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Divulgação/Star+

Série|9 de dezembro de 2023

As 10 melhores séries lançadas em novembro

O mês de novembro trouxe muitas séries novas e ainda retomou algumas tramas favoritas do público e crítica. O Top 10 dos melhores lançamentos do período inclui sci-fi, mistério, animação, monstros gigantes, super-heróis, drama LGBTQIA+, espionagem, comédia e duas produções criminais brasileiras. A lista é uma forma de lembrar aos leitores os destaques em meio à avalanche de conteúdo das plataformas – já que alguns títulos podem passar batidos diante da quantidade de opções. Confira a seguir os novos hits e as descobertas que merecem atenção na fila do streaming.

 

UM ASSASSINATO NO FIM DO MUNDO | STAR+

 

A nova série de mistério de Brit Marling e Zal Batmanglij (a dupla criativa de “The OA”) mescla serial killer, mudança climática e avanços tecnológicos. O elenco é encabeçado por Emma Corrin (“The Crown”), que interpreta Darby Hart, uma detetive amadora e escritora, que se desdobra na narrativa em duas linhas temporais. Em flashbacks, Darby une forças a outro detetive amador, vivido por Harris Dickinson (“Um Lugar Bem Longe Daqui”), para investigar um serial killer. Anos depois, os dois parceiros se reencontram no “fim do mundo”, um retiro organizado por um bilionário da tecnologia (Clive Owen, de “Lisey’s Story”) num local distante em meio ao gelo. Contudo, quando um dos convidados é encontrado morto, ela precisa utilizar todas as suas habilidades para provar que se trata de um assassinato e impedir que o assassino tire mais vidas.

Alterando-se entre o presente (ou futuro, pela evolução da Inteligência Artificial na trama) no retiro e flashbacks da investigação inicial, a trama busca explorar as relações e a evolução dos personagens, enquanto a cinematografia contrasta as duas linhas do tempo, realçando o calor dos flashbacks e o ambiente frio e isolado do presente. Apesar dos desafios na balancear a narrativa e em dar profundidade aos temas, a série mantém um bom nível de engajamento nas duas linhas temporais, em grande parte devido à presença magnética de Corrin na tela.

O restante do elenco é formado pela própria Brit Marling (“The OA”), Joan Chen (“Ovelhas sem Pastor”), Raúl Esparza (“Candy”), Jermaine Fowler (“Um Príncipe em Nova York 2”), Ryan J. Haddad (“The Politician”), Pegah Ferydoni (“Almania”), Javed Khan (“Lapwing”), Louis Cancelmi (Billions”), Edoardo Ballerini (“7 Splinters in Time”), Britian Seibert (“The Knick”), Christopher Gurr (“A Idade Dourada”), Kellan Tetlow (“This Is Us”), Daniel Olson (“Nossa Bandeira É a Morte”), Neal Huff (“Radium Girls”) e a brasileira Alice Braga (“O Esquadrão Suicida”).

 

MONARCH: LEGADO DE MONSTROS | APPLE TV+

 

A superprodução do estúdio Legendary leva a franquia dos monstros gigantes para a televisão, apresentando um desafio único ao adaptar as espetaculares batalhas de titãs para uma tela menor. Ambientada um ano após o “Dia G” – o confronto entre Godzilla, King Kong e os kaijus, que destruiu grande parte de São Francisco no filme “Godzilla vs. Kong” (2021) – a história segue Cate (Anna Sawai), uma professora da área da baía de São Francisco, que vai a Tóquio em busca de respostas sobre seu falecido pai, Hiroshi (Takehiro Hira). Lá, ela descobre que Hiroshi tinha uma segunda família, conhece um meio-irmão e investiga a conexão da família com a Monarch, uma organização secreta comparada à CIA, mas focada em monstros.

Apesar de se relacionar também à trama de “Kong: Ilha da Caveira” (2017), a produção não exige conhecimento prévio sobre os filmes do Monstroverso, embora isso possa enriquecer a experiência. A série funciona como uma história de origem da Monarch, alternando-se entre o presente e eventos que se seguiram à 2ª Guerra Mundial. A dinâmica entre as diferentes eras é facilitada pelo uso de um mesmo personagem, com Wyatt Russell (“Falcão e o Soldado Invernal”) retratando um soldado americano na época da guerra e seu pai da vida real, Kurt Russell (“Guardiões da Galáxia Vol. 2”), aparecendo como sua versão mais velha.

Visualmente, a produção é impressionante, com cenas de ação que evocam o Monstroverso, enquanto a trama se expande para locais tão distantes quanto o Alasca e a Argélia. Mas há um inevitável diferencial de escala – obviamente, Godzilla não aparece na maioria dos capítulos – , o que os escritores sabem usar a seu favor, ao manter um foco maior nos personagens humanos da história, que sempre ficam em segundo plano nos filmes.

