Pior escolha possível, O Grande Circo Místico vai representar o Brasil no Oscar 2019

A Academia Brasileira de Cinema (ABC) escolheu “O Grande Circo Místico”, novo filme de Cacá Diegues, para representar o Brasil na disputa por uma indicação ao Oscar 2019 na categoria de Melhor Filme em Língua Estrangeira. A escolha foi anunciada nesta terça-feira (11/9) durante um encontro com a imprensa na Cinemateca Brasileira.

E é um grande mico, garantia de mais um ano de irrelevância nacional no Oscar. Sem nenhum prêmio internacional, nem mesmo nacional, o filme de Cacá Diegues tem como maior distinção o fato de ter sido exibido fora de competição no Festival de Cannes, ocasião em que foi trucidado pela imprensa mundial.

“Narrativa desarticulada e personagens quase inexistentes”, descreveu a revista The Hollywood Reporter. “Novelão desconfortável” que “tropeça no começo e não para de tropeçar até o final”, demoliu a Variety.

Entretanto, havia pelo menos quatro opções viáveis, de filmes premiados no Brasil e no exterior.

Dois deles tratavam de temas modernos, ligados ao bullying nas redes sociais: “Aos Teus Olhos”, de Carolina Jabor, e “Ferrugem”, de Aly Muritiba, que foi o vencedor do Festival de Gramado.

O terceiro é o terror “As Boas Maneiras”, de Juliana Rojas e Marco Dutra, vencedor do Festival do Rio, premiado em dezenas de festivais internacionais e com 92% de aprovação no site americano Rotten Tomatoes.

E há ainda o caso de “Benzinho”, de Gustavo Pizzi, também premiado em Gramado e que encantou a crítica americana ao passar pelo Festival de Sundance, arrancando 93% de aprovação no site Rotten Tomatoes. Como parâmetro, “A Forma da Água”, filme vencedor do Oscar 2018, tem 92% de aprovação.

O problema da seleção dos representantes nacionais ao Oscar já se tornou crônico. Não adiantou nada tirar a decisão das mãos da Secretaria do Audiovisual, após a polêmica da definição de “Pequeno Segredo” sobre “Aquarius” em 2016, passando-o para a ABC. A escolha continua a ser definida por um punhado de iluminados, que não seguem critérios reconhecidos, mas gosto pessoal, amizade e relacionamentos.

A comissão que escolheu “O Grande Circo Místico” foi formada por Lucy Barreto (presidente), Bárbara Paz, Flavio Ramos Tambellini, Jeferson De, Hsu Chien Hsin, Katia Adler e Claudia Da Natividade.

Enquanto não forem instituídas regras claras para a definição, como, por exemplo, premiação em algum festival relevante, o filme do amigo da comissão sempre prevalecerá sobre o candidato com mais condições de ser levado à sério pela Academia.

Com “O Grande Circo Místico”, o Brasil completará a maioridade, 21 anos sem emplacar um longa na categoria de Melhor Filme em Língua Estrangeira.