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Divulgação/Universal

Filme|16 de janeiro de 2025

Estreias | Lobisomem, Angelina Jolie e Marcos Mion disputam o público de cinema

Lançamentos incluem nova versão do "Lobisomem", a cinebiografia "Maria Callas" e o drama nacional "MMA - Meu Melhor Amigo"

O terror “Lobisomem” e o drama nacional “MMA – Meu Melhor Amigo” são os lançamentos de maior distribuição desta quinta (16/1). A programação também destaca a cinebiografia “Maria Callas”, com performance de Angelina Jolie indicada ao Globo de Ouro e ao Critics Choice, e “Aqui”, fracasso de crítica e bilheteria nos EUA, que volta a reunir Tom Hanks com atriz, diretor e roteirista de “Forrest Gump”. O circuito de arte ainda recebe produções europeias e asiáticas premiadas. Confira os detalhes.

 

LOBISOMEM

 

A nova abordagem do monstro clássico da Universal tem direção de Leigh Whannell, que já fez sucesso com uma releitura de “O Homem Invisível” para os dias atuais. Filmado na Nova Zelândia, o longa segue uma família que é aterrorizada por um predador mortal e vê o próprio pai transformado em monstro.

O visual da criatura é completamente diferente da versão clássica. Bastante humanizado, em nada lembra as inúmeras variações inspiradas no filme de 1941. A história também é diferente de “O Lobisomem”, estrelado por Lon Chaney Jr., e seu remake de 2010, com Benicio del Toro. Ambos acompanhavam um homem cético que, ao voltar à sua terra natal, era mordido por uma criatura lendária e começava a se transformar. Agora, uma família é atacada pela criatura e o pai infectado pela maldição da licantropia. Trancados numa casa para sobreviver ao monstro do lado de fora, eles precisam lidar com a transformação entre as quatro paredes.

O estúdio negociou por meses com Ryan Gosling (“Barbie”), mas quem acaba virando o monstro nesta nova versão é Christopher Abbott (“Pobres Criaturas”). O elenco também inclui Julia Garner (“Ozark”), Sam Jaeger (“The Handmaid’s Tale”) e a menina Matilda Firth (“Subservience”).

O roteiro é do próprio Whannell em parceria com a atriz Corbett Tuck (da franquia “Sobrenatural”, criada pelo diretor) e a dupla Lauren Schuker Blum e Rebecca Angelo (ambas roteiristas da série “Orange Is the New Black”). Lauren é casada com o produtor Jason Blum, dono do estúdio Blumhouse, que assina a produção de “O Lobisomem” e que também produziu o novo “O Homem Invisível” para a Universal.

 

MMA – MEU MELHOR AMIGO

 

O drama que traz Marcos Mion bombado como um lutador de MMA foi escrito pelo próprio Mion e Paulo Cursino (“O Candidato Honesto”). O apresentador vive Max, um lutador que trata uma lesão e descobre ser pai de uma criança autista de 8 anos. Ele tenta entender a condição e se aproximar do filho que não conhecia, ao mesmo tempo que se prepara para a luta mais importante da carreira. Como em todo o drama de superação, a verdadeira luta é se aproximar do menino, que vive em seu próprio mundo.

A história seria inspirada em Romeu, filho autista do apresentador do “Caldeirão”. Entretanto, a cineasta Camila Rizzo acusou na Justiça o apresentador de plagiar seu curta-metragem “Headway” (2018). O processo segue em andamento, mas Mion conseguiu decisão favorável contra a tentativa de barrar o lançamento do filme nos cinemas.

A produção ainda conta com as participações de Andreia Horta (“Elis”), Hoji Fortuna (“Grão”), Guilherme Tavares (“Pantanal”), Vanessa Giácomo (“Travessia”), Laura Luz (“Milla no Multiverso”) e Augusto Madeira (“Bingo: O Rei das Manhãs”), e com a direção de José Alvarenga Jr. (“Os Normais”).

 

MARIA CALLAS

 

A cinebiografia conta a tumultuada, bela e trágica história da diva greco-americana Maria Callas, uma das maiores cantoras de ópera de todos os tempos, concentrando-se em seus últimos dias na Paris dos anos 1970. Apesar disso, também inclui cenas de grandes apresentações da soprano e do romance luxuoso com o bilionário Aristotle Onassis, o homem mais rico do mundo na época.