Criada por Chris Black (“Outcast”) e Matt Fraction (“Gavião Arqueiro”), a atração também é estrelada por Kiersey Clemons (“A Dama e o Vagabundo”), Joe Tippett (“Mare of Easttown”), Elisa Lasowski (“Versailles”) e o cantor japonês Ren Watabe (“461 Lunch Boxes”), além de trazer participação especial de John Goodman revivendo seu papel de “Kong: A Ilha da Caveira” (2017).

 

FOR ALL MANKIND 4 | APPLE TV+

 

Desenvolvida por Ronald D. Moore, criador do reboot de “Battlestar Galactica” e da série “Outlander”, a aclamada ficção científica explora uma linha temporal alternativa da História, onde os astronautas soviéticos foram os primeiros a pousar na Lua. A trama imagina o impacto deste feito na guerra fria entre Estados Unidos e União Soviética, mostrando uma realidade em que a continuidade de corrida espacial acelerou inovações tecnológicas e a conquista do espaço.

Os novos capítulos avançam oito anos após o final da 3ª temporada, mostrando a ampliação da presença terrestre em Marte e a transformação de antigos inimigos em aliados. No novo ciclo, o enfoque do programa espacial é a mineração de asteroides ricos em minerais preciosos, que têm o potencial de transformar o futuro da humanidade. Contudo, tensões crescentes entre os residentes da base internacional em Marte ameaçam desmantelar todos os avanços alcançados.

A 4ª temporada traz de volta integrantes já conhecidos, como Joel Kinnaman, Wrenn Schmidt, Krys Marshall, Edi Gathegi, Cynthy Wu e Coral Peña. Mas a produção também ganhou novos atores, incluindo Toby Kebbell (“Quarteto Fantástico”), Tyner Rushing (“Em Nome do Céu”), Daniel Stern (“Esqueceram de Mim”) e Svetlana Efremova (“The Americans”).

 

SLOW HORSES 3 | APPLE TV+

 

“Slow Horses” desafia as convenções dos thrillers de espionagem ao trocar cenários glamourosos e heróis impecáveis por personagens desorganizados e falíveis, e por dar menos ênfase às sequências de ação, apesar de bem executadas, em relação aos momentos mais sutis e desenvolvimento dos personagens. Raridade no gênero, sem ser uma paródia, sua trama se concentra em espiões incompetentes, oferecendo uma mistura de humor ácido, intriga e ação. Sob a liderança do desleixado e alcoólatra Jackson Lamb, interpretado por Gary Oldman (vencedor do Oscar por “O Destino de uma Nação”), a equipe de Slough House, uma espécie de depósito de arquivos inúteis do MI5, encara desafios que refletem seu próprio status marginalizado dentro da inteligência britânica.

A 3ª temporada mantém a qualidade narrativa das anteriores, ao explorar personagens como Catherine Standish (Saskia Reeves, de “Luther”), a responsável pela organização do escritório de Slough House, e River Cartwright (Jack Lowden, de “Dunkirk”), um agente promissor relegado ao depósito após cometer um ato de traição. A dinâmica entre eles é destacada quando Standish é sequestrada, desencadeando uma série de eventos que obrigam Lamb e seus agentes a desvendar o mistério por trás do sequestro. O desempenho reservado de Reeves como uma veterana da inteligência com conhecimento tático é um ponto alto dos episódios.

 

THE CURSE | PARAMOUNT+

 

A primeira série desenvolvida pelos irmãos Safdie, diretores de “Bom Comportamento” (2017) e “Joias Brutas” (2019), traz Emma Stone (vencedora do Oscar por “La La Land”) e Nathan Fielder (“Nathan For You”) como um casal que apresenta um programa de reformas e decoração centrado em sua pequena comunidade interiorana. Durante uma gravação, o produtor vivido por Benny Safdie sugere que Asher dê dinheiro para uma criança necessitada. Como ele só tem US$ 100 na carteira, oferece o dinheiro diante das câmeras, mas depois pede de volta, querendo trocar por notas menores. Como resultado, a criança lança uma maldição sobre o sovina.

Em tom de comédia ácida, a produção passa a mostrar como essa suposta maldição perturba o relacionamento do casal, que, enquanto grava seu problemático programa, também tenta conceber um filho.

Além de estrelar, Emma Stone é produtora da atração, por meio de sua empresa Fruit Tree – em parceria com a Elara Pictures, de Josh e Benny Safdie, e o igualmente premiado estúdio A24 (vencedor do Oscar 2023 com “Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo”).

