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O cineasta Domingos Oliveira morreu neste sábado (23/3), aos 82 anos, após sentir falta de ar e ser socorrido por paramédicos em sua casa, no Rio de Janeiro. Ele sofria de mal de Parkinson há muitos anos.Autor de clássicos, como "Todas as Mulheres do Mundo" (1966), e de filmes contemporâneos premiados, como "Barata Ribeiro, 716" (2016), ele também foi diretor de teatro, roteirista, dramaturgo, produtor e ator, e assinou mais de 120 obras ao longo da carreira no cinema, no teatro e na TV.Domingos Oliveira se formou em Engenharia Elétrica, mas nunca trabalhou na área. Sua carreira verdadeira iniciou em 1959, como diretor assistente de Joaquim Pedro de Andrade. Ele trabalhou nos três primeiros curtas do cineasta, além do segmento de Andrade em "Cinco Vezes Favela" (1962).Também foi redator da extinta revista Manchete nesse período, até ser convidado para participar da criação da TV Globo. Domingos foi o segundo produtor contratado pela emissora (após Haroldo Costa), e assumiu o comando do programa "Show da Noite", apresentado por Glaúcio Gil. Ele produzia e dirigia a atração transmitida ao vivo de segunda a sexta-feira, ao mesmo tempo que desenvolvia roteiros de especiais e dirigia séries.Ele comandou a primeira série da TV brasileira, "22-2000 Cidade Aberta", exibida em 1965 pela Globo.No ano seguinte, montou sua primeira peça de teatro, "Somos Todos do Jardim de Infância", que lançou a atriz Leila Diniz, com quem Domingos era casado na época — seis anos depois, a trama foi adaptada para a TV, dentro da antologia "Caso Especial" (1972), da Globo.Seu primeiro filme chegou aos cinemas logo em seguida. "Todas as Mulheres do Mundo" (1966) trazia Paulo José como um mulherengo que se apaixonava por Leila Diniz e entrava em crise por se ver numa relação monogâmica. A obra escrita e dirigida por Oliveira fez enorme sucesso e se tornou um marco do cinema brasileiro, vencendo 12 troféus somente no Festival de Brasília.Vieram muitos outros filmes, séries e peças, num jorro de criatividade sem igual. Entre os destaques, o filme "Edu, Coração de Ouro" (1968) voltou a reunir o casal Paulo José e Leila Diniz, e o drama "A Culpa" (1971) foi premiado no Festival de Barcelona, na Espanha.Ainda dirigiu a icônica série "Ciranda, Cirandinha" (1978), sobre os jovens da época - estrelada pelos cabeludos Fábio Júnior, Lucélia Santos, Denise Bandeira e Jorge Fernando.Mas ao final dos anos 1970 largou as câmeras e passou a se dedicar ao teatro. Fez, entre outras peças, "Dinheiro pra que Dinheiro" (1976), "Ensina-me a Viver" (1981), "Escola de Mulheres" (1984) e "Confissões de Adolescente"(1992), baseada no livro de sua filha, a atriz Maria Mariana.Ele só foi voltar às telas como ator, em participações especiais nas novelas "Helena" (1987), "Bambolê" (1988) e nas minisséries "As Noivas de Copacabana" (1992) e "Contos de Verão" (1993).Até voltar a sentir vontade de filmar e iniciar uma nova fase na carreira com o lançamento de “Amores”, em 1998, abraçando um novo estilo de cinema, de baixo orçamento e muitas crises existenciais. O drama venceu quatro troféus no Festival de Gramado. E inaugurou uma história de amor entre o diretor e o evento gaúcho, que se estendeu por duas décadas.Oliveira lançou mais dez longas desde então, entre eles "Juventude" (2008), Melhor Roteiro e Direção em Gramado, "Primeiro Dia de Um Ano Qualquer" (2012) e "Infância" (2014), que também tiveram seus roteiros premiados no festival, mas principalmente "Barata Ribeiro, 716" (2016), consagrado como Melhor Filme e Direção em Gramado, e como Melhor Roteiro no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro.Em "Barata Ribeiro, 716", também conhecido como "BR 716", o cineasta se debruçou sobre suas memórias de juventude, materializando uma Copacabana há muito tempo desaparecida.Foi seu último filme, que coincidiu com seus 80 anos de idade. E para comemorar o aniversário, Domingos de Oliveira fez uma festa de três dias, com a trilha sonora de sua vida."As piores partes da vida são o princípio e o fim. A mocidade e a velhice", explicou, ao fazer um balanço de sua existência na ocasião. "Na mocidade você dispende muita energia para encontrar o seu lugar no mundo e não tem tempo de aproveitar a vida. Na velhice, o corpo vai embora, e tampouco dá para aproveitar direito. O melhor é o meio. Você já entendeu mais ou menos as coisas, não faz xixi na cama, não tem tantas culpas, e a vida fica uma delícia."O artista deixa a mulher, Priscilla Rozembaum, com quem esteve casado durante 38 anos, e quatro filhos.Também deixa uma série praticamente pronta para ser exibida no Canal Brasil, "Mulheres de 50", que volta a reunir o quarteto de protagonistas de suas peças "Confissões das Mulheres de 30" e "Confissões das Mulheres de 40" - Cacá Mourthé, Clarice Niskier, Dedina Bernardelli e Pirscilla Rozenbaum - , ainda sem previsão de estreia.

Etc,  Filme,  Série|23 de março de 2019

Domingos Oliveira (1936 – 2018)

O cineasta Domingos Oliveira morreu neste sábado (23/3), aos 82 anos, após sentir falta de ar e ser socorrido por paramédicos em sua casa, no Rio de Janeiro. Ele sofria de mal de Parkinson há muitos anos.

