Ilha de Cachorros bate recorde de bilheteria do circuito limitado nos Estados Unidos



A animação “Ilha de Cachorros”, de Wes Anderson, bateu um recorde histórico neste fim de semana, ao se tornar uma das maiores estreias de todos os tempos nos cinemas dos Estados Unidos.

Lançado na sexta (23/3), o filme dos cachorros falantes teve a maior abertura por sala já registrada para uma produção indie com distribuição inicial acima de 20 telas. Exibido em apenas 27 cinemas, faturou US$ 1,5 milhão, numa média de US$ 58,1 mil por tela.

Para dar noção do tamanho dessa arrecadação, a média do líder da bilheteria desta semana, “Círculo de Fogo: A Revolta”, foi de US$ 7,5 mil por sala.

Na história do cinema, apenas outro filme indie fez mais bilheteria em sua estreia: o drama “Preciosa”, que faturou US$ 104 mil ao ser lançado em 18 cinemas em 2009.

E apenas um blockbuster lotou mais salas que “Ilha dos Cachorros” em seu primeiro fim de semana em cartaz: “Star Wars: O Despertar da Força”, com rendimento de US$ 59,9 mil por sala – em 4,1 mil telas.


O novo filme do diretor de “O Grande Hotel Budapeste” ensaiou virar polêmica, mas acabou conquistando a simpatia da maioria da crítica em sua estreia, com 93% de aprovação.

Primeira animação a abrir o Festival de Berlim, “Ilha dos Cachorros” se passa num futuro distópico, após um surto de gripe canina levar o Japão a isolar todos os cachorros numa ilha, até então utilizada como depósito de lixo. Isto não impede um garotinho de ir até lá para tentar resgatar seu animal de estimação. Os demais cachorros resolvem ajudar na busca. O problema é que, como eles falam inglês, não entendem o que diz o menino japonês. Tem mais: política, conspiração, referências a animes e tambores japoneses retumbando o tempo inteiro.

O elenco de vozes originais, como de costume, é repleto de estrelas, incluindo alguns parceiros habituais do diretor, como Bill Murray, Edward Norton, Tilda Swinton, Jeff Goldlum, Frances McDormand e Bob Balaban, mas também novidades como Bryan Cranston (da série “Breaking Bad”), Scarlett Johansson (“Os Vingadores”), Greta Gerwig (“Frances Ha”), Liev Schreiber (série “Ray Donovan”) e diversos astros japoneses, como Ken Watanabe (“A Origem”), Kunichi Nomura (“Encontros e Desencontros”), Akira Ito (“Birdman”), Akira Takayama (“Neve Sobre os Cedros”) e até a cantora Yoko Ono.

“Ilha de Cachorros” é a segunda animação da carreira de Anderson, após “O Fantástico Sr. Raposo” (2009). E a escolha do tema é especialmente curiosa porque, em seus filmes, o diretor tem se mostrado um assassino contumaz de cachorrinhos. Os bichinhos sempre se dão mal em suas obras, a ponto da revista The New Yorker ter publicado um ensaio a respeito de seu ódio por cães.

A previsão para os cinemas brasileiros é somente 14 de junho.



Marcel Plasse é jornalista, participou da geração histórica da revista de música Bizz, editou as primeiras graphic novels lançadas no Brasil, criou a revista Set de cinema, foi crítico na Folha, Estadão e Valor Econômico, escreveu na Playboy, assinou colunas na Superinteressante e DVD News, produziu discos indies e é criador e editor do site Pipoca Moderna



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