
Divulgação/Amazon MGM
New York Times questiona documentário milionário da Amazon sobre Melania Trump
Jornal aponta valores muito acima do mercado e questiona motivações políticas da empresa perante o presidente Donald Trump
Valores astronômicos
O lançamento do documentário “Melania” pela Amazon virou tema de uma reportagem crítica do jornal The New York Times, que questionou a lógica comercial por trás do projeto. A produção, focada nos bastidores da primeira-dama dos Estados Unidos, foi adquirida pela plataforma por US$ 40 milhões — uma quantia cerca de US$ 26 milhões superior à oferta da Disney, segunda colocada na disputa pelo projeto.
Além do pagamento recorde pelos direitos, a Amazon investiu outros US$ 35 milhões em uma campanha global de marketing, valor dez vezes maior do que a média para documentários de grande porte. A estratégia agressiva inclui outdoors e comerciais no horário nobre da TV americana.
Direção polêmica e suspeitas
Produzido pela própria Melania Trump, o filme ainda marca o retorno de Brett Ratner à direção, após ser afastado de Hollywood em 2017 em meio à acusações de assédio sexual. A combinação de valores inflacionados e nomes controversos levou figuras da indústria a questionarem as intenções da empresa. “Como isso não pode ser interpretado como uma tentativa de obter favores ou um suborno descarado?”, indagou Ted Hope, ex-executivo da Amazon Studios, ao jornal americano.
Segundo Hope, a obra deve ser “o documentário mais caro já feito sem envolver licenciamento de música”.
Bastidores tensos
A reportagem revela ainda que o projeto gerou desconforto interno. Funcionários da divisão de entretenimento teriam sido informados de que o filme era uma prioridade da liderança da empresa e que objeções políticas não seriam aceitas.
A aproximação entre a Amazon e o governo americano se confirmou no último sábado, quando o CEO Andy Jassy compareceu a uma exibição privada do longa na Casa Branca. O documentário chega aos cinemas brasileiros nesta sexta-feira, em distribuição limitada.