
Divulgação/Silverstone
Gary “Mani” Mounfield, baixista dos Stone Roses e Primal Scream, morre aos 63 anos
Músico foi fundamental para o sucesso do rock britânico dos anos 1990 e deixou legado memorável em bandas que marcaram a época
Músico marcou época
Gary “Mani” Mounfield, que marcou época como baixista dos Stone Roses e Primal Scream, morreu aos 63 anos nesta quinta-feira (20/11). Seu irmão, Greg Mounfield, confirmou o falecimento nas redes sociais, sem revelar a causa. Imediatamente, os tributos brotaram nas redes sociais.
Reações de colegas e amigos
Ian Brown, vocalista dos Stone Roses, prestou homenagem no X com um simples “Descansa em paz Mani”. Tim Burgess, dos Charlatans, o definiu como “um dos melhores em todos os sentidos e um amigo incrível”. Liam Gallagher, do Oasis, destacou estar em “choque total e devastado” com a notícia, enquanto a Rough Trade Records chamou Mani de “exemplo perfeito do que é ser o coração de uma banda no baixo”.
Início de vida e amizade com Ian Brown
Mani nasceu em 16 de novembro de 1962, em Crumpsall, e estudou até os 16 anos, quando abandonou a escola. Ele chegou a declarar que entrar numa banda provavelmente salvou sua vida, tendo assistido à morte de pelo menos 17 amigos por overdose de heroína.
Em entrevista dos anos 2000, contou que conheceu Ian Brown após enfrentarem juntos “alguns skinheads da National Front” que causavam confusão no norte de Manchester. “Ficamos amigos desde então.”
Formação dos Stone Roses
Nos anos 1980, Mani formou a banda Fireside Chaps com John Squire e Andy Couzens, grupo que passou por várias mudanças de nome e formação até tornar-se os Stone Roses, com Ian Brown como vocalista. O primeiro show oficial da banda foi em outubro de 1984.
Inicialmente guitarrista, Mani escolheu o baixo ao perceber que a instrumento traria mais satisfação: “Achei mais recompensador tocar baixo do que guitarra rítmica”, afirmou. Acabou conhecido por seu uso do baixo Rickenbacker, influenciado pelo northern soul e grooves de funk, que aproximaram o rock da virada da década ao som dançante dos clubes de acid house.
Ascensão e influência
O Stone Roses conquistou sucesso rapidamente no final dos anos 1980, abrindo caminho para uma nova geração no rock britânico. Foi nessa época que Liam e Noel Gallagher assistiram aos shows do grupo e se inspiraram para suas próprias carreiras musicais.
Produzido por John Leckie, o álbum de estreia de 1989 se tornou uma peça-chave do movimento Madchester, combinando indie com rave, alimentado pelos grooves de Mani e do baterista Alan “Reni” Wren. No ano seguinte, a banda tocou para 27 mil pessoas em Spike Island e se tornou a mais influente de sua geração.
Entretanto, o grupo demorou a dar sequência ao sucesso. Embora tenha lançado seus singles de maior sucesso após ao álbum de estreia, incluindo um de seus maiores hits, “Fool’s Gold”, impulsionado pelo baixo de Mani, o segundo disco álbum só saiu cinco anos depois e, diante da expectativa enorme gerada pela estreia, decepcionou a crítica britânica. “Second Coming” (1994) se tornou um grande fracasso e levou ao colapso da banda.
Separação e nova fase
Os músicos se separaram em 1996. Mani então se juntou ao Primal Scream, contribuindo para a revitalização criativa do grupo, na época do álbum “Vanishing Point”. Ele continuou tocando na banda de Bobby Gillespie até 2011, quando voltou aos Stone Roses para uma reunião que durou até 2017. Lançaram duas novas músicas e participaram de turnês e festivais.
Últimos anos e legado
Mani também integrou o supergrupo Freebass, formado com os baixistas dos Smiths e New Order. Em 2023, perdeu sua esposa Imelda, que morreu de câncer. Ele deixa seus filhos gêmeos, Gene Clark e George Christopher, de 12 anos.