Suspiria divide aplausos com vaias no Festival de Veneza



A primeira exibição do remake de “Suspiria” não causou a reação que o diretor Luca Guadagnino esperava. O filme dividiu aplausos com vaias e assovios, durante sua sessão para a imprensa no Festival de Veneza 2018.

A polarização lembra a forma como “Mãe!”, de Darren Aronosky, foi recebido na edição passada do festival, antes de fracassar nas bilheterias. Mas o filme estrelado por Jennifer Lawrence encontrou aceitação entre a crítica americana. “Suspiria” dividiu mais, com resenhas muito positivas e muito negativas, levando sua aprovação a ficar no meio termo: 58%, uma nota medíocre, no Rotten Tomatoes.

Já a première propriamente dita, que aconteceu mais tarde, diante do público, rendeu apenas aplausos. E foram oito minutos de ovação. Isso também é consequência de o diretor ser italiano. Ele foi recebido como um popstar no tapete vermelho, arrancando “suspirios” e gritos de “Luca! Luca!”.

A nova versão do cultuado clássico de terror de Dario Argento, que volta à vida pelas mãos do cineasta de “Me Chame pelo Seu Nome” (2017), está sendo considerada plasticamente bela, mas também arrastada demais devido à sua pretensão, segundo a média das observações da imprensa internacional.

A trama, passada numa prestigiosa academia de dança de Berlim em 1977, ano do lançamento do original de Argento, faz referências às atividades do grupo terrorista alemão Baader-Meinhof, aos movimentos feministas e ao psicanalista Jacques Lacan, que marcaram a época. Mas a maioria dos críticos acredita que isso apenas distrai o público do terror que deveria mobilizar a atenção.



“Guadagnino fez uma homenagem ambiciosa, mas que realmente não se beneficia de seu olhar mais intelectualizado, em vez disso drena as emoções do que deveria ser um grande horror de revirar o estômago”, publicou a revista The Hollywood Reporter.

“Tedioso e bobo”, resumiu a revista Time. “Os sustos não assustam, o subtexto político nunca se conecta com o resto do filme e nem o senso visual geralmente infalível de Guadagnino consegue convencer”, lamentou o site The Wrap.

“Conforme ele chega ao fim, você inevitavelmente pensa: ‘Ok, agora sabemos como seria ‘Suspiria’ como um filme de arte. Podemos, por favor, voltar ao ponto em que era apenas um trash extravagante de caça assombrada?'”, ponderou a Variety.

Além disso, muitos consideraram que a produção está levando longe demais a mentira de que existe um ator chamado Lutz Ebersdorf, que vive um personagem importante na trama. Ausente do festival por ser invenção, ele teve uma carta lida por sua intérprete, a atriz Tilda Swinton, durante a entrevista coletiva.

Questionada pela imprensa, ela continuou jurando que não era Ebersdorf. Assim como Joaquin Phoenix jurava que não ia mais atuar para seguir carreira de rapper, subterfúgio para a realização de um falso documentário. Vale lembrar que o ator incorporou tanto o personagem que quase acabou com sua carreira de verdade.



Chris Thomas é uma eterna estudante de cinema com algumas pós-graduações e radicada em Paris há uma década.



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