Originalmente chamado de “Maria”, a produção ganhou sobrenome para o lançamento nacional, o que resultou numa quebra de identidade da trilogia do diretor Pablo Larraín dedicada a grandes mulheres. A produção é a terceira biografia feminina do cineasta chileno, após “Jackie” (sobre a ex-primeira dama Jacqueline Kennedy) e “Spencer” (sobre a Princesa Diana), todas caracterizadas por títulos minimalistas que focam num único nome das figuras retratadas – uma escolha estilística que enfatiza uma abordagem intimista e direta sobre personalidades icônicas.

A produção também marca um reencontro de Larraín com o roteirista de “Spencer”, Steven Knight (mais conhecido como criador de “Peaky Blinders”). Elogiada pelo desempenho no papel principal, Angelina Jolie foi indicada ao Globo de Ouro e ao Critics Choice, e vive expectativa de disputar o Oscar 2025. O elenco também conta com Pierfrancesco Favino (“O Traidor), Alba Rohrwacher (“O Céu de Alice”), Haluk Bilginer (“Sono de Inverno”), Kodi Smit-McPhee (“Ataque dos Cães”) e Valeria Golino (“A Vida Mentirosa dos Adultos”).

 

AQUI

 

Um dos grandes fracassos comerciais de 2024, o novo filme estrelado por Tom Hank não é uma produção de apelo comercial. Trata-se da adaptação da graphic novel “Aqui”, do artista Richard McGuire, que chama atenção pela estrutura pouco convencional, sendo totalmente ambientada em um lugar fixo, restrito e determinado (uma sala, na maior parte do tempo), e narra os eventos que ocorreram ou ocorrerão naquele espaço ao longo dos anos (da era jurássica ao futuro distante).

A adaptação de cinema inclui até uma montagem de “quadrinhos” sobrepostos para mostrar simultaneamente diferentes registros temporais do mesmo espaço. Assim como na obra original, também há cenas na Pré-História e em momentos diferentes do passado dos Estados Unidos, mas o foco central é na história de um casal formado por Tom Hanks e Robin Wright, desde que se apaixonam na juventude até sua velhice, com as transformações tanto em seus corpos quanto na decoração de seu lar.

O projeto permitiu um reencontro entre Hanks e Wright, três décadas depois de viverem um casal em “Forrest Gump” (1994). Por sinal, “Aqui” tem os mesmos diretor e roteirista de “Forest Gump”: Robert Zemeckis e Eric Roth, respectivamente. Vale lembrar que o filme de 1994 rendeu o Oscar de Melhor Ator para Hanks, Melhor Roteiro Adaptado para Roth e Melhor Diretor para Zemeckis. A produção, claro, também venceu o Oscar de Melhor Filme do ano. Já “Aqui” passou em branco nas bilheterias e nas premiações dos Estados Unidos, atingindo apenas 39% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes e deixando um grande prejuízo. Orçado em US$ 50 milhões, rendeu apenas US$ 15 milhões antes de sair de cartaz dos Estados Unidos.

O elenco da produção também inclui Kelly Reilly (“Yellowstone”), Michelle Dockery (“Downton Abbey”), Paul Bettany (“WandaVision”) e Ophelia Lovibond (“Rocketman”).

 

THE MOON: SOBREVIVENTE

 

A sci-fi sul-coreana se passa em um futuro próximo, onde a Coreia do Sul realiza sua primeira missão tripulada à Lua. No entanto, uma forte tempestade solar provoca uma falha na espaçonave, causando uma explosão que mata os tripulantes, menos o astronauta Hwang Seon-woo, que fica isolado na superfície lunar, enquanto uma tempestade de meteoritos destrói a paisagem de forma mortal. Na Terra, o diretor do centro espacial empenha-se em trazê-lo de volta em segurança, enfrentando diversos desafios para resgatá-lo.

