
Divulgação/Fleischer Studios
Betty Boop, Sam Spade, Pluto e Nancy Drew entram em domínio público
Personagens icônicos, filmes dos irmãos Marx e clássicos literários perdem proteção de direitos autorais nos EUA neste ano
Novos ícones livres para uso
O ano de 2026 marca a entrada de uma nova leva de obras e personagens clássicos no domínio público nos Estados Unidos. Após 95 anos de proteção de direitos autorais, criações de 1930 agora podem ser reproduzidas e reutilizadas sem a necessidade de permissão ou pagamento. Entre os destaques estão a primeira versão de Betty Boop, o cão Pluto (da Disney) e a detetive adolescente Nancy Drew.
Betty Boop e Blondie: As melindrosas de 1930
Um detalhe curioso sobre Betty Boop é que, em sua estreia no curta “Dizzy Dishes” (1930), ela não era humana, mas uma cadela antropomórfica com orelhas de poodle e um nariz preto. Essa versão inicial, precursora da melindrosa que se tornou ícone pop, agora está livre para ser explorada – e, ao estilo dos filmes do Mickey serial killer, poderia inspirar novas histórias criativas, como uma origem ligada a um “cão radioativo”. Vale notar, no entanto, que a marca registrada (trademark) de Betty Boop ainda pertence ao Fleischer Studios, o que restringe o uso comercial em produtos como camisetas e brinquedos.
Outra “melindrosa” que estreia no domínio público é Blondie Boopadoop, personagem central da famosa tira de jornal “Blondie” criada por Chic Young em 1930. Inicialmente focada na vida despreocupada de uma jovem festeira, a história evoluiria para a comédia doméstica focada em sua vida de casada com Dagwood Bumstead, formato que a consagrou mundialmente.
Literatura e Cinema
Além dos desenhos animados, personagens literários famosos também se libertam das amarras do copyright. Nancy Drew estreia no domínio público com seus primeiros quatro livros, incluindo “O Segredo do Relógio Velho”. O detetive Sam Spade, criado por Dashiell Hammett em “O Falcão Maltês”, e Miss Marple, de Agatha Christie (“Assassinato na Casa do Pastor”), também entram para a lista.
No cinema, clássicos como “Os Galhofeiros”, dos Irmãos Marx, e “O Anjo Azul”, com Marlene Dietrich, passam a ser patrimônio coletivo. O ano também libera vencedores do Oscar de Melhor Filme, como “Sem Novidade no Front” (1930) e “Cimarron” (1931). Na música, composições eternas como “I Got Rhythm”, dos irmãos Gershwin, e “Georgia on My Mind”, popularizada por Ray Charles, também se tornam livres para novas interpretações.