Autor de clássicos, como “Todas as Mulheres do Mundo” (1966), e de filmes contemporâneos premiados, como “Barata Ribeiro, 716” (2016), ele também foi diretor de teatro, roteirista, dramaturgo, produtor e ator, e assinou mais de 120 obras ao longo da carreira no cinema, no teatro e na TV.

Domingos Oliveira se formou em Engenharia Elétrica, mas nunca trabalhou na área. Sua carreira verdadeira iniciou em 1959, como diretor assistente de Joaquim Pedro de Andrade. Ele trabalhou nos três primeiros curtas do cineasta, além do segmento de Andrade em “Cinco Vezes Favela” (1962).

Também foi redator da extinta revista Manchete nesse período, até ser convidado para participar da criação da TV Globo. Domingos foi o segundo produtor contratado pela emissora (após Haroldo Costa), e assumiu o comando do programa “Show da Noite”, apresentado por Glaúcio Gil. Ele produzia e dirigia a atração transmitida ao vivo de segunda a sexta-feira, ao mesmo tempo que desenvolvia roteiros de especiais e dirigia séries.

Ele comandou a primeira série da TV brasileira, “22-2000 Cidade Aberta”, exibida em 1965 pela Globo.

No ano seguinte, montou sua primeira peça de teatro, “Somos Todos do Jardim de Infância”, que lançou a atriz Leila Diniz, com quem Domingos era casado na época — seis anos depois, a trama foi adaptada para a TV, dentro da antologia “Caso Especial” (1972), da Globo.

Seu primeiro filme chegou aos cinemas logo em seguida. “Todas as Mulheres do Mundo” (1966) trazia Paulo José como um mulherengo que se apaixonava por Leila Diniz e entrava em crise por se ver numa relação monogâmica. A obra escrita e dirigida por Oliveira fez enorme sucesso e se tornou um marco do cinema brasileiro, vencendo 12 troféus somente no Festival de Brasília.

Vieram muitos outros filmes, séries e peças, num jorro de criatividade sem igual. Entre os destaques, o filme “Edu, Coração de Ouro” (1968) voltou a reunir o casal Paulo José e Leila Diniz, e o drama “A Culpa” (1971) foi premiado no Festival de Barcelona, na Espanha.

Ainda dirigiu a icônica série “Ciranda, Cirandinha” (1978), sobre os jovens da época – estrelada pelos cabeludos Fábio Júnior, Lucélia Santos, Denise Bandeira e Jorge Fernando.

Mas ao final dos anos 1970 largou as câmeras e passou a se dedicar ao teatro. Fez, entre outras peças, “Dinheiro pra que Dinheiro” (1976), “Ensina-me a Viver” (1981), “Escola de Mulheres” (1984) e “Confissões de Adolescente”(1992), baseada no livro de sua filha, a atriz Maria Mariana.

Ele só foi voltar às telas como ator, em participações especiais nas novelas “Helena” (1987), “Bambolê” (1988) e nas minisséries “As Noivas de Copacabana” (1992) e “Contos de Verão” (1993).

Até voltar a sentir vontade de filmar e iniciar uma nova fase na carreira com o lançamento de “Amores”, em 1998, abraçando um novo estilo de cinema, de baixo orçamento e muitas crises existenciais. O drama venceu quatro troféus no Festival de Gramado. E inaugurou uma história de amor entre o diretor e o evento gaúcho, que se estendeu por duas décadas.

Oliveira lançou mais dez longas desde então, entre eles “Juventude” (2008), Melhor Roteiro e Direção em Gramado, “Primeiro Dia de Um Ano Qualquer” (2012) e “Infância” (2014), que também tiveram seus roteiros premiados no festival, mas principalmente “Barata Ribeiro, 716” (2016), consagrado como Melhor Filme e Direção em Gramado, e como Melhor Roteiro no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro.

Em “Barata Ribeiro, 716”, também conhecido como “BR 716”, o cineasta se debruçou sobre suas memórias de juventude, materializando uma Copacabana há muito tempo desaparecida.

Foi seu último filme, que coincidiu com seus 80 anos de idade. E para comemorar o aniversário, Domingos de Oliveira fez uma festa de três dias, com a trilha sonora de sua vida.

“As piores partes da vida são o princípio e o fim. A mocidade e a velhice”, explicou, ao fazer um balanço de sua existência na ocasião. “Na mocidade você dispende muita energia para encontrar o seu lugar no mundo e não tem tempo de aproveitar a vida. Na velhice, o corpo vai embora, e tampouco dá para aproveitar direito. O melhor é o meio. Você já entendeu mais ou menos as coisas, não faz xixi na cama, não tem tantas culpas, e a vida fica uma delícia.”

O artista deixa a mulher, Priscilla Rozembaum, com quem esteve casado durante 38 anos, e quatro filhos.

Também deixa uma série praticamente pronta para ser exibida no Canal Brasil, “Mulheres de 50”, que volta a reunir o quarteto de protagonistas de suas peças “Confissões das Mulheres de 30” e “Confissões das Mulheres de 40” – Cacá Mourthé, Clarice Niskier, Dedina Bernardelli e Pirscilla Rozenbaum – , ainda sem previsão de estreia.

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Marcel Plasse

Marcel Plasse é jornalista, participou da geração histórica da revista de música Bizz, editou as primeiras graphic novels lançadas no Brasil, criou a revista Set de cinema, foi crítico na Folha, Estadão e Valor Econômico, escreveu na Playboy, assinou colunas na Superinteressante e DVD News, produziu discos indies e é criador e editor do site Pipoca Moderna.

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