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Filme|12 de agosto de 2019

Tarantino defende versão arrogante de Bruce Lee em Era uma Vez em Hollywood

O diretor Quentin Tarantino aproveitou uma entrevista coletiva em Moscou, acompanhando o lançamento de “Era uma Vez em Hollywood” nos cinemas russos, para defender a forma como retratou Bruce Lee no filme, representado como um ator arrogante. A filha do astro falecido, Shannon Lee (produtora da série “Warrior”), fez duras críticas ao diretor após ver a representação de seu pai nas telas (leia aqui).

Tarantino se defendeu afirmando que se baseou em entrevistas e relatos de pessoas próximas ao ator.

“Bruce Lee era meio que um cara arrogante mesmo. O jeito que ele falava… Eu não inventei, ouvi ele falar coisas como essas. As pessoas me dizem ‘Ele nunca disse que poderia derrotar Muhammad Ali’, mas ele disse sim. E não foi só ele quem disse isso, sua esposa também. A primeira biografia dele que li foi ‘Bruce Lee: The Man Only I Knew’, de Linda Lee, e ela absolutamente disse isso.”

A aparição de Bruce Lee (vivido por Mike Moh) no filme incluiu uma luta contra Cliff Booth, o dublê fictício interpretado por Brad Pitt. A cena também gerou controvérsia, já que Lee é conhecido como um dos maiores mestres das artes marciais, o que deixa a ideia de que um dublê estaria a sua altura um tanto quanto “irreal”. Entretanto, Tarantino afirmou que seu personagem é fictício e que a ficção aceita tudo.

“Brad não poderia derrotar Bruce Lee, mas Cliff talvez pudesse. Então se pergunte: quem ganharia em uma briga, Bruce Lee ou Dracula? É a mesma pergunta. São personagens fictícios. E eu digo, Cliff poderia derrotá-lo, ele é um personagem fictício.”

O diretor justificou o resultado da luta (um empate), afirmando que o passado de Cliff Booth como veterano de guerra deixaria as chances equilibradas.

“A realidade da situação é essa: Cliff é um Boina Verde. Ele matou muitos, muitos homens na 2ª Guerra Mundial em combates mano-a-mano. É um assassino. O que Bruce Lee está falando na coisa toda é que ele admira guerreiros e combates, e boxe é uma aproximação de combate. Mais até do que lutas em torneios de artes marciais. Cliff não é parte de um esporte que parece combate, ele é um guerreiro. Se Cliff estivesse lutando contra Bruce Lee em um torneio de artes marciais no Madison Square Garden, Bruce Lee poderia matá-lo. Mas se eles estivessem lutando em uma selva nas Filipinas, em uma luta mano-a-mano, Cliff o mataria.”

O detalhe é que a cena seria ainda mais polêmica, se Brad Pitt não tivesse se sentido incomodado e pedido para Tarantino mudá-la. No roteiro original, o dublê vencia o mestre, em vez da luta ser interrompida enquanto estava empatada.

A informação foi compartilhada pelo coordenador de dublês do filme, Robert Alonzo, que revelou, em entrevista ao HuffPost, que a cena original traria uma luta muito maior, em que o personagem de Pitt acabaria dando um golpe baixo e vencendo a briga.

“Sei que Brad expressou sua preocupação, e nós todos tínhamos preocupação com a derrota de Bruce. Especialmente para mim, que sempre idealizei Bruce Lee como um ícone, não apenas no reino das artes marciais mas também do modo que ele via a vida e a filosofia. Ver seu ídolo perder é muito triste”.

“Todos os envolvidos ficaram ‘como que isso vai acontecer?’ Brad foi muito contra. Ele falava ‘é Bruce Lee, cara!'”, contou o coordenador.

Apesar da polêmica, “Era uma Vez em Hollywood” se tornou o quarto filme de Tarantino a faturar mais de US$ 100 milhões na América do Norte, e deve se tornar a 3ª maior bilheteria doméstica do diretor no próximo fim de semana.

Passado em Los Angeles no ano de 1969, o filme acompanha personagens fictícios e reais, retratando os bastidores de Hollywood no período.

A estreia no Brasil está marcada para esta quinta (15/6).

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Marcel Plasse

Marcel Plasse é jornalista, participou da geração histórica da revista de música Bizz, editou as primeiras graphic novels lançadas no Brasil, criou a revista Set de cinema, foi crítico na Folha, Estadão e Valor Econômico, escreveu na Playboy, assinou colunas na Superinteressante e DVD News, produziu discos indies e é criador e editor do site Pipoca Moderna.

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