Novo filme de Xavier Dolan será lançado com exclusividade pelo Mubi
O serviço de streaming Mubi adquiriu direitos multiterritoriais do drama “Matthias & Maxime” (2019), mais recente filme de Xavier Dolan, exibido no Festival de Cannes do ano passado. O negócio inclui exibições para o público brasileiro. Inédito nos cinemas ou em streaming fora do Canadá, o filme escrito, produzido, dirigido e co-estrelado por Dolan conta a história de dois melhores amigos de infância, Matthias (Gabriel D’Almeida Freitas) e Maxime (interpretado pelo próprio Dolan). Os dois homens são convidados a compartilhar um beijo para um curta-metragem de estudante e logo surge uma dúvida persistente, confrontando os dois com suas preferências, ameaçando a irmandade de seu círculo social e, eventualmente, mudando suas vidas. “Eu assinei o Mubi há mais de uma década, quando me mudei para o meu primeiro apartamento. Eu descobri um trabalho incrível nessa plataforma e é uma honra tê-los mostrando o filme. Acho que meu eu de 18 anos ficaria bastante impressionado”, disse Dolan, em comunicado. Efe Cakarel, fundador e CEO do Mubi, acrescentou: “Xavier Dolan é um dos melhores cineastas do cinema contemporâneo. Somos grandes fãs do seu trabalho e ‘Matthias & Maxime’ é um filme lindamente escrito que exala seu estilo de assinatura. Mal podemos esperar para mostrá-lo no Mubi neste verão [norte-americano].” A trilha sonora original do filme foi composta pelo compositor e pianista canadense Jean-Michel Blais, que foi premiado em Cannes por seu trabalho em maio de 2019. Embora não tenha vencido prêmios com “Matthias & Maxime”, Xavier Dolan é o cineasta mais premiado de sua geração. Com apenas 31 anos, o jovem canadense já tem oito troféus só do Festival de Cannes, entre eles o Prêmio do Júri por “Mommy” (2014) e o Grande Prêmio do Júri para “É Apenas o Fim do Mundo” (2016).
Fan Bingbing retoma carreira dois anos após “desaparecimento” forçado
A estrela chinesa Fan Bingbing está pronta para voltar às telas, depois de um exílio de dois anos relacionado ao escândalo de evasão fiscal que a afastou dos holofotes. Para quem não lembra, a atriz mais famosa da China, intérprete da mutante Blink em “X-Men: Dias de um Futuro Esquecido” ficou “desaparecida” por quase quatro meses em 2018. Quando o clamor mundial sobre seu paredeiro ganhou manchetes nos EUA, ela ressurgiu nas redes sociais para fazer um pedido de desculpas ao governo de seu país e elogiar o Partido Comunista, assumindo-se culpada por corrupção. Nas vésperas de seu desaparecimento, um apresentador de TV a acusou de dever cerca de US$ 129 milhões em impostos e multas, por fraudes contratuais. Ela passou quatro meses detida e em local desconhecido, sendo liberada apenas após a retratação pública – e não se sabe o que mais – , durante uma operação contra celebridades sonegadoras de impostos. O jornal chinês South China Morning Post, que revelou que atriz tinha ficado sob “vigilância residencial em um local designado” durante o período, agora relata que ela vai estrelar a série de época “Win the World”, orçada em US$ 70 milhões, que será lançada na Youku, plataforma de streaming do grupo Alibaba, espécie de “Amazon chinesa”, em uma data não especificada. Na série, ela contracena com Gao Yunxiang (“Guerra às Drogas”), que também viveu seu próprio escândalo há dois anos quando foi preso na Austrália e acusado de agressão sexual – ele foi absolvido de todas as acusações em março deste ano, depois de passar 22 meses sob custódia. O projeto estava originalmente programado para estrear em 2018, mas os escândalos envolvendo seus dois protagonistas interromperam a produção. Não está claro se a a Youku vai exibir apenas as gravações que chegaram a ser realizadas na época ou se os trabalhos foram retomados, mas a série será reduzida dos 76 episódios originalmente planejados para cerca de 60. Na série, Fan interpreta uma viúva e uma empresária de destaque que ajuda Qin Shi Huang (Gao), fundador da dinastia Qin e o primeiro imperador de uma China unificada, a financiar a construção da Grande Muralha. Fan Bingbing também retomou suas atividades internacionais. Ela está no elenco do thriller de espionagem “355”, segundo longa dirigido pelo roteirista Simon Kingberg (o primeiro foi “X-Men: Fênix Negra”), que a junta com Jessica Chastain, Sebastian Stan, Diane Kruger, Penélope Cruz, Lupita Nyong’o e Edgar Ramírez, com estreia marcada para janeiro de 2021.