O intérprete do astronauta é Do Kyung-soo, também conhecido pelo nome artístico D.O., integrante do grupo de K-Pop EXO, um dos mais bem-sucedidos da Coreia do Sul. Já o diretor do centro espacial é vivido por Sol Kyung-gu, um dos atores mais respeitados do país, com um currículo cheio de clássicos como “Inimigo Público” (2002), “Inverno Cruel” (2006), “Sem Misericórdia” (2010), “Olhos Frios” (2013) e “Memórias de um Assassino” (2017)

O diretor Kim Yong-hwa (“Junto com os Deuses: Os Dois Mundos”) destacou que o filme busca transmitir uma experiência hiper-realista do espaço, diferenciando-se de outras produções do gênero – mas não muito de “Perdido em Marte” (2015). O esforço rendeu indicações ao Grand Bell Awards, a mais importante premiação de cinema da Coreia do Sul, em categorias como Melhor Ator, Melhor Direção de Arte, Melhor Direção de Fotografia e Melhores Efeitos Especiais.

 

SOL DE INVERNO

 

O drama japonês narra a relação entre dois jovens patinadores no gelo, Takuya e Sakura, que desenvolvem uma conexão profunda enquanto treinam para competições de dança no gelo. A produção foi filmada na ilha de Hokkaido e destaca as paisagens invernais da região. O diretor Hiroshi Okuyama, conhecido pela série “Makanai: Cozinhando para A Casa Maiko”, da Netflix, buscou capturar a fragilidade da adolescência e a evolução das paixões ao longo do tempo.

“Sol de Inverno” estreou na mostra Un Certain Regard do Festival de Cannes de 2024 e recebeu aclamação da crítica, com uma avaliação de 92% no Rotten Tomatoes. A trilha sonora inclui composições da dupla folk japonesa Humbert Humbert, cuja canção “Boku no Ohisama” inspirou o título original do longa.

 

MISERICÓRDIA

 

O suspense francês mantém a tradição dos filmes de Alain Guiraudie, conhecido por “Um Estranho no Lago” (2013) e “Na Vertical” (2016), de abordar temas LGBTQIA+ e sexualidade de maneira provocativa. O filme explora repressão sexual e hipocrisia em uma pequena comunidade rural, centrando-se no retorno de Jérémie à sua cidade natal para o funeral de seu antigo patrão. A presença de Jérémie na casa da viúva desencadeia tensões e revela segredos entre os moradores, incluindo um padre com intenções ambíguas e um vizinho ameaçador.

Embora “Misericórdia” não contenha cenas de sexo explícito, diferentemente de trabalhos anteriores de Guiraudie, a narrativa combina elementos de comédia, mistério e drama para refletir sobre os desejos humanos e as convenções sociais que os cercam.

O longa estreou no Festival de Cannes de 2024, venceu o Festival de Valladolid na Espanha, tem 100% de aprovação no Rotten Tomatoes e foi eleito o melhor filme do ano pela revista francesa Cahiers du Cinéma.

 

REDENÇÃO

 

Outro drama baseado em história real, o filme espanhol acompanha Maixabel Lasa, que em 2000 perdeu seu marido, assassinado pelo grupo separatista basco ETA. Onze anos depois, ela recebe um pedido inesperado: um dos assassinos de seu marido, agora preso e arrependido, deseja encontrá-la. A trama enfoca o encontro entre vítima e agressor, destacando temas de dor, perdão e justiça restaurativa.

A narrativa sobre as consequências emocionais do terrorismo foi bem recebida pela crítica, com uma aprovação de 100% no Rotten Tomatoes, e é considerado um dos melhores filmes da cineasta Icíar Bollaín (“Conflito das Águas”). Intérprete de Maixabel, a veterana Blanca Portillo (“Abraços Partidos”) venceu o Goya (o Oscar espanhol) de Melhor Atriz pelo desempenho.

 

LUIZ MELODIA – NO CORAÇÃO DO BRASIL

 

O documentário sobre o cantor Luiz Melodia é narrado todo em primeira pessoa, dando voz ao artista que, ao abraçar sua liberdade musical e originalidade, desafiou muitas normas no mercado fonográfico e cultural brasileiro dos anos 1970. Editado com materiais inéditos de arquivo, o longa reflete a importância cultural de seu legado, com direção de Alessandra Dorgan (“Clubversão”).

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Marcel Plasse

Marcel Plasse é jornalista, participou da geração histórica da revista de música Bizz, editou as primeiras graphic novels lançadas no Brasil, criou a revista Set de cinema, foi crítico na Folha, Estadão e Valor Econômico, escreveu na Playboy, assinou colunas na Superinteressante e DVD News, produziu discos indies e é criador e editor do site Pipoca Moderna.

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