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Divulgação/Netflix

Etc|21 de janeiro de 2020

Netflix continua a crescer e chega a 167 milhões de assinantes no mundo

A Netflix teve um desempenho acima das expectativas no último trimestre de 2019. Os dados, divulgados na noite desta terça-feira (21/1) para o mercado, revelam que a empresa teve faturamento de US$ 5,5 bilhões no período entre outubro e dezembro, com alta de 31% em relação ao ano anterior.

A empresa também ganhou 8,8 milhões de novos assinantes no trimestre, muito acima da expectativa da própria Netflix, que previa adquirir 7,6 milhões de novos membros. Mas, por outro lado, abaixo da previsão de crescimento para a América do Norte. A plataforma conquistou apenas 420 mil novos assinantes nos EUA, contra uma previsão de 600 mil.

Essa diferença já indica a disputa do público com a Disney+ (Disney Plus) nos EUA. O serviço do conglomerado Disney ainda não começou a atuar no exterior, onde a Netflix segue crescendo sem muita concorrência. Mas a situação deve mudar radicalmente em 2020, com a expansão internacional da Disney+ (Disney Plus) e o lançamento de novos concorrentes, como HBO Max e Peacock.

Por enquanto, a anunciada “guerra dos streamings” ainda não abalou a supremacia da Netflix. No acumulado do ano, a empresa permanece no azul, adicionando 27,8 milhões de clientes – também acima das expectativas de cerca de 26 milhões – , fechando 2019 com 167 milhões de assinantes em todo o mundo.

Após a América do Norte, a Europa e a América Latina representam os maiores mercados da plataforma. Em 3º lugar em faturamento, a América Latina responde por 31,4 milhões de assinantes. A Europa tem 51,8 milhões de assinantes e a América do Norte, 67,7 milhões. Em último vem a Ásia, com 16,2 milhões, mas, por ter sido o último mercado desbravado, o continente asiático é o que tem registrado maior aumento proporcional do serviço.

O relatório também revelou alguns números relativos às visualizações de conteúdo do serviço e uma mudança de metodologia para apresentar valores de audiência. Graças à nova medição, os resultados surgiram bem inflados, atingindo números nunca antes vistos, casos da série “The Witcher” e do filme “Esquadrão 6”. Saiba mais aqui.

A análise é completada por uma projeção para o atual trimestre, que os investidores americanos consideraram pessimista. A Netflix espera ganhar entre janeiro e março 7 milhões de novos usuários. Mas no mesmo trimestre de 2019, aumentou sua clientela em 9,6 milhões de usuários — para contrabalançar a diferença, a empresa sustenta que resultado do primeiro trimestre de 2019 foi um recorde histórico.

Há um consenso no mercado a respeito da necessidade da plataforma precisar investir cada vez mais em conteúdo próprio, já que, a partir de 2020, não contará mais com produções das empresas concorrentes, como a Disney e a Time Warner, que retiraram seus filmes e séries de seu catálogo.

De acordo com relatório independente, da empresa de pesquisa BMO Capital Markets, a Netflix deverá investir US$ 17,3 bilhões em 2020 em sua própria programação, para fazer frente à perda de conteúdo dos estúdios de Hollywood, num aumento de mais de US$ 2 bilhões em relação ao investimento estimado no ano passado. Como a conta não fecha, isso significa operar no vermelho, correndo riscos se o crescimento estagnar.

Por enquanto, os investidores parecem estar confiantes no potencial da Netfilx. Após a divulgação do resultado do trimestre, as ações da empresa exibiram alta de quase 2% em negócios após o fechamento das bolsas em Nova York.

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Marcel Plasse

Marcel Plasse é jornalista, participou da geração histórica da revista de música Bizz, editou as primeiras graphic novels lançadas no Brasil, criou a revista Set de cinema, foi crítico na Folha, Estadão e Valor Econômico, escreveu na Playboy, assinou colunas na Superinteressante e DVD News, produziu discos indies e é criador e editor do site Pipoca Moderna.

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