Harvey Weinstein se declara inocente em seu julgamento por crimes sexuais

O produtor Harvey Weinstein se declarou inocente da acusação de estupro diante de um júri em Nova York nesta terça-feira (5/6).

Ele está sendo julgado por duas denúncias de crimes sexuais, que o acusam ter obrigado uma jovem a praticar nele sexo oral em 2004 e de também ter estuprado outra mulher em 2013, delitos que podem condená-lo a 25 anos de prisão. Weinstein responde ao processo em liberdade depois de ter pago uma fiança de US$ 1 milhão.

Embora o caso penal envolva apenas duas mulheres, mais de cem já afirmaram terem sido assediadas sexualmente por Weinstein ao largo de várias décadas. As acusações foram iniciadas por reportagens do jornal New York Times e da revista The New Yorker em outubro do ano passado, que converteu o antes todo-poderoso produtor cinema no catalisador do movimento #MeToo e num dos maiores predadores sexuais da história recente dos Estados Unidos.

Mas Weinstein se diz inocente e seu advogado, Ben Brafman, já definiu sua estratégia. Sobre o processo por estupro, ele afirma que a mulher – não identificada pela promotoria – manteve uma relação consentida com Weinstein durante uma década. Ele tentará provar isso durante o julgamento, já que esta informação não foi confirmada.

Já a acusação de sexo oral forçado foi feita por Lucia Evans, uma consultora de marketing que, em 2004, queria ser atriz. O relato de sua história à revista The New Yorker é similar a muitos outros testemunhos de atrizes famosas como Ashley Judd ou Gwyneth Paltrow, e principalmente jovens desconhecidas que esperavam virar estrelas. Evans relatou que Weinstein prometeu a ela um papel em seu programa de aspirantes a modelo “Project Runway”, antes de ser obrigada a fazer sexo oral com ele.

O advogado também vai procurar desacreditar esta acusação, alegando que qualquer relação teria sido consentida.

Ben Brafman já conseguiu inocentar um homem famoso acusado de assédio sexual e condenado pela opinião pública com a mesma estratégia: o ex-diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, que teria agredido sexualmente uma camareira em seu hotel de Nova York, em 2011.

O abandono das acusações contra Strauss-Kahn aconteceu quando a credibilidade da acusadora foi comprometida.

O promotor do caso de Weinstein é o mesmo que perdeu a ação contra o diretor do FMI, Cyrus Vance, que, dessa vez, tomou todas precauções para verificar provas e a reputação das autoras do processo, segundo advogados consultados pela AFP.

Como aconteceu no julgamento que condenou o comediante Bill Cosby, a acusação pretende chamar para depor outras potenciais vítimas de Weinstein, apostando que o testemunho de atrizes conhecidas possa ser suficiente para convencer o júri de que o produtor tinha uma tendência sistemática de abusar de mulheres.

Caso seja condenado ou faça um acordo para obter uma redução de pena, a sentença pode alimentar o ímpeto de outras mulheres, que planejam processar Weinstein na justiça civil, exigindo indenizações milionárias.

Como demonstrou o caso de O.J. Simpson, um veredicto de culpa é mais fácil de ser obtido no âmbito civil do que no penal. Por isso, mesmo que escape de uma pena de prisão, Weinstein pode perder todo o seu dinheiro.

Pedro Prado é cinéfilo, fã de séries e quadrinhos, fotógrafo amador e bom amigo da vizinhança.

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