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James Franco aborda denúncias de assédio e revela vício em sexo

O ator James Franco falou pela primeira vez sobre as acusações de assédio envolvendo seu nome. Em janeiro de 2018, cinco mulheres o acusaram de assédio sexual durante aulas de atuação de um curso que ele ministrava. Ele negou as alegações por meio de seu advogado e, desde então, vinha mantendo silêncio.

A polêmica, porém, virou o centro de uma entrevista do ator ao programa de rádio “The Jess Cagle Show” nesta semana, onde ele abordou as acusações.

“Em 2018, apareceram algumas reclamações e um artigo sobre mim, e naquele momento eu só pensei: ‘Vou ficar quieto, vou pausar’. Não parecia o momento certo para dizer algo. Existiam pessoas bravas comigo, e eu precisava ouvir”, disse o ator, falando de seu silêncio sobre o assunto.

“Eu li um livro que dizia que, quando coisas assim acontecem, o instinto humano natural é fazer com que isso pare. Quer tirar isso da frente e fazer o que tiver que fazer, se desculpar, o que seja. Mas isso não permite com que você faça o trabalho de olhar para o que está dentro”, continuou ele, justificando seu sumiço.

Ao abordar as denúncias, ele revelou que é viciado em sexo desde os 20 anos, quando superou o vício em álcool para trabalhar em sua primeira série, “Freaks & Geeks”, em 1999. “Quando eu não podia mais usar o álcool para preencher aquele vazio, o vício virou o sucesso e a atenção. E era ótimo. Fiquei viciado em validação e sucesso. Sucesso e atenção de mulheres viraram grandes formas de validação para mim”, disse o ator. “É uma droga muito poderosa. Eu fiquei viciado nela por mais de 20 anos. E a parte mais confusa disso é que eu continuei sóbrio de álcool nesse período. Eu ia às reuniões, e até tentei ajudar outras pessoas nesse sentido. Então na minha cabeça, eu estava sóbrio, quando na realidade eu estava agindo mal de todas essas outras formas e não estava vendo”, continuou ele num desabafo.

O ator de 43 anos admitiu que traiu todas as namoradas anteriores à atual (Isabel Pakdaz). “Não conseguia ser fiel à ninguém”, admitiu James, dizendo que utilizou uma fala de seu mentor de sobriedade para justificar inúmeros casos com mulheres. “Estava completamente cego para as dinâmicas de poder que aconteciam, mas também cego para os sentimentos das pessoas. Eu não queria machucar as pessoas. Eu nem era um cara de ficar apenas uma noite. As pessoas com quem me relacionei, eu as vi por muito tempo, por anos. Mas eu não conseguia estar presente para nenhuma delas. Chegou a um ponto onde eu estava machucando todo mundo”, desabafou Franco.

James também admitiu ter dormido com estudantes. “Durante o tempo em que lecionei, eu dormi com estudantes, e isso foi errado. Mas foi como eu disse, não foi por isso que comecei a ensinar e não era eu quem selecionava as pessoas que estariam nas aulas. Então não era um plano da minha parte. Porém, existiram certas instâncias onde sim, eu estava em relações consensuais com estudantes e não deveria ter acontecido. Na época, eu não era esclarecido, como eu disse. Então meu critério era: ‘Se isso é consensual, então tudo bem. Somos adultos'”, disse ele.

No início deste ano, James fechou um acordo financeiro com duas das ex-alunas que fizeram acusações, o que impediu que o processo aberto pelas denunciantes fosse à julgamento.