Bruce Glover, assassino de “007 - Os Diamantes São Eternos”, morre aos 92 anos

Bruce Glover, assassino de “007 – Os Diamantes São Eternos”, morre aos 92 anos

Ator cultuado por papéis excêntricos, atuou também em “Chinatown”, “Lutador de Rua” e “Com as Próprias Mãos”

Divulgação/MGM

Bruce Glover, ator norte-americano lembrado por seu papel como o assassino Mr. Wint no filme “007 – Os Diamantes São Eternos” (1971), morreu aos 92 anos. A informação foi divulgada por seu filho, o também ator Crispin Glover (“De Volta para o Futuro”), em publicação no Instagram, que não detalhou a causa da morte. Ele faleceu em 12 de março.

Com uma trajetória marcada por personagens excêntricos, Glover se destacou como o vilão perfumado que fazia dupla com Mr. Kidd (Putter Smith), a serviço do clássico inimigo James Bond, Ernst Stavro Blofeld, no último filme oficial de Sean Connery como 007. A dupla, que também aparece no livro original de Ian Fleming, ficou famosa pelas mortes criativas, como a de um dentista assassinado com escorpião e uma explosão em helicóptero.

Carreira antes da fama e nos palcos

Nascido em Chicago, em 2 de maio de 1932, Bruce Herbert Glover serviu no Exército dos EUA entre 1953 e 1955, sendo enviado à Coreia. Antes disso, trabalhou como modelo de arte e chegou a participar de um número burlesco vestindo uma fantasia de gorila. A experiência o inspirou a estudar o comportamento de gorilas no zoológico de Chicago, o que descreveu como sua primeira “aula de interpretação”.

Graduado em Fala e Expressão pela Northwestern University, incentivou colegas como Warren Beatty a abandonar os estudos e buscar o teatro em Nova York. Ele próprio estreou na Broadway ao lado de Bette Davis em “A Noite da Iguana” (1961), de Tennessee Williams, e contracenou com Anne Bancroft em “Mãe Coragem e Seus Filhos” (1963).

Após a experiência nos palcos, foi para a TV, onde atuou em séries clássicas entre os anos 1960 e 1970, como “Rota 66”, “Perry Mason”, “Gunsmoke”, “Mod Squad”, “Missão: Impossível”, “O Homem de Seis Milhões de Dólares” e “CHiPs”.

Clássicos do cinema

No começo dos anos 1970 fez a transição para o cinema, participando de obras marcantes, como o drama hippie “Abençoai as Feras e as Crianças” (1971), de Stanley Kramer, o clássico noir “Chinatown” (1974), de Roman Polanski, e “Lutador de Rua” (1975), de Walter Hill. Também interpretou o vice-xerife Grady Coker na trilogia “Com as Próprias Mãos” (Walking Tall), iniciada em 1973.

Seu trabalho em “Os Diamantes São Eternos” o consolidou como um ator de papéis marcantes e pouco convencionais. Para a cena em que Bond o ataca por trás com uma bomba, Glover sugeriu que seu personagem demonstrasse prazer ao ser tocado — ideia que resultou no emblemático “Wooooo” que virou marca da cena.

Últimos trabalhos e legado

Nos anos 2000, atuou na cultuada comédia “Ghost World: Aprendendo a Viver” (2001) com a adolescente Scarlett Johansson e foi dirigido pelo filho em “It Is Fine! Everything Is Fine” (2007). Os dois contracenaram novamente em “Influence” (2015).

Ao longo da carreira, o ator deu aulas de atuação, mesmo sem nunca ter feito escola formal. “Se sou algo como ator, é que nunca serei o usual. Sempre serei o incomum”, declarou em 2019.

Casado por 56 anos com a bailarina Betty Glover, que morreu em 2016, Bruce era conhecido por seu senso de humor, mesmo diante da morte. Em entrevista ao Van Gogh’s Ear Anthology, relembrou com ironia dois acidentes quase fatais — um envolvendo uma vaca e outro uma cascavel — e disse: “Mesmo quando achei que ia morrer, achei graça. Então, viva até o fim e ria quando puder.”