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Divulgação/StudioCanal

Filme|23 de janeiro de 2025

Estreias | “Paddington” e dois filmes do Oscar chegam ao cinema

Destaques da programação, "Anora" e "Conclave" receberam indicações ao prêmio da Academia na manhã desta quinta

A programação de cinema desta quinta (23/1) traz “Paddington: Uma Aventura na Floresta” em lançamento amplo, um filme de ação estrelado por Mark Wahlberg e dois candidatos ao Oscar 2025. Após as bilheterias grandiosas dos primeiros filmes, o terceiro “Paddington” é uma aposta para as férias, enquanto “Ameaça no Ar” apela aos fãs dos thrillers tensos. Já “Anora” e “Conclave” chegam em pleno clima de temporada de premiação, entrando em cartaz poucas horas após conquistarem indicações ao troféu da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. Confira mais detalhes das estreias.

 

PADDINGTON: UMA AVENTURA NA FLORESTA

 

O terceiro filme de “Paddington” leva o personagem-título e sua família britânica adotiva a uma aventura pela floresta amazônica. Na trama, Paddington convida os Browns a conhecer o seu país natal, o Peru, numa viagem para visitar sua amada tia Lucy no Lar para Ursos Aposentados. Entretanto, logo que chegam são informados que Lucy partiu numa jornada misteriosa pela floresta amazônica. Com espírito inabalável, Paddington convence os Browns a segui-lo por rios perigosos e mata traiçoeira em busca da tia perdida.

Ben Whishaw (“Entre Mulheres”) volta a dublar Paddington, juntando-se aos atores dos dois filmes anteriores, incluindo Hugh Bonneville (“Downton Abbey”), Madeleine Harris (“Man Down”) e Samuel Joslin (“O Impossível”) como os Browns, além de Julie Walters (“Mamma Mia: Lá Vamos Nós de Novo!”) como sua governanta, a Sra. Bird. Apenas a intérprete da Sra. Brown mudou. Emily Mortimer (“O Retorno de Mary Poppins”) foi escalada no papel vivido anteriormente por Sally Hawkins (“A Forma da Água”), que não quis continuar na fraquia.

Outros destaques no elenco são Olivia Colman (“A Filha Perdida”) como a Reverenda Madre, uma freira sorridente que administra o Lar para Ursos Aposentados, e Antonio Banderas (“Uncharted – Fora do Mapa”) como Hunter Cabot, um destemido capitão de barco que se oferece para auxiliar a família Brown na aventura, junto com sua filha Gina Cabot (interpretada pela estreante Carla Jones). Além disso, Imelda Staunton (“The Crown”) dubla a tia Lucy.

O filme marca a estreia de Dougal Wilson na direção de um longa-metragem, após dirigir curtas e clipes musicais, mas o cineasta original, Paul King, segue ligado à franquia, creditado como produtor executivo.

Vale mencionar que os dois longas anteriores foram aclamados pela crítica e pelo público, o que resultou em mais de US$ 500 milhões em bilheteria ao redor do mundo. No site Rotten Tomatoes, “Paddington” (2014) marcou 97% de aprovação dos críticos, enquanto “Paddington 2” (2017) registrou impressionantes 99%. Já a nova aventura empata com “Anora” e “Conclave” com 93% de resenhas positivas.

 

ANORA

 

Vencedor da Palma de Ouro do Festival de Cannes, o filme de Sean Baker (“Projeto Flórida”) desconstrói o mito da Cinderela moderna de “Uma Linda Mulher”, oferecendo um olhar mais cru, intenso e tragicômico sobre a história de uma jovem prostituta que se envolve com um milionário. A trama acompanha Ani, vivida por Mikey Madison (“O Menu”), uma dançarina exótica de 23 anos que trabalha em Manhattan. Ani odeia seu nome verdadeiro, Anora, mas é fluente em russo devido à influência da avó. Sua vida toma um rumo inesperado quando ela conhece Vanya (Mark Eydelshteyn, de “O Herói do Holocausto”), o excêntrico e mimado filho de um oligarca russo. Os dois se conectam e ele a contrata para acompanhá-lo numa semana de farra em Nova York. Alguém menciona Las Vegas e, um voo fretado depois, eles correm pela “Cidade do Pecado”, tratando perdas de US$ 20 mil nos cassinos como se fosse uma piada. Vanya, de forma despretensiosa, comenta que, se eles se casassem, ele conseguiria um green card e não precisaria voltar para a Rússia para trabalhar para o pai. Então, eles se casam em uma capela.

O drama romântico se torna absurdo quando eles chegam em casa: a notícia de que Vanya se casou com uma prostituta chega aos seus pais, que, horrorizados, pegam o próximo voo para os Estados Unidos. Enquanto isso, Toros (Karren Karagulian, de “Red Rocket”), o encarregado armênio de Vanya, sempre estressado por ter que limpar suas muitas confusões, recebe a tarefa de manter tudo sob controle até a chegada dos pais. Quando eles aparecem, Vanya foge, Ani entra em pânico e uma perseguição desesperada cheia de caos e desordem começa, envolvendo desde destruição de lojas de doces em Coney Island até brigas entre strippers em boates de Nova York.

Agora, a esposa abandonada, junto com Toros e sua equipe, precisa localizar o filho desaparecido do oligarca o mais rápido possível. O relógio está correndo. Sai “Uma Linda Mulher”, entra “Joias Brutas”. O conto de fadas acabou, e começa a pequena e caótica produção independente que surpreendeu Cannes. O senso de perigo de “Anora” se torna real, ainda que as pessoas envolvidas sejam estúpidas e desajeitadas.

