Marvel contrata diretor indie para o filme do Mestre do Kung Fu



A Marvel contratou mais um diretor indie para comandar um de seus próximos filmes. Destin Daniel Cretton, que assinou os dramas independentes “Temporário 12” (2013) e “Castelo de Vidro” (2017), foi o escolhido para dirigir “Shang-Chi”, o filme do personagem mais conhecido como o Mestre do Kung Fu.

O longa marca a primeira produção do estúdio protagonizado por um herói asiático.

Destin Daniel Cretton nasceu no Havaí e, apropriadamente, é descente de japoneses. Além disso, seus dois filmes mais conhecidos foram estrelados por Brie Larson (a Capitã Marvel). De fato, ele foi responsável por projetar a atriz, que ganhou seus primeiros prêmios de interpretação por “Temporário 12”, drama que também venceu o Festival SXSW em 2013. Para completar, seu próximo lançamento, “Just Mercy” (previsto para 2020), será novamente estrelado por Brie Larson.

O roteiro de “Shang-Chi” está a cargo de Dave Callaham, criador da franquia “Os Mercenários”, que também assina o roteiro de “Mulher-Maravilha 1984” e “Zumbilândia 2”, e atualmente desenvolve o reboot de “Mortal Kombat” e “Homem-Aranha no Aranhaverso 2”.

Shang-Chi, o Mestre do Kung Fu, foi criado por Steve Englehart e Jim Starlin em 1973, refletindo o sucesso dos filmes de kung fu do período – especialmente “Operação Dragão”, clássico de Bruce Lee lançado no mesmo ano. Sua origem também pegava emprestado o lendário Fu Manchu, criado na literatura pulp em 1912 pelo escritor inglês Sax Rohmer. O personagem foi o primeiro grande gênio do mal da ficção, responsável por popularizar o clichê do vilão com bigodinho e planos de dominação mundial que se tornariam lugar-comum nas aventuras de James Bond.



Nos quadrinhos, Shang-Chi era ninguém menos que o filho de Fu Manchu, que passa a renegar o pai ao descobrir que ele não era o filantropo que dizia ser, aliando-se aos inimigos dele – os mesmos dos livros de Rohmer, com algumas criações inéditas, inclusive um suposto filho de James Bond.

O escritor Doug Moench e o desenhista Paul Gulacy (que desenhava Chang-Shi com a aparência de Bruce Lee) transformaram esse conceito numa história clássica a partir do segundo ano da publicação, passando a combinar kung fu com thriller de espionagem, num ritmo de ação intensa que já nasceu cinematográfico. E estrelado por vários astros de cinema, já que os personagens eram desenhados com feições de atores famosos. Além de Bruce Lee, o “elenco” dos quadrinhos da época incluía Marlon Brando (visual do personagem James Larner), Marlene Dietrich (Juliette), Sean Connery (Clive Reston), David Niven (Ward Sarsfield), Groucho Marx (Rufus T. Hackstabber) e W. C. Fields (Quigley J. Warmflash).

Segundo o site Deadline, o filme deve mudar detalhes desta história de origem para evitar estereótipos. Mas será uma pena se Fu Manchu não for mantido como antagonista.

Ainda não há data definida para o início da produção.

O estúdio tem investido em diretores do cinema independente para comandar suas produções, embora relatos de bastidores sugiram que boa parte da ação seja gerenciada por técnicos, desde coordenadores de dublês aos criadores de efeitos visuais. O mais recente sucesso do estúdio, “Capitã Marvel”, foi dirigido pelo casal Anna Boden e Ryan Fleck, que nunca tinha assinado uma produção de grande orçamento. Até mesmo o cineasta de “Pantera Negra”, Ryan Coogler, destacou-se com uma vitória no Festival de Sundance antes de virar diretor de blockbusters. E as filmagens de “Os Eternos” estão a cargo de Chloé Zhao, vencedora do Gotham Awards do ano passado por “Domando o Destino”.



Marcel Plasse é jornalista, participou da geração histórica da revista de música Bizz, editou as primeiras graphic novels lançadas no Brasil, criou a revista Set de cinema, foi crítico na Folha, Estadão e Valor Econômico, escreveu na Playboy, assinou colunas na Superinteressante e DVD News, produziu discos indies e é criador e editor do site Pipoca Moderna



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