David Johansen, líder do New York Dolls, morre aos 75 anos – Pipoca Moderna

David Johansen, líder do New York Dolls, morre aos 75 anos

Cantor e ator, ícone do glam e do punk rock, faleceu na sexta-feira após uma década lutando contra o câncer

Instagram/David Johansen

Últimos momentos e despedida

David Johansen morreu na sexta-feira (28/2) aos 75 anos em sua casa em Staten Island. A família informou que o vocalista do New York Dolls estava “cercado de música e flores” em seus momentos finais.

Sua enteada, Leah Hennessy, revelou no último mês que ele enfrentava um câncer em estágio 4 há dez anos, além de ter um tumor no cérebro e ter sofrido uma fratura nas costas após uma queda no Dia de Ação de Graças. A família solicitou doações para auxiliar nas despesas médicas.

“David e sua família ficaram profundamente emocionados com as manifestações de amor e apoio que receberam recentemente ao tornarem públicos seus desafios”, declararam em comunicado. “Ele estava grato por ter tido a chance de se conectar com tantos amigos e familiares antes de partir. Ele sabia que era intensamente amado.”

Impacto do New York Dolls

Johansen foi vocalista do New York Dolls, banda formada por ele, Sylvain Sylvain, Johnny Thunders, Arthur Kane e Jerry Nolan. O grupo nasceu no início dos anos 1970 em Nova York e logo se tornou uma das atrações mais caóticas da cena underground da cidade, unindo o espírito rebelde do rock de garagem dos anos 1960 ao estilo provocador do glam rock.

Com figurinos andróginos, maquiagem exagerada, saltos altos e roupas brilhantes, os Dolls chocavam plateias e rejeitavam qualquer noção tradicional de masculinidade no rock. Musicalmente, o som era sujo, cru e direto, combinando influências de Chuck Berry, Rolling Stones e girl groups dos anos 1960.

O grupo lançou o primeiro álbum homônimo em 1973, produzido por Todd Rundgren. Gravado em apenas oito dias, o disco trouxe clássicos como “Personality Crisis”, “Looking for a Kiss” e “Vietnamese Baby”, que influenciaram bandas como The Runaways, Ramones, Kiss, Sex Pistols, Hanoi Rocks e o cantor Morrissey.

“Nós entramos no estúdio e apenas gravamos”, disse Johansen em entrevista à Esquire em 2013. “Não era como essas pessoas que conceitualizam tudo. Foi apenas um documento do que estava acontecendo naquele momento.”

Apesar da forte influência, o álbum não obteve sucesso comercial, assim como o segundo disco, “Too Much Too Soon” (1974), produzido por Shadow Morton, um dos mentores do som dos girl groups dos anos 1960. Apesar da influência que tiveram para o futuro do rock, nenhum dos dois discos fez sucesso.

Malcolm McLaren e a semente do punk britânico

Na reta final da banda, em 1975, Malcolm McLaren, que mais tarde se tornaria empresário dos Sex Pistols, tentou reinventar os Dolls. Ele os vestiu com roupas vermelhas e os colocou para tocar em frente a uma bandeira com a foice e o martelo, buscando associá-los ao comunismo em um momento de tensão da Guerra Fria. A estratégia não funcionou e a banda acabou se dissolvendo em dezembro de 1976.

No entanto, McLaren aprendeu muito com a experiência e, pouco depois, usou as ideias que testou nos Dolls para moldar o movimento punk britânico. Ele transferiu a estética provocadora, o caos dos shows ao vivo e a atitude de choque para os Sex Pistols, que McLaran juntou em 1975 e colocou nas manchetes mundiais com táticas sensacionalistas. Assim, o New York Dolls teve influência direta na criação do punk rock no Reino Unido.

Carreira solo e alter ego Buster Poindexter

Após o fim dos Dolls, Johansen lançou seis álbuns solo até “Sweet Revenge” (1984), mas foi ao adotar o personagem Buster Poindexter que alcançou maior sucesso comercial. Com um visual de cabelo penteado para trás e um estilo inspirado em lounge music, ele lançou em 1987 o álbum “Buster Poindexter”, que incluiu a faixa “Hot Hot Hot”. A música chegou ao 42º lugar na Billboard Hot 100 e foi amplamente reproduzida na MTV, embora o cantor a tenha chamado de “o tormento da minha existência”.

Atuação no cinema e na TV

A versatilidade artística de Johansen o levou ao cinema e à TV. Em “Os Fantasmas Contra-Atacam” (1988), dirigido por Richard Donner, ele interpretou o Fantasma do Natal Passado, um taxista sarcástico ao lado de Bill Murray. No ano seguinte, viveu Looney, melhor amigo do personagem de Richard Dreyfuss na comédia “A Grande Barbada”.

Outros papéis incluem “De Caso com a Máfia” (1988), Freejack (1992), com Mick Jagger, e a série “Oz”, da HBO, onde interpretou o sociopata Eli Zabitz. Ele também apareceu em episódios de “Miami Vice” (1985) e “The Equalizer” (1987).

Fase final

Nos anos 2000, Johansen se reinventou com David Johansen & The Harry Smiths, explorando o country blues. Ele também participou de uma derradeira reunião do New York Dolls em 2004, incentivada por Morrissey, e lançou o álbum “One Day It Will Please Us to Remember Even This” (2006).

Em seus últimos anos, apresentou o programa “Mansion of Fun” na SiriusXM e foi tema do documentário “Personality Crisis: One Night Only” (2023), dirigido por Martin Scorsese e David Tedeschi, baseado em uma apresentação no Café Carlyle.

Com sua morte, todos os integrantes originais do New York Dolls agora já faleceram. Antes dele, Johnny Thunders morreu em 1991, Jerry Nolan em 1992, Arthur Kane em 2004 e Sylvain Sylvain em 2021.