Baker conduz o filme com maestria, equilibrando o absurdo cômico e o perigo real. A cinematografia crua e vibrante realça tanto o brilho das festas de Manhattan quanto os cantos mais obscuros da vida de Ani, e a trilha sonora pontua com precisão as viradas emocionais da trama. Com um terceiro ato emocional que foge das armadilhas de finais previsíveis, o filme reafirma o talento de Baker para explorar histórias à margem da sociedade com respeito, nuance e autenticidade. Uma obra que desafia expectativas e se firma como um dos destaques do cinema contemporâneo, tanto pelo seu impacto narrativo quanto pela profundidade de seus personagens.

“Anora” está indicado a 6 prêmios no Oscar 2025, incluindo Melhor Filme, Direção, Roteiro Original e Atriz (Madison).

 

CONCLAVE

 

O thriller político de Edward Berger (“Nada de Novo no Front”) explora a tensão e os jogos de poder nos bastidores do Vaticano. O filme acompanha o Cardeal Thomas Lawrence, interpretado por Ralph Fiennes (“O Menu”), que enfrenta dilemas espirituais e políticos enquanto organiza o conclave que elegerá o novo Papa após a morte repentina do pontífice anterior. Originalmente italiano no livro de Robert Harris, o personagem é transformado em um inglês na adaptação do diretor Edward Berger (“Nada de Novo no Front”), um detalhe que acrescenta uma camada sutil de complexidade às dinâmicas internas da história.

A narrativa apresenta uma rede de intrigas em que os cardeais, mantendo aparências de cordialidade, disputam discretamente a posição mais alta da Igreja. Stanley Tucci (“Jogos Vorazes”) interpreta Bellini, um cardeal liberal; Sergio Castellitto (“À Espera de Milagres”) é Tedesco, um reacionário com atitudes racistas; John Lithgow (“The Crown”) vive Tremblay, cuja fachada conciliadora esconde intenções ambíguas; Lucian Msamati (“Game of Thrones”) dá vida a Adeyemi, forte e assertivo; e Carlos Diehz (“La Casa de Papel”) assume o papel de Benitez, um misterioso cardeal recém-nomeado. O elenco é complementado por Isabella Rossellini (“Joias Brutas”) como Irmã Agnes, confidente do Papa falecido, que rouba a cena com sua presença perspicaz e enigmática.

Com a morte do Papa, Lawrence busca equilibrar sua crise de fé pessoal com o dever de liderar o processo de sucessão. Sua intenção de renunciar é frustrada quando o Papa morre sem aceitar seu pedido e sem revelar segredos que poderiam comprometer a integridade de alguns candidatos. Isso cria um ambiente de incerteza e perigo, enquanto Lawrence tenta apoiar Bellini, mas percebe, com crescente desconforto, que ele próprio está sendo considerado para o papado. A cada rodada de votos, as tensões aumentam, transformando o conclave em uma disputa cada vez mais acirrada e imprevisível.

Berger orquestra cenas de alta tensão com maestria, criando uma atmosfera carregada e visualmente impactante. A cinematografia de Stéphane Fontaine e o design de produção de Suzie Davies oferecem imagens impressionantes, misturando simbolismo e realismo. Momentos de introspecção e angústia são capturados com intensidade, especialmente na atuação de Fiennes, cuja expressão melancólica traduz o conflito interno de Lawrence.

Embora apresentado como um suspense, “Conclave” também levanta questões éticas e religiosas sobre poder, fé e corrupção. O roteiro de Peter Straughan (“O Espião que Sabia Demais”) venceu o Globo de Ouro e o filme liderou as indicações ao Critics Choice, empatado com “Wicked” com 11 menções.

No Oscar 2025, conquistou 8 nomeações, incluindo Melhor Filme, Roteiro Adaptado, Ator (Fiennes) e Atriz Coadjuvante (Rossellini).

 

AMEAÇA NO AR

 

O primeiro filme dirigido por Mel Gibson desde “Até o Último Homem” (2016) traz Mark Wahlberg (“Plano em Família”) careca no papel de Daryl, um piloto do Alasca que se revela um assassino psicopata. O thriller gira em torno do transporte de uma agente federal (Michelle Dockery, “Downton Abbey”) e um prisioneiro delator da máfia (Topher Grace, “Infiltrado na Klan”) prestes a testemunhar contra a família Moretti. Durante o voo pelo espaço aéreo do Alasca, Daryl (Wahlberg) revela sua verdadeira identidade como um assassino da máfia, contratado para eliminar seus passageiros.

A trama envolve uma luta a 10 mil pés de altitude. Mas o suspense segue mesmo após a agente dominar e algemar Daryl, pois ela precisa de ajuda para manter o avião no ar, já que não sabe pilotar, e ele se nega e tenta dificultar ao máximo a sobrevivência de todos.

Vale lembrar que Gibson e Wahlberg já atuaram juntos em “Pai em Dose Dupla 2” (2017) e “Luta pela Fé: A História do Padre Stu” (2022), mas esta é a primeira vez que Gibson dirige o colega.

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Marcel Plasse

Marcel Plasse é jornalista, participou da geração histórica da revista de música Bizz, editou as primeiras graphic novels lançadas no Brasil, criou a revista Set de cinema, foi crítico na Folha, Estadão e Valor Econômico, escreveu na Playboy, assinou colunas na Superinteressante e DVD News, produziu discos indies e é criador e editor do site Pipoca Moderna.

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