Escândalo da seita de escravas sexuais de Allison Mack vai virar série



A história bizarra da seita de escravas sexuais que tinha Allison Mack (a Chloe de “Smallville”) como uma de suas líderes vai virar série.

A produtora Annapurna fechou um acordo com o jornalista Barry Meier para adaptar sua reportagem-denúncia, publicada em novembro no jornal The New York Times, que chamou atenção mundial para a seita DOS (abreviatura de “dominus obsequious sororium”).

O material é um verdadeiro dossiê, intitulado “Inside a Secretive Group Where Women Are Branded” (“Por Dentro de um Grupo Secreto Onde Mulheres São Marcadas a Ferro”), que traz diversos depoimentos de antigos membros da seita, compartilhando em detalhes suas experiências.

A série vai partir desses depoimentos para contar a história de mulheres que se juntaram ao grupo acreditando se tratar de uma irmandade secreta de empoderamento, mas que se revela uma seita onde se pratica tortura física e psicológica e onde todas as seguidoras são escravizadas sexualmente pelo líder, Keith Raniere.

Apesar da premissa bem definida, ainda não existe um roteirista atrelado ao projeto.

O anúncio da produção foi precedido pela prisão de Allison Mack, acusada de tráfico sexual e conspiração para trabalho forçado. A atriz pagou uma fiança de US$ 5 milhões e aguarda o julgamento em liberdade. Keith Raniere também foi preso numa ação do FBI, mas seu crime, como líder da organização, é inafiançável. Ambos podem pegar de 15 anos a prisão perpétua.

A reportagem do New York Times revelou que a seita iniciou como um grupo de auto-ajuda, denominado NXIVM (pronuncia-se “Nexium”), que alega ter auxiliado milhares de pessoas a “alcançarem seu potencial” por meio de cursos. Desde os anos 1990, mais de 16 mil se matricularam nos cursos do grupo. Mas apenas as mulheres mais bonitas eram convidadas a ingressar na “classe avançada”, que era a DOS.


As seguidoras eram convencidas a participar por um discurso genérico, que afirmava que a organização tinha como objetivo “empoderar as mulheres e erradicar as fragilidades do programa principal”. No entanto, todas as mulheres deveriam atuar como se fossem suas servas. Ele era o único homem do grupo, conhecido como o “Amo das companheiras obedientes”, e marcava todas as mulheres com suas iniciais à ferro e fogo.

A estrutura da seita se baseava em um esquema-pirâmide. Além de pagar o curso inicial, as participantes eram obrigadas a comprar aulas adicionais com preço ainda mais elevado e motivadas a recrutar outras mulheres e a marcá-las à ferro com suas iniciais para “subir” dentro da hierarquia da organização e assim obter privilégios, como se aproveitar das demais escravas.

Dentro do culto, elas deveriam obedecer uma hierarquia mestre-escravo. Raniere seria “dono” de um harém. As escravas dele, por sua vez, tinham um grupo de servas para si, e assim por diante. Todas as escravas precisavam obedecer aos mestres 24 horas por dia e recrutar outras mulheres para a seita. Caso não conseguissem, eram submetidas a castigos como surras.

Além disso, elas tinham que tomar banhos de água fria e ficar 12 horas sem comer, mantendo uma dieta diária de apenas 500 a 800 calorias, pois, segundo o “mestre supremo”, mulheres magras eram mais vigorosas.

Não bastasse isso, havia uma condição prévia para participar: ceder informações comprometedoras sobre amigos e familiares, divulgar fotos sem roupas e controlar os pertences das recrutas captadas. Isto dava um poder de chantagem a Raniere, para impedir que fosse denunciado.

Estúdio independente de cinema, a Annapurna lançou sua divisão televisiva no final de 2016 e agora começa a emplacar seus primeiros pilotos, como o drama musical “Mixtape”, de Josh Safran (“Smash”), na Fox, a antologia de western “The Ballad of Buster Scruggs”, dos irmãos Coen (“Ave, César”), na Netflix, e “Search & Destroy”, de Carrie Brownstein (“Portlandia”), para a plataforma Hulu.



Marcel Plasse é jornalista, participou da geração histórica da revista de música Bizz, editou as primeiras graphic novels lançadas no Brasil, criou a revista Set de cinema, foi crítico na Folha, Estadão e Valor Econômico, escreveu na Playboy, assinou colunas na Superinteressante e DVD News, produziu discos indies e é criador e editor do site Pipoca Moderna



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