Woody Allen diz que atores que o criticam são bobos e querem apenas seguir moda
Woody Allen diz ter poucas esperanças de que as pessoas acreditem que ele nunca molestou sua filha Dylan, graças à campanha de cancelamento que sofre. Ele imagina que a alegação será lida até no início de seu obituário. Em uma entrevista ao jornal The Guardian, publicada na sexta-feira (1/5), o cineasta abordou mais uma vez as alegações que o perseguem desde os anos 1990 e que foram revigoradas na era do movimento #MeToo. “Acredito que, pelo resto da minha vida, um grande número de pessoas pensará que eu fui um predador”, disse Allen. “Qualquer coisa contrária que eu disser soará egoísta e defensiva, por isso é melhor que eu apenas siga meu caminho e trabalhe”. Mas até trabalhar tem sido difícil. Ele teve que processar a Amazon, que rompeu unilateralmente o contrato de produção e distribuição de seus filmes – deixando “Um Dia de Chuva em Nova York” inédito nos EUA. E enfrentou uma campanha do irmão de Dylan, Ronan Farrow, contra a publicação da sua autobiografia. Ronan conseguiu, com cúmplices das redes sociais, que a editora original cancelasse o lançamento. Felizmente, outra editora assumiu o projeto e o livro se tornou um dos mais elogiados do ano. Intitulado “A Propósito de Nada”, a obra chega ao Brasil no segundo semestre. Ao longo dos últimos tempos, Woody Allen também viu uma série de atores se declararem arrependidos dos filmes que fizeram com ele, por conta das acusações de que teria abusado sexualmente da sua filha, quanto ela tinha sete anos de idade. Mas a verdade é que o caso chegou a ser investigado duas vezes em 1992, uma pela Agência Estadual de Bem-Estar Infantil e outra pela Clínica de Abuso Sexual Infantil do Hospital Yale-New Haven, e ambas concluíram que a garota não havia sido abusado. Uma das investigações concluiu, inclusive, que Dylan tinha sofrido lavagem cerebral da mãe, Mia Farrow, por ódio de Woody Allen. O cineasta acabou se envolvendo e, posteriormente, casando-se com a filha adotiva de Mia, Soon-Yi Previn. Casados até hoje, os dois são pais de duas filhas já adultas, que, assim como todas as atrizes que trabalharam com o diretor, jamais reclamaram do comportamento de Allen. Allen lamentou as críticas dos atores, que o renunciaram como se ele fosse o capeta, como Greta Gerwig, Rebecca Hall, Colin Firth, Marion Cotillard e Timothée Chalamet. “É muito bobo. Os atores não têm ideia dos fatos e decidiram adotar uma posição segura, pública e egoísta. Quem no mundo não é contra o abuso sexual de crianças?”, observou o diretor. “É assim que atores e atrizes são, e me denunciar se tornou a coisa mais na moda pra se fazer, como todo mundo de repente comendo couve”. Na entrevista, o diretor de 84 anos pontuou que sabe que nunca vai se livrar desse assunto. “É assim que as coisas são e tudo o que posso fazer é torcer para que as pessoas voltem a si em algum momento. Mas se não voltarem, tudo bem. Existem muitas injustiças no mundo muito piores que isso. Então você vive com isso”, completou.


