Ícaro Silva é atingido por tiros da PM no Rio de Janeiro

O ator Ícaro Silva foi atingido por estilhaços de balas às 5h da manhã desta quarta (5/9) quando passava de carro pelo Túnel Zuzu Angel, nas proximidades da Favela da Rocinha, na Zona Sul do Rio. Os tiros teriam sido disparados por policiais militares.

Segundo boletim de ocorrência obtido pelo jornal carioca Extra, Ícaro havia saído da Zona Sul e estava deixando o Zuzu Angel quando viu um carro reduzindo a velocidade. Ele disse que ultrapassou esse veículo e se deparou com PMs na via. Num primeiro momento, o ator alegou que não entendeu se a ordem dada pelos agentes era para que parasse ou seguisse. Ainda de acordo com o relato de Ícaro, ele acelerou e, logo depois, ouviu disparos, sentiu que um atingiu seu veículo e notou sangue em seu braço esquerdo. Mesmo ferido, ele dirigiu até o Hospital Barra D’Or, na Barra da Tijuca, onde foi atendido.

Ícaro recebeu alta por volta das 8h30 e, nove horas depois do ocorrido, fez um desabafo em seu perfil nas redes sociais, agradecendo por estar vivo, ao lado da foto do curativo em seu braço.

“Um policial pediu para reduzir e eu obedeci. Baixei o vidro e perguntei o que estava acontecendo. O nível de estresse dele era muito alto, ele falava comigo diretamente do inferno, o coração em guerra. Outros dois policiais vieram gritando, os fuzis apontados para mim. Não sei se me reconheceram ou não, mas com a mesma violência com que me pararam, me mandaram ir embora, xingando e berrando em seu estado de guerra. Quando eu voltava a acelerar e, antes de entender o que estava acontecendo, um estampido no meu carro me congelou. ‘Isso é um tiro?’ Os próximos vários confirmaram que sim”, escreveu no Instagram.

“Abaixei a cabeça e enfiei o pé no acelerador como se tudo no mundo fosse tiro e pedal. Enquanto meu pé e meu coração aceleravam, minha sensação física era de ‘não precisa ser assim’. De fato, não precisa. Acelerei sem fim até me ver longe dali, o corpo em choque, a cabeça caçando sentido, como se houvesse algum nessa barbárie cotidiana que é o Rio, minhas mãos trêmulas. Só depois de respirar fundo percebi o buraco de bala no para-brisa do meu carro e minha blusa molhada”, continuou.

“’Meu Deus. Eu levei um tiro?’” Me apalpei até encontrar o furo ensanguentado no meu braço. Sim, uma bala rasgou meu braço e deixou uns estilhaços ali, carimbo metalizado da violência urbana. Um pequeno pedaço de metal e morte que podia ter cruzado meu peito ou minha cabeça, um lembrete da nossa frágil condição de gente”.

Em seguida, ele lamentou a violência sofrida e agradeceu por estar vivo. “Estou legal. Estou muito feliz por não ter morrido, sério. Tem muita coisa para fazer por aqui, muita coisa para ver e muita, muita coisa para consertar. Muito obrigado por todas as mensagens, estou mais solicitado que no meu aniversário. Vocês são lindos, são lindos demais. Espero que essa história infelizmente cotidiana nos inspire a desconstruir nossa agressividade diante da vida. É hora de desarmar e amar”, escreveu o ator no Instagram.

Em nota, a assessoria da Polícia Militar informou que policiais militares do 23º BPM (Leblon), que realizam o cerco da Rocinha, foram informados por populares que criminosos estariam praticando roubos no interior do túnel Zuzu Angel. Eles foram até a Autoestrada Lagoa-Barra para verificar a informação e nada foi constatado.

“Já próximo à Rocinha, os policiais avistaram o veículo com as características mencionadas e tentaram a abordagem, houve reação, gerando o confronto. Os criminosos conseguiram fugir. Até aquele momento não havia informações de feridos. Logo após, policiais do 31º BPM (Recreio dos Bandeirantes) foram alertados da entrada do ator Ícaro Silva no Hospital Barra D’Or, ferido por estilhaços de arma de fogo no braço”.

Ícaro estreou na televisão em 1998, na novela “Meu Pé de Laranja Lima” e depois de pequenas participações em outras novelas ganhou destaque com o personagem Rafa, de “Malhação”, onde permaneceu por quatro temporadas. Ele também viveu o cantor Jair Rodrigues no filme “Elis”, estrelou o longa “Sob Pressão”, que deu origem à série de mesmo nome e ainda integrou o elenco da novela “Pega Pega”, concluída em janeiro deste ano.

A seguir, ele será visto no filme “Legalize Já!”, que conta a origem da banda Planet Hemp, com estreia prevista para 18 de outubro, e na série “Coisa Mais Linda”, sobre a época da bossa nova, ainda sem previsão de lançamento na Netflix.

Queridos amigos, amores, seguidores e parceiros, eu estou bem! Hoje mais cedo, ao sair do túnel Zuzu Angel voltando para a Barra, me vi em meio a uma violenta confusão que até agora não sei se era uma blitz, um tiroteio ou uma dessas operações de guerra infelizmente tão habituais na nossa cidade. Viaturas, policiais com fuzis na mão e aquele medo súbito que o carioca conhece tão bem. Um policial me pediu para reduzir e eu obedeci. Baixei o vidro e perguntei o que estava acontecendo. O nível de stress dele era muito alto, ele falava comigo diretamente do inferno, o coração em guerra. Outros dois policiais vieram gritando, os fuzis apontados para mim; não sei se me reconheceram ou não, mas com a mesma violência com que me pararam, me mandaram ir embora, xingando e berrando em seu estado de guerra. Quando eu voltava a acelerar e antes de entender o que estava acontecendo, um estampido no meu carro me congelou. “Isso é um tiro?” Os próximos vários confirmaram que sim. Abaixei a cabeça e enfiei o pé no acelerador como se tudo no mundo fosse tiro e pedal. Enquanto meu pé e meu coração aceleravam, minha sensação física era de “não precisa ser assim”. De fato, não precisa. Acelerei sem fim até me ver longe dali, o corpo em choque, a cabeça caçando sentido, como se houvesse algum nessa barbárie cotidiana que é o Rio, minhas mãos trêmulas. Só depois de respirar fundo percebi o buraco de bala no para-brisa do meu carro e minha blusa molhada. “Meu Deus. Eu levei um tiro?” Me apalpei até encontrar o furo ensanguentado no meu braço. Sim, uma bala rasgou meu braço e deixou uns estilhaços ali, carimbo metalizado da violência urbana. Um pequeno pedaço de metal e morte que podia ter cruzado meu peito ou minha cabeça, um lembrete da nossa frágil condição de gente. Eu to legal. To muito feliz por não ter morrido, sério. Tem muita coisa pra fazer por aqui, muita coisa para ver e muita, muita coisa para consertar. Muito obrigado por todas as mensagens, to mais solicitado que no meu aniversário, rs. Vocês são lindos, são lindos demais. Espero que essa história infelizmente cotidiana nos inspire a desconstruir nossa agressividade diante da vida. É hora de desarmar e amar.

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