Série clássica The L Word vai voltar a ser produzida

Série clássica The L Word vai voltar a ser produzida

 

A pioneira série lésbica “The L Word” deve ganhar um revival. Oito anos após a exibição de seu último episódio, o canal pago Showtime está aberto a retomar a produção, sob a supervisão de sua criadora, Ilene Chaiken.

Além da roteirista-produtora, o projeto também envolve o retorno de três das atrizes principais: Jennifer Beals, Kate Moennig e Leisha Hailey.

Chaiken, porém, precisará ceder a função de showrunner, já que está envolvida com a série “Empire” e assinou um contrato de exclusividade com a Fox. Segundo o site The Hollywood Reporter, o Showtime busca uma produtora com vínculos com a comunidade lésbica para documentar como os relacionamentos, vidas e experiências evoluíram desde que “The L Word” foi lançada em 2004.

A expectativa é que um roteiro inicial seja desenvolvido e seja forte o suficiente para garantir o sinal verde para a produção.

Vale lembrar que Chaiken pretendia fazer um spin-off centrado na personagem Alice (vivida por Leisha Hailey), que seria passado numa prisão – a situação responderia a pergunta que ficou no ar ao final da 6ª temporada de “The L Word”: quem matou Jenny (Mia Kirshner). Mas, na época, o Showtime achou o projeto muito apelativo, considerando que uma série sobre presidiárias lésbicas não teria audiência. Quatro anos depois, a Netflix lançou “Orange Is the New Black”.

Caso a sequência vá adiante, este não deverá ser o cenário explorado. No projeto, o trio formado por Jennifer Beals (Bette), Kate Moennig (Shane) e Leisha Hailey (Alice) retomaria suas personagens em meio a novas coadjuvantes, mostrando como seguiram suas vidas, amores e tribulações. Além delas, outras intérpretes da série original também podem aparecer em participações especiais.

“The L Word” estreou em 2004 e foi a primeira atração centrada na vida de personagens lésbicas. A produção foi aclamada e, ao lado de “Queer as Folk”, sobre gays, ajudou a dar visibilidade à comunidade LGBT+ nas telas, inaugurando uma nova era nas séries. Durante sua exibição, discutiu temas como igualdade sexual, casamento entre pessoas do mesmo sexo, direitos legais e até introduziu uma personagem transgênero, vivida por Daniela Sea, que fez sua transição de Moira para Max ao longo de uma temporada – uma década antes da estreia de “Transparent”.

A série também contou com cenas quentes de sexo, o que ajudava a explicar o interesse do público heterossexual em sua trama.

O interesse em reviver “The L Word” acontece após o canal Showtime resgatar, com sucesso, a série clássica “Twin Peaks” e reflete uma estratégia de valorização de franquias televisivas, do mesmo modo como o cinema sempre lidou com a perpetuação de personagens conhecidos.

Nos últimos anos, séries que já foram referência, como “Arquivo X”, “Prison Break”, “Gilmore Girls” e “Três É Demais” (Full House), ganharam continuações em temporadas inéditas ou spin-offs, somando os antigos fãs a uma nova audiência em seus lançamentos. Como deram certo, os resgates devem continuar.

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Marcel Plasse é jornalista, participou da geração histórica da revista de música Bizz, editou as primeiras graphic novels lançadas no Brasil, criou a revista Set de cinema, foi crítico na Folha, Estadão e Valor Econômico, escreveu na Playboy, assinou colunas na Superinteressante e DVD News, produziu discos indies e é criador e editor do site Pipoca Moderna