 

COMPANHEIROS DE VIAGEM | PARAMOUNT+

 

A minissérie adapta o romance homônimo de Thomas Mallon, ambientado em Washington, D.C., durante os anos 1950 – a era McCarthy, auge do conservadorismo americano – , mas também avança no tempo para os anos 1980, período de intensa homofobia. Distribuída em oito episódios, a história acompanha a longa e apaixonada relação entre dois homens, Tim (interpretado por Jonathan Bailey), um jovem idealista e católico, e Hawk (Matt Bomer), um charmoso operador político. Os dois personagens, vindos de mundos distintos, se envolvem em um romance intenso e condenado à tragédia.

A adaptação foi criada pelo escritor Ron Nyswaner, conhecido por seu trabalho em filmes e séries de temas LGBTQIA+, com destaque para o premiado longa “Philadelphia” de 1993, que foi um marco na representação do HIV/AIDS no cinema. Sua história combina política, romance queer e suspense de espionagem, utilizando dois períodos sombrios da história dos Estados Unidos como pano de fundo.

Apesar de se desenrolar em torno de eventos reais, como a caça às bruxas de McCarthy (anticomunismo como fobia social) e a crise da AIDS nos anos 1980, a atração não se limita a ser apenas uma reconstituição histórica ou uma peça moral sobre a crueldade do governo em relação à comunidade LGBTQIA+. Em seu âmago, está um romance verdadeiro e cativante, reforçado pelas atuações de Bailey e Bomer, com direito a cenas de sexo bastante gráficas. De fato, a dinâmica de poder na relação sexual entre Hawk e Tim é explorada sem suavizar as arestas para o público heterossexual, o que faz da série uma das representações menos comedidas do amor gay, destacando-se por abordar o assunto de forma ousada.

 

RIO CONNECTION | GLOBOPLAY

 

Ambientada nos anos 1970, a série nacional explora a intricada rede de tráfico de heroína estabelecida no Brasil, formando uma rota estratégica para os Estados Unidos. A obra é dirigida por Mauro Lima (“Meu Nome Não É Johnny”), destacando-se por sua alta qualidade de produção e um elenco que combina talentos estrangeiros e brasileiros. A trama se aprofunda na vida de três criminosos europeus – Tommaso Buscetta (Valerio Morigi), Fernand Legros (Raphael Kahn) e Lucien Sarti (Aksel Ustun), com a presença marcante da atriz Marina Ruy Barbosa no papel de Ana Barbosa, uma cantora de boate que navega entre o glamour e os perigos associados ao submundo do crime.

Inspirada em eventos reais, a trama desenrola-se em torno do plano do famoso mafioso Tommaso Buscetta e seus comparsas para usar o Rio como conexão do tráfico internacional. A trama mergulha nos detalhes da operação criminosa, destacando a compra da droga a preços baixos e a revenda por valores elevados. A série também explora a complexidade dos personagens, evitando retratá-los como criminosos unidimensionais e oferecendo uma visão mais humana e empática de suas vidas, apesar de suas ações sombrias.

Coprodução internacional com a Sony, apesar de brasileira a série é falada em inglês. Conta com oito episódios e também inclui no elenco Nicolas Prattes, Gustavo Pace e Alexandre David, interpretando policiais brasileiros, além de Maria Casadevall, Carla Salle, Felipe Rocha e Rômulo Arantes Neto.

 

DNA DO CRIME | NETFLIX

 

Série brasileira mais cara da Netflix, o thriller criminal se destaca por integrar ação intensa com uma investigação detalhada. A trama é baseada em uma história real que ocorreu na América do Sul entre 2013 e 2020, e começa com um assalto bem planejado em Ciudad del Este, no Paraguai. Mais de 50 assaltantes fortemente armados usam explosivos para entrar e fugir com US$ 44 milhões da sede de uma empresa de private equity. À medida que as investigações se desdobram, com o envolvimento de agentes federais brasileiros, sediados em Foz do Iguaçu, a história se aprofunda em uma complexa rede de crimes que cruza fronteiras.

Os protagonistas são os agentes Benicio, interpretado por Romulo Braga (“O Rio do Desejo”), e Suellen, interpretada por Maeve Jinkings (“Os Outros”), ambos apoiados por seu chefe Rossi, vivido por Pedro Caetano ( de “O Escolhido”). Eles enfrentam o líder dos assaltantes, Sem Alma, interpretado por Thomas Aquino (também de “Os Outros”), num momento em que a polícia brasileira começa a usar amostras de DNA para encontrar criminosos. A descoberta de uma pista liga o roubo a outros crimes recentes e leva à revelação de um esquema ainda maior, misturando criminosos do Paraguai e do Brasil.

