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Filme|6 de julho de 2019

Cyrano, Mon Amour diverte com bastidores da obra-prima do teatro francês

“Cyrano de Bergerac” é a mais importante peça do teatro francês. Sua primeira encenação data de 1897 e, desde então, já foi vista nos palcos milhares de vezes. É um sucesso que teve início no século 19 e permanece no século 21. Seu autor, Edmond Rostand (1868-1918), a escreveu toda em versos e tinha menos de 30 anos quando a completou, em meio aos ensaios da primeira encenação.

Dezenas de filmes também foram feitos com base na peça. Quem for ver “Cyrano, Mon Amour” não se apresse em sair do cinema, uma cena de cada um desses filmes é exibida, e identificada, junto com os créditos finais.

O filme “Cyrano, Mon Amour” é uma homenagem a Rostand, tanto que no original o filme se chama apenas “Edmond”. De qualquer modo, o centro da história é o processo de criação e concretização da peça de maior sucesso de todos os tempos na França e também muitíssimo apreciada em todo o mundo.

O diretor, roteirista e também ator Alexis Michalik (da série “Versailles”) é ainda o autor da peça teatral que serve como base ao filme “Cyrano, Mon Amour”, seu primeiro longa, porém, um trabalho já sólido e maduro. Ele passou anos estudando “Cyrano de Bergerac”, escreveu a peça que conta o processo de criação a partir do autor Edmond Rostand e, finalmente, realizou o filme, já dominando sua própria peça inteiramente e conhecendo fala por fala. O trabalho tem ritmo, não perde o gás, se passa em grande parte no teatro, mas é tão cinematográfico quanto é teatral. Na verdade, é também uma bela homenagem ao fazer teatral.

O filme é metalinguístico, sobre os percalços, dificuldades e prazeres da criação à execução do espetáculo. Cria-se uma narrativa essencialmente cômica a partir desse difícil processo, que tem lances dramáticos. E tudo se passa como filme de época, no contexto histórico do fim do século 19. Um período que testemunhou o nascimento do cinema com os irmãos Lumiére, o que é mostrado, dois anos antes da estreia do Cyrano. Os primeiros carros, o início da aviação, a popularização da eletricidade, um período eufórico de avanços tecnológicos e artísticos.

Entre os personagens que entram na história de Edmond e seu Cyrano estão George Feydeau (1862-1921), papel vivido pelo diretor Alexis Michalik, Sarah Bernardt (1844-1923), vivida por Clémentine Célarsé (“Uma Família de Dois”), e Constant Coquelin (1841-1909), o ator que interpretou Cyrano pela primeira vez no palco, vivido com maestria no filme por Olivier Gourmet (“Troca de Rainhas”). No papel de Edmond, o jovem e talentoso Thomas Solivérès (“Respire”) protagoniza com brilho o seu personagem. E tem ainda Mathilde Seigner (“Viva a França!”), como Maria Legaut, e Lucie Boujenah (“Inocência Roubada”), como Jeanne, a intérprete de Roxanne, e Tom Leeb (“Papillon”), como Léo, todos muito bem.

As locações em Praga, na República Tcheca, procuram recriar o clima e os ambientes da Paris daquele período. O que os figurinos, adereços, penteados, perucas, maquiagem, se encarregam de completar com sucesso.

Uma comédia inteligente, que trata de um tema cultural relevante, especialmente para a França, mas não só para ela, que diverte, informando, e não deixa de oferecer sua quota de dramaticidade e romantismo. O filme foi visto por mais de 500 mil pessoas na França, foi bem recebido por aqui, na recente estreia do Festival Varilux do Cinema Francês e oferece bom divertimento com qualidade.

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Antonio Carlos Egypto

Antonio Carlos Egypto é psicólogo educacional e clínico, sociólogo e crítico de cinema. Membro fundador do GTPOS - Grupo de Trabalho e Pesquisa em Orientação Sexual. Autor de "Sexualidade e Transgressão no Cinema de Pedro Almodóvar","No Meu Corpo Mando Eu","Sexo, Prazeres e Riscos", "Drogas e Prevenção: a Cena e a Reflexão" e "Orientação Sexual na Escola: um Projeto Apaixonante", entre outros. Cinéfilo desde a adolescência, que já vai longe, curte tanto os clássicos quanto o cinema contemporâneo de todo o mundo. Participa da Confraria Lumière, é associado da ABRACCINE (Associação Brasileira de Críticos de Cinema) e edita o blog Cinema com Recheio

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