José Padilha quer filmar história da pior obra da corrupção brasileira: a usina de Belo Monte

José Padilha quer filmar história da pior obra da corrupção brasileira: a usina de Belo Monte

 

Depois de causar polêmica com a série “O Mecanismo” pela Netflix, José Padilha já planeja abordar outra história controversa do Brasil recente: a construção da usina de Belo Monte.

“Eu me interesso em falar sobre o que aconteceu em Belo Monte. Eu me interesso porque é uma mistura de corrupção com um profundo descaso ambiental e antropológico. É um crime que tem muitas dimensões. Eu me interesso e estou estudando para fazer talvez um filme”, disse o cineasta durante entrevista ao programa “Conversa com Bial”, exibido na noite de segunda-feira (9/4) na rede Globo.

Conhecido por falar abertamente sobre política, Padilha disse que o Brasil “é um país maravilhoso”, mas com “uma história atribulada”. “O Brasil tem um monte de gente boa, um monte de gente talentosa. Não são os recursos naturais porque, o que tem lá no Japão? O japonês! E dá certo, não é? Então são as pessoas. E o Brasil tem as pessoas. O problema é que o Brasil tem uma história atribulada. Saiu de uma ditadura para uma democracia que se instaurou um pouco como farsa. A democracia no Brasil, se você compra a minha tese e a do ‘Mecanismo’, é um método de desapropriação. Você unge o desapropriador pelo voto popular, mas ele foi eleito com dinheiro de caixa 2, desviado do seu bolso e roubado de você”.

E essa corrupção incrustada na política, argumenta o cineasta, tem consequências perigosas. “Uma pessoa honesta vai pensar 100 vezes antes de entrar na política, porque ela não vai se dispor a fazer o que precisa ser feito para se eleger. Cargo público no Brasil é quase certidão de corrupção. Tem alguns políticos… por exemplo Marcelo Freixo é um político honesto, eu conheço. Tem políticos honestos, mas eles são a minoria”.

Na entrevista, Padilha também afirmou que é difícil fazer cinema no Brasil e alfinetou os “jornalistas de direita” que criticam cineastas por usar recursos públicos – como os provenientes da Lei do Audiovisual – para suas obras. “Tem essa ideia no Brasil de que o cineasta ‘mama nas tetas do governo’. É um pedaço dessa cegueira ideológica que a gente tem no Brasil. Os jornalistas de direita adoram falar mal dos cineastas que são formadores de opinião, normalmente de esquerda. Então eles vão lá e falam ‘você está recebendo dinheiro de Lei Rounaet, Lei do Audiovisual, e isso é uma moleza. Não é uma moleza”

“É difícil fazer cinema, é apertadíssimo o orçamento”, completou. “Ninguém ganha dinheiro e, para terminar, o incentivo no Brasil é muito menor que nos outros países. É menor do que o incentivo nos Estados Unidos. ‘Robocop’ tinha um orçamento de US$ 120 milhões, e US$ 35 milhões eram de incentivo. A direita brasileira não sabe o que está falando, é só pra espezinhar”.

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Pedro Prado é cinéfilo, fã de séries e quadrinhos, fotógrafo amador e bom amigo da vizinhança.