Embora “DNA do Crime” não inove na narrativa das séries criminais, entrega ação intensa, com cenas de perseguição de carros e tiroteios reminiscentes do estilo visual de Denis Villeneuve em “Sicario”. Há também uma obsessão compartilhada com cidades de fronteira e a atmosfera especial que envolve as operações ilegais que ocorrem ali.

A direção é dos cineastas Pedro Morelli (do filme “Zoom” e da série “Irmandade”) e Heitor Dhalia (do filme “Tungstênio” e da série “Arcanjo Renegado”), este último também listado como um dos criadores, ao lado do também cineasta Aly Muritiba (“Deserto Particular”) e dos roteiristas Bernardo Barcellos (“Quero Ter 1 Milhão de Amigos”) e Leonardo Levis (“Irmandade”).

 

INVENCÍVEL 2 – PARTE 1 | AMAZON PRIME VIDEO

 

Uma das melhores séries de super-heróis da atualidade, a animação baseada nos quadrinhos de Robert Kirkman (“The Walking Dead”) retoma sua história após o choque da descoberta do jovem Mark Grayson (voz de Steven Yeun, de “The Walking Dead”) sobre a verdadeira natureza de seu pai, o super-herói Omni-Man (J.K. Simmons, de “Homem-Aranha: Sem Volta para Casa”), que na verdade queria conquistar a Terra para sua raça alienígena. Os novos episódios exploram o trauma de Mark e sua mãe, Debbie Grayson (de Sandra Oh, de “Killing Eve”), enquanto lidam com a dor e a raiva deixadas pela traição de Omni-Man.

Os episódios também apresentam uma exploração mais profunda do mundo dos super-heróis, incluindo os desafios enfrentados pela nova equipe dos Guardiões do Globo, sob a supervisão de Cecil Stedman (Walton Goggins, de “Tomb Raider”), e a chegada de novos personagens, como Angstrom Levy (Sterling K. Brown, de “This Is Us”), cuja entrada traz uma reviravolta significativa na história, ampliando a escala e a complexidade do universo de “Invincible”.

A 2ª temporada mantém a fidelidade ao material de origem, preservando o equilíbrio entre ação super-heróica, violência brutal e humor. Além disso, o elenco de voz, que inclui também Gillian Jacobs (“Community”) como a heroína Atom Eve, Zazie Beetz (“Deadpool 2”) como Amber Bennett, Seth Rogen (“Tommy and Pam”) como Allen, o Alien, e novos membros como Jay Pharoah (“Policial em Apuros”) e Ben Schwartz (“Parks and Recreation”), continua a entregar performances sólidas, contribuindo para a narrativa envolvente e emocionalmente carregada.

 

O SAMURAI DE OLHOS AZUIS | NETFLIX

 

A série animada americana narra a história de Mizu, uma samurai de olhos azuis em uma missão de vingança durante o período Edo no Japão, um momento histórico marcado pelo isolacionismo do país. Ao enfrentar o preconceito por ser mestiça, Mizu (voz de Maya Erskine, de “Obi-Wan Kenobi”) assume a identidade de um samurai masculino, ocultando não apenas sua identidade de gênero, mas também a cor única de seus olhos com o uso de óculos coloridos. Sua jornada é motivada pela busca de vingança contra os quatro homens brancos que estavam no Japão no momento de seu nascimento, um dos quais ela acredita ser seu pai.

Criada pelo casal Michael Green (roteirista de “Logan”) e Amber Noizumi, a atração apresenta um elenco de vozes primoroso, que inclui Kenneth Branagh (“A Noite das Bruxas”) como Abijah Fowler, um comerciante irlandês inescrupuloso, e Masi Oka (“Heroes”) como Ringo, um jovem samurai aspirante que se torna um aliado de Mizu. Enquanto o samurai avança em sua jornada, ela encontra outros personagens que desafiam as normas sociais, incluindo a princesa Akemi (Brenda Song, de “Dollface”) e o samurai Taigen (Darren Barnet, de “Eu Nunca…”), que tem sua lealdade testada quando cruza caminhos com Mizu. O estilo de animação é notável, misturando a tradicional arte japonesa com técnicas modernas de animação 3D, proporcionando sequências de ação altamente estilizadas e uma representação visualmente rica do Japão feudal. A direção é de Jane Wu, que estreia na função após longa carreira na animação – inclusive no vencedor do Oscar “Homem-Aranha no Aranhaverso”.

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Marcel Plasse

Marcel Plasse é jornalista, participou da geração histórica da revista de música Bizz, editou as primeiras graphic novels lançadas no Brasil, criou a revista Set de cinema, foi crítico na Folha, Estadão e Valor Econômico, escreveu na Playboy, assinou colunas na Superinteressante e DVD News, produziu discos indies e é criador e editor do site Pipoca Moderna.

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