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Filme|1 de setembro de 2018

O Primeiro Homem: Direita dos EUA cria fake news para tachar filme da conquista da Lua de “antiamericano”

Após receber muitos elogios da crítica internacional presente no Festival de Veneza 2018, “O Primeiro Homem”, novo longa de Damien Chazelle (“La La Land”), acabou virando alvo de fake news da extrema direita dos Estados Unidos, que tachou o filme de “antiamericano”.

O motivo é que a projeção, que narra a história da conquista da Lua, não mostraria o astronauta Neil Armstrong (1930-2012) cravando a bandeira dos Estados Unidos na superfície lunar.

A polêmica atingiu níveis raivosos, alimentada por tuítes de um senador republicano, que não viu o filme e não gostou do que imaginou, apenas porque o ator Ryan Gosling, protagonista do longa, disse durante o Festival de Veneza que a conquista de Armstrong “transcendeu países e fronteiras”. “Acho que, no final, a missão foi amplamente considerada uma conquista humana e não apenas americana, e foi assim que escolhemos mostrar”, afirmou o ator.

Esta frase foi o suficiente para a fábrica de fake news espalhar que o filme não incluiu imagens da bandeira americana na Lua.

É verdade que “O Primeiro Homem” não é uma obra de Michael Bay ou Peter Berg, que explodem tudo, mas não as bandeiras tremulantes. Entretanto, o filme tem, sim, a imagem icônica da bandeira dos Estados Unidos no espaço – que não tremula pela falta de gravidade.

Sinal desses tempos de governo Trump, o diretor teve que emitir um comunicado para desmentir a notícia falsa.

‘Em ‘O Primeiro Homem’, eu mostro a bandeira americana em pé na superfície lunar, mas a bandeira sendo fisicamente plantada na superfície é um dos vários momentos da missão lunar da Apollo 11 em que escolhi não me concentrar”, afirmou Chezelle.

“Para resolver a questão de saber se isso foi uma declaração política, a resposta é não. Meu objetivo com este filme foi compartilhar com o público os aspectos invisíveis e desconhecidos da missão dos Estados Unidos rumo à Lua – particularmente a saga pessoal de Neil Armstrong e o que ele pode ter pensado e sentido durante aquelas poucas horas famosas. Eu queria que o foco principal nessa cena fosse os momentos solitários de Neil na Lua – seu ponto de vista quando ele saiu pela primeira vez da nave, seu tempo gasto na cratera, as memórias que podem ter passado pela sua mente durante o seu passeio lunar. Este foi um feito além da imaginação, foi realmente um grande salto para a humanidade. Este filme é sobre uma das realizações mais extraordinárias não apenas na história americana, mas na história da humanidade. Minha esperança é que cavando sob a superfície e humanizando o ícone, podemos entender melhor o quão difícil, audacioso e heroico esse momento realmente foi”, ele acrescentou.

Tem mais. Os próprios filhos de Neil Armstrong, Rick e Mark, resolveram se pronunciar. Eles também emitiram um comunicado para defender o filme, do qual se sentem muito orgulhosos. Ele pode ser lido na íntegra abaixo.

“Nós lemos vários comentários sobre o filme hoje e especificamente sobre a ausência da cena em que a bandeira é cravada, feita em grande parte por pessoas que não viram o filme. Como vimos várias vezes, pensamos que talvez devêssemos ponderar.

Este é um filme que se concentra no que você não conhece sobre Neil Armstrong. É um filme que se concentra em coisas que você não viu ou pode não se lembrar da jornada de Neil para a lua. Os cineastas passaram anos fazendo uma extensa pesquisa para chegar ao homem por trás do mito, para chegar à história por trás da história. É um filme que oferece uma visão única da família Armstrong e dos heróis americanos caídos, como Elliot See e Ed White. É um filme muito pessoal sobre a jornada do nosso pai, visto através dos olhos dele.

Esta história é humana e universal. Claro, celebra uma conquista americana. Também comemora uma conquista “para toda a humanidade”, como diz a placa que Neil e Buzz deixaram na lua. É uma história sobre um homem comum, que faz profundos sacrifícios e sofre com a perda intensa para alcançar o impossível.

Embora Neil não se visse assim, ele era um herói americano. Ele também era engenheiro e piloto, pai e amigo, um homem que sofria privadamente através de grandes tragédias com graça incrível. É por isso que, embora haja inúmeras cenas da bandeira americana na Lua, os cineastas escolheram focar em Neil olhando para a Terra, sua caminhada até a cratera, sua experiência única e pessoal de completar essa jornada, uma jornada que viu tantos altos incríveis e baixos devastadores.

Em suma, não sentimos que este filme é antiamericano nem um pouco. Muito pelo contrário. Mas não acredite em nossa palavra. Nós encorajamos todos a irem ver este filme notável e ver por si mesmos”, concluíram.

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Marcel Plasse

Marcel Plasse é jornalista, participou da geração histórica da revista de música Bizz, editou as primeiras graphic novels lançadas no Brasil, criou a revista Set de cinema, foi crítico na Folha, Estadão e Valor Econômico, escreveu na Playboy, assinou colunas na Superinteressante e DVD News, produziu discos indies e é criador e editor do site Pipoca Moderna.

@Pipoca Moderna 2025
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