rotten Tomatoes.
🎞️ JUSTIÇA ARTIFICIAL
Timur Bekmambetov, cineasta russo-cazaque consagrado por sua estética visual dinâmica, volta a se juntar com Chris Pratt quase duas décadas após “O Procurado” (2008), que também foi seu último filme bem avaliado pela crítica. O novo longa de ficção científica é encenado em um futuro próximo de Los Angeles onde um sistema de inteligência artificial passa a arbitrar as sentenças judiciais, removendo da sociedade aqueles que cometem crimes graves com eficiência letal. O personagem de Pratt é Chris Raven, detetive da divisão de homicídios e um dos arquitetos da IA, que se vê preso a uma cadeira de execução do sistema, acusado de assassinar sua esposa. Mas as semelhanças óbvias com a premissa de “Minory Report” (2002) são os menores problemas da produção.
A narrativa se desenvolve em tempo real ao longo de exatos 90 minutos, com Raven obrigado a atuar simultaneamente como seu próprio defensor e investigador de seu crime, enquanto luta contra uma ressaca severa e incapacidade de recordar com detalhes os eventos da noite em questão. Seu alcoolismo, temperamento violento e casamento conturbado apontam para sua culpabilidade potencial. Vítima do mesmo mecanismo que idealizou, ele precisa provar sua inocência no curto espaço de tempo, antes de receber uma sentença definitiva, que pode incluir pena de morte. Para isso, terá que desvendar como foi incriminado diante do júri e executor digital, que assume a aparência de Rebecca Ferguson (“Missão: Impossível – Ajuste de Contas”) como interface, antes dos 90 minutos se esgotarem.
Quase toda a ação acontece com Raven sentado diante da IA, com cenas ganhando vida no formato “screen life”, em que a história se passa principalmente em telas de computadores. Bekmambetov usou esse formato recentemente para apresentar outra trama sci-fi: foi produtor de “Guerra dos Mundos”, curiosamente remake de outro filme estrelado por Tom Cruise, com resultado catastrófico. Com 0% de aprovação no Rotten Tomatoes, este “Guerra dos Mundos” concorre ao Framboesa de Ouro 2026 de Pior Filme. “Justiça Artificial” é um dos primeiros candidatos ao prêmio do próximo ano, mas já enfrenta concorrência forte no lançamento a seguir.
🎞️ TERROR EM SILENT HILL: REGRESSO PARA O INFERNO
O diretor francês Christophe Gans retorna à franquia de “Silent Hill” vinte anos após comandar a adaptação inaugural, agora se debruçando sobre a história de “Silent Hill 2”, amplamente reconhecido como um dos melhores videogames da coleção. O filme acompanha James Sunderland, um homem dilacerado pela separação de seu grande amor, ao receber uma carta misteriosa que o convoca de volta à cidade enevoada onde, esperançoso, espera reencontrar Mary Crane. Ao chegar, ele encontra um cenário irreconhecível, consumido por uma força maligna que transforma a antiga cidade em espaço de pesadelos, povoado por criaturas deformadas e figuras recorrentes da mitologia da franquia, como o carrasco conhecido como Red Pyramid.
O roteiro, coescrito por Gans, introduz mudanças narrativas significativas em relação ao game. E se o primeiro filme foi considerado medíocre, este não consegue nem isso, superando a falta de criatividade do pouco visto e já esquecido segundo longa. Um dos piores terrores dos últimos tempos, esse inferno traz Jeremy Irvine (“Mamma Mia! Lá Vamos Nós de Novo”) no papel de protagonista e Hannah Emily Anderson (“Jogos Mortais: Jigsaw”) como principal figura feminina.
🎞️ MONARCAS – O CONTO DAS BORBOLETAS
A animação canadense-alemã, dirigida por Sophie Roy (“Double Drible”), transforma a migração das borboletas-monarca entre o Canadá e o México em uma aventura familiar. A trama segue Patrick, uma jovem borboleta-monarca que nasceu com uma asa subdesenvolvida e, por isso, é incapaz de voar, mas está determinada a não permitir que sua deformidade a impeça de participar da jornada anual de sua espécie. Acompanhado por Marty, uma lagarta bem-humorada que ainda não sofreu metamorfose, e Jennifer, uma borboleta que combate seu pânico de altura, Patrick embarca em um reboque de algodão-dos-prados e enfrenta predadores naturais, tempestades e ambientes hostis.
A narrativa funciona como metáfora sobre inclusão e aceitação de diferenças — cada personagem carrega suas limitações, mas todas contribuem para o sucesso coletivo. Quando predadores que devoraram o pai de outro membro da revoada descobrem sua rota migratória, Patrick demonstra-se essencial no planejamento estratégico da fuga, justificando seu lugar na comunidade. Reconhecida em festivais de animação internacionais, a produção conta com as vozes originais em inglês de Tatiana Maslany (“Mulher-Hulk”) e Mena Massoud (“Aladdin”), enquanto a trilha sonora conta com composições de Shawn Mendes e Johnny Orlando.
🎞️ MEGADETH – BEHIND THE MASK
O documentário musical traz Dave Mustaine, fundador, guitarrista e vocalista da banda Megadeth, refletindo sobre quatro décadas de história musical e tormento pessoal. O formato inovador intercala depoimentos corajosos e reflexivos com a execução integral do novo álbum de estúdio da banda — seu 17º e último lançamento, conforme anunciado previamente em comunicado sobre a dissolução do grupo. Mustaine, que foi expulso do Metallica em 1983 antes de sua carreira começar efetivamente, criou o Megadeth como resposta à rejeição, acumulando cinco álbuns de platina, um Grammy e turnês lotadas em estádios durante sua trajetória.
A aposentadoria da banda se deve à saúde de Mustaine, que luta contra a Doença de Dupuytren, responsável por contrações involuntárias dos dedos, além de artrite severa. Durante a gravação do álbum final, após “dias de guitarra realmente exaustivos”, Mustaine experimentou dor intensa que o levou a questionar sua capacidade de continuar a tocar. Reconhecendo o momento apropriado, escolheu encerrar sua carreira em seus próprios termos enquanto ainda era capaz de se apresentar. O documentário estará em exibição limitada em cinemas selecionados ao redor do mundo, incluindo no Brasil, como evento cinematográfico de tempo limitado. A direção é de Casey Tebo, diretor de clipes e filmes de terror como “Aniversário Maldito” (2016) e “Black Friday” (2021).