Fala Comigo vence o Festival do Rio e lança um novo diretor

Fala Comigo vence o Festival do Rio e lança um novo diretor

 

O drama “Fala Comigo”, de Felipe Sholl, foi o vencedor da mostra competitiva do 18º Festival do Rio. Além de Melhor Filme, o longa também rendeu o prêmio de Melhor Atriz para Karine Teles.

Primeiro longa dirigido por Sholl, “Fala Comigo” conta a história de Diogo (Tom Karabachian), um adolescente de 17 anos que desenvolve o fetiche de se masturbar enquanto telefona para as pacientes da mãe terapeuta (Denise Fraga). Uma dessas pacientes é Angela, de 43 anos, com quem Diogo passa a se relacionar. Foi o papel que deu a Karine Teles o troféu Redentor.

Apesar de ser um trabalho de diretor estreante, Sholl não é exatamente um novato. Ele já exibiu curta no Festival de Berlim e tem uma filmografia interessante como roteirista. Seu roteiro de “Hoje” (2011) venceu o troféu Candango no Festival de Brasília. Ele também escreveu o filme que, para a Pipoca Moderna, foi o melhor lançamento brasileiro do ano passado, “Casa Grande” (2015), além de “Histórias que Só Existem Quando Lembradas” (2011) e “Trinta” (2014).

Já o público preferiu “Era o Hotel Cambridge”, de Eliane Caffé, que o júri só premiou por sua Montagem. Ironicamente, público e crítica concordaram, já que o longa de Eliane Caffé também venceu o prêmio da FIPRESCI (Federação Internacional de Críticos de Cinema). O filme mostra a situação incomum de integrantes do movimento dos sem-tetos e refugiados que se espremem em um prédio abandonado no centro de São Paulo.

Ao todo, 13 longas receberam troféus em pelo menos uma categoria da disputa. O mais premiado foi “Mulher do Pai”, com três troféus: Melhor Direção para a gaúcha Cristiane Oliveira, Atriz Coadjuvante para Verónica Perrota e Fotografia (dividindo este com “Superorquestra Arcoverdense de Ritmos Americanos”).

É importante destacar o processo de renovação incentivado pela premiação, já que Cristiane Oliveira também é estreante, vindo de uma carreira como diretora assistente desde “Diário de Um Novo Mundo” (2005).

Maior destaque entre os prêmios de atuação, o filme “Sob Pressão” deu a Julio Andrade o Redentor de Melhor Ator (troféu dividido com Nelson Xavier, por “Comeback”) e a Stepan Nercessian o troféu de Melhor Coadjuvante. Curiosamente, Julio Andrade também foi premiado como Melhor Ator por “Redemoinho”, que ainda levou o Grande Prêmio do Júri (reconhecimento ao 2º lugar na premiação)

Entre os documentários, o vencedor foi “A Luta do Século”, de Sérgio Machado, que registrou a rivalidade de mais de 20 anos entre os boxeadores Luciano Todo Duro e Reginaldo Holyfield, ídolos do esporte no Nordeste na década de 1990. Fizeram seis combates, com três vitórias para cada lado. Durante as filmagens, os dois ex-atletas, já com mais de 50 anos de idade, resolveram se enfrentar.

O júri do Festival do Rio 2016 foi presidido por Charles Tesson, crítico e diretor da Semana da Crítica do Festival de Cannes, e teve participação da diretora Maria Augusta Ramos, do ator Rodrigo Santoro e da diretora Sandra Kogut.

Mostra Competitiva

MELHOR FILME
“Fala Comigo”

PRÊMIO DO PÚBLICO
“Era o Hotel Cambridge”

GRANDE PRÊMIO DO JÚRI
“Redemoinho”

MELHOR DIREÇÃO
Cristiane Oliveira (“Mulher do Pai”)

MELHOR ATOR
Nelson Xavier (“Comeback”) e Julio Andrade (“Sob Pressão” e “Redemoinho”)

MELHOR ATRIZ
Karine Telles (“Fala Comigo”)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Stepan Nercessian (“Sob Pressão”)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Verónica Perrotta (“Mulher do Pai”)

MELHOR ROTEIRO
“Vermelho Russo”

MELHOR FOTOGRAFIA
“Mulher do Pai” e Superorquestra Arcoverdense de Ritmos Americanos

MELHOR MONTAGEM
“Era o Hotel Cambridge”

MELHOR DOCUMENTÁRIO
“A Luta do Século”

PRÊMIO DO PÚBLICO DE DOCUMENTÁRIO
“Divinas Divas”

MELHOR DIREÇÃO DE DOCUMENTÁRIO
Sérgio Oliveira (“Superorquestra Arcoverdense de Ritmos Americanos”)

MELHOR CURTA-METRAGEM
“O Estacionamento”

PRÊMIO DO PÚBLICO DE CURTA-METRAGEM
“Demônia – Melodrama em 3 Atos”

MENÇÃO HONROSA – CURTA-METRAGEM
“Demônia – Melodrama em 3 Atos”

PRