Coronavírus cancela estreias de filmes na China e causa prejuízo bilionário

A epidemia de coronavírus, que tem se espalhado pela Ásia, também vitimou a indústria cinematográfica da China. Por conta da crise da saúde, várias estreias de blockbusters foram canceladas no país.

Anúncio feito nesta quinta-feira (23/1) informa que os filmes que deveriam estrear no fim de semana, na abertura das comemorações do ano novo chinês, foram adiados por tempo indeterminado. E o feriado é considerado o mais lucrativo do parque exibidor nacional, gerando em torno de US$ 1 bilhão em bilheteria todos os anos.

Os distribuidores e cinemas de Pequim garantem que a decisão de adiar as estreias foi tomada de forma voluntária, após especialistas médicos na China aconselharam os cidadãos a evitar congregações em lugares fechados, o que naturalmente incluiria salas de cinema.

Ironicamente, todos os filmes cancelados eram grandes apostas do cinema chinês para enfrentar as produções de Hollywood, que devem ser favorecidas por conta das peculiaridades do país. É que os reguladores chineses impedem estreias estrangeiras durante a semana do ano novo, dando prioridade para as produções locais. Assim, nenhum filme americano foi prejudicado.

O impacto cultural da epidemia, porém, não se restringe apenas aos cinemas. Todas as celebrações do ano novo foram canceladas pela prefeitura da capital chinesa, abalando uma das maiores tradições do país.

A doença pulmonar já matou 17 pessoas na China. O vírus, que surgiu em dezembro passado na cidade chinesa de Wuhan, infectou mais de 630 pessoas, segundo registros oficiais, mas a comunidade médica internacional especula que os números são muito maiores que os divulgados.

Autoridades chinesas afirmam que há casos de transmissão do vírus de uma pessoa para outra, envolvendo inclusive profissionais de saúde que foram infectados durante o tratamento de pacientes com a mesma doença.

O vírus causa febre, tosse, falta de ar e dificuldade em respirar. Em casos mais graves, pode evoluir para pneumonia e síndrome respiratória aguda grave ou causar insuficiência renal.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) cogita declarar uma situação de emergência de saúde pública de caráter internacional, assim como fez com a gripe suína e o ebola.

O Ministério da Saúde afirmou também nesta quinta-feira (23/1) que o Brasil entrou em alerta para o risco de transmissão. A pasta descartou, no entanto, a existência de casos suspeitos de infecção pelo coronavírus no país.