Anitta lança três clipes de uma vez, com muitas cobras, beijos e brilho



Anitta mudou de estratégia. Em vez de lançar um clipe por mês, como na campanha de “fidelização” que a tornou a artista brasileira mais bem-sucedida do ano passado, ela foi tomada pelo espírito de Beyoncé e disponibilizou três clipes de uma vez, um para cada música de seu novo trabalho.

Todos os clipes tem direção de João Papa, que já tinha trabalhado com Anitta em “Jacuzzi” (dueto com a colombiana Greeicy). E todos foram gravados em estúdio, caracterizando-se por cenas internas em espaço reduzido. Representam o oposto radical dos últimos exemplares da videografia da artista, marcada por locações múltiplas e grandiosas. Mas apesar dessa estilização temática, resultam completamente diferentes entre si.

O mais tradicional acompanha a música “Goals”, composta pelo americano Pharrell Williams (ele mesmo, de “Happy”), que é cantada em inglês por Anitta. O clipe é basicamente coreografia sensual. E mesmo com produção minimalista consegue resultados interessantes, ao explorar o brilho – na água sob os pés, nas roupas, nas estrelas – com um efeito glitter que até aumenta o sex appeal da artista.

Já para ilustrar o reggaeton “Veneno”, cantada em espanhol, o diretor cercou Anitta de cobras. A edição alterna as cenas peçonhentas com coreografias de dançarinas maquiadas com pele escamosa, num efeito eficaz. Mas é a desenvoltura de cantora com os répteis rastejantes que impressiona. Anitta demonstra tranquilidade tão perturbadora, enquanto os bichos passeiam por seu corpo, que passaria com louvor no teste para estrelar terror do Zé do Caixão.

Por fim, “Não Perco Meu Tempo” multiplica Anittas num ótimo trabalho de edição, contando uma história completa com o mínimo de esforço físico. Ela quase não se move em cena e passa grande parte do vídeo sentada numa cadeira. Mesmo assim, o clipe tende a dar o que falar pelos beijos que Anitta dá numa coleção de figurantes de todos os tamanhos, larguras, idades, cores e sexos. Sempre, como em meio às cobras, na maior naturalidade.


As três músicas, cada uma cantada numa língua diferente, compõem o EP “Solo”, lançado nesta sexta-feira (9/11).



Marcel Plasse é jornalista, participou da geração histórica da revista de música Bizz, editou as primeiras graphic novels lançadas no Brasil, criou a revista Set de cinema, foi crítico na Folha, Estadão e Valor Econômico, escreveu na Playboy, assinou colunas na Superinteressante e DVD News, produziu discos indies e é criador e editor do site Pipoca Moderna



Back to site top
Change privacy settings