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Unsplash/Dima Solomin

Etc|19 de julho de 2023

Netflix aumenta lucros com fim de senhas compartilhadas, anúncios e greves de Hollywood

A Netflix declarou ter aumentado lucros e elevado o número de assinantes da plataforma no 2º trimestre de 2023. O streaming relatou na quarta-feira (19/7) um lucro líquido de US$ 1,8 bilhão no trimestre, um aumento de 3,3% em relação ao mesmo período do ano passado. O número superou as expectativas da empresa, que previa no máximo um lucro de US$ 1,5 bilhão.

O aumento foi obtido graças à aquisição de 5,9 milhões de assinantes novos, resultando num total de 238,4 milhões membros ao redor do mundo.

 
Senhas compartilhadas

O crescimento foi consequência de algumas mudanças recém-implementadas. Uma delas é a cobrança por senhas compartilhadas. Segundo a Netflix, a mudança não diminuiu o número de assinantes da plataforma, como muitos apontavam nas redes sociais. Pelo contrário.

Aplicada no Brasil desde maio, a estratégia torna uma conta da Netflix limitada a apenas os moradores de um único domicílio, impondo um pagamento adicional para usuários fora de casa. Isso força quem quiser compartilhar a senha a pagar mais – ou então fazer o agregado a abrir sua própria conta individual. Muitos dos novos assinantes podem ter surgido a partir desse impasse.

 
Propaganda

Além da nova tática, a empresa também notou os efeitos dos seus planos de assinatura com propagandas, implementados desde o final de 2022. Como uma opção mais barata, os novos planos trazem anúncios publicitários antes e durante a reprodução de conteúdos, e geram lucro duplo, com assinantes e anunciantes.

Com o resultado positivo, a Netflix decidiu encerrar os planos básicos de assinatura sem propagandas nos Estados Unidos e no Reino Unido no início desta semana. Dessa forma, a plataforma obriga os usuários que preferem assistir séries e filmes sem comerciais a assinarem um plano mais caro.

“Construir um negócio de anúncios do zero não é fácil e temos muito trabalho pela frente, mas temos confiança de que, ao longo do tempo, podemos desenvolver a publicidade em uma fonte de receita incremental de bilhões de dólares”, declara o relatório da empresa.

 
Concorrência

O triunfo da Netflix acontece no momento em que seus principais concorrentes, como Disney, Paramount e Warner Bros. Discovery, registraram prejuízos e buscam alternativas para rentabilizar seus próprios serviços de streaming.

Enquanto a Netflix buscou soluções na cobrança das senhas e nos planos com propagandas, a Disney+ optou por retirar títulos do seu catálogo e cortar o investimento em produções. Já a Max começou a vender seu conteúdo para outras plataformas – como a própria Netflix.

“Embora o streaming seja extremamente competitivo, mostramos que, com uma execução forte e foco, ele pode ser um ótimo negócio”, declarou Greg Peters, co-CEO da Netflix. “Acho que você está absolutamente certo de que o mercado em geral está fraco, mas agora nos beneficiamos por sermos relativamente pequenos”.

 
Divulgação da audiência

Outro aspecto apontado pelo relatório foi como a forma de divulgação de dados de visualização dos títulos, com o Top 10 na própria plataforma, aumenta o engajamento do streaming com o publico – e com o mercado. Em paralelo, o fluxo contínuo de novos filmes e séries também colabora com essa dinâmica.

“Acreditamos que compartilhar esses dados de engajamento regularmente ajuda os talentos e a indústria em geral a entenderem o que é o sucesso na Netflix – e esperamos que outros serviços de streaming se tornem mais transparentes sobre o engajamento em seus serviços ao longo do tempo”, acrescentou o executivo.

 
Greves

Com o relatório, a Netflix foi o primeiro estúdio de Hollywood a divulgar ganhos em meio às greves dos atores e roteiristas. Os dois movimentos foram resultados de faltas de acordos dos sindicatos (SAG para os atores e WGA para os roteiristas) com a Aliança de Produtores de Cinema e Televisão (AMPTP), que reúne grandes estúdios como Amazon, Apple, Disney, Warner, NBC Universal, Paramount, Sony e também a Netflix.

Com a paralisação nas produções, o streaming ainda aumentou sua estimativa de fluxo de caixa livre – métrica usada para avaliar quanto dinheiro resta para uma empresa após cumprir todas as obrigações financeiras. Com a diminuição dos gastos com o conteúdo, a empresa acrescentou US$ 1,5 bilhão economizados, resultando em US$ 5 bilhões para o ano inteiro.

Durante um pronunciamento nesta quarta-feira (19/7), o co-CEO do streaming, Ted Sarandos, comentou o posicionamento da empresa sobre a situação. “Deixe-me começar deixando algo absolutamente claro: esta greve não é um resultado que desejávamos”, defendeu. “Fazemos acordos o tempo todo, estamos constantemente negociando com roteiristas, diretores, atores, produtores e todos os envolvidos na indústria. E realmente esperávamos chegar a um acordo agora”.

“Ninguém aqui, ninguém dentro da AMPTP e tenho certeza que ninguém no SAG ou no WGA levou isso de forma leviana”, acrescentou. “Temos muito trabalho a fazer. Existem algumas questões complicadas. Estamos totalmente comprometidos em chegar a um acordo o mais rápido possível, um acordo que seja equitativo e que permita à indústria e a todos nela avançarem para o futuro”.

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Maria Luiza Priori Pimentel

Jornalista recém-graduada e apaixonada pelo universo do entretenimento. Tem interesse em filmes, séries, músicas, documentários e tudo relacionado à cultura.

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