Rompimento entre os irmãos Emicida e Fióti vira caso de Justiça com acusação de desvio milionário

Rompimento entre os irmãos Emicida e Fióti vira caso de Justiça com acusação de desvio milionário

Processo judicial expõe disputa por controle da Laboratório Fantasma e põe fim à parceria artística e familiar iniciada em 2010

Instagram/Fióti

Quebra da sociedade

A relação entre os irmãos Emicida e Fióti chegou ao fim após uma disputa milionária envolvendo a Laboratório Fantasma, empresa criada pelos dois em 2010. O portal UOL teve acesso a um processo civil que tramita na 2ª Vara de Empresarial e Conflitos de Arbitragem de São Paulo com acusações mútuas e uma exposição de grande gravidade.

Emicida acusa Fióti de desviar R$ 6 milhões das contas da Laboratório Fantasma Produção Ltda nos últimos nove meses. Segundo a defesa do rapper, que detém 90% das quotas da empresa, as transferências foram realizadas sem seu conhecimento ou autorização.

A crise ganhou visibilidade no último dia 28 de março, quando Emicida anunciou nas redes sociais que o irmão não representa mais seus interesses profissionais. A documentação do processo, mesmo com pedidos de sigilo, esteve acessível para consulta desde a manhã desta terça-feira (1/4).

Acusações de ambos os lados

Emicida afirmou que a empresa foi fundada após um convite feito ao irmão por sua suposta habilidade com negócios. À época, o acordo verbal entre eles previa a divisão de lucros em 70% para o artista e 30% para Fióti. No entanto, segundo a defesa de Emicida, 80% dos ativos da empresa são derivados exclusivamente da carreira musical do rapper.

De acordo com os autos, a divergência se acentuou quando Fióti, que recebia salário mensal de R$ 40 mil, teria começado a demonstrar insatisfação com a remuneração. Em janeiro e fevereiro de 2025, foram identificadas duas transferências de R$ 1 milhão cada da conta da empresa para o irmão. Uma auditoria interna posterior, realizada em março, apontou outros R$ 4 milhões transferidos entre junho e julho de 2024.

“[Fióti], lamentavelmente, promoveu o saque de R$ 6 milhões nos últimos nove meses, sem a ciência prévia ou a autorização do [Emicida], que possui 90% das quotas da requerida Laboratório Fantasma Produções Ltda e é o administrador da sociedade”, declarou a defesa, que anexou ao processo os prints das transferências bancárias.

A versão de Fióti

Segundo a defesa de Fióti, o rompimento partiu de um acordo assinado em cartório para que a separação ocorresse de maneira “equilibrada”. O empresário alega que foi surpreendido ao ter seus acessos às contas bloqueados e que o banco informou que Emicida revogou unilateralmente a procuração registrada em cartório.

Fióti contesta a versão apresentada pelo irmão e diz que as transferências foram autorizadas previamente com o objetivo de “equalizar a disparidade histórica nas retiradas feitas exclusivamente por [Emicida]”.

Ainda de acordo com a defesa, Emicida agiu de forma “descabida”, “ilegal” e “irresponsável” ao impedi-lo de exercer funções administrativas na empresa. Fióti afirma que passou a ser sistematicamente excluído da gestão, o que o levou a abrir uma ação contra o irmão em 14 de março.

Disputa interna e fim da parceria

No dia 13 de março, véspera do processo, Fióti realizou uma reunião com a equipe da Laboratório Fantasma para apresentar sua versão dos acontecimentos e contestar o afastamento. Emicida também se pronunciou na ocasião e reafirmou que exerceria a administração da sociedade com base no ato societário.

Duas semanas depois, em 27 de março, Emicida convocou nova reunião com os colaboradores para formalizar a revogação dos poderes que Fióti possuía. No dia seguinte, oficializou nas redes sociais o fim da parceria com o irmão.

O espaço segue aberto para posicionamentos, declarações e atualizações das partes envolvidas no caso, que queiram responder, refutar ou acrescentar detalhes em relação ao que foi noticiado. Fióti respondeu publicamente e sua manifestação pode ser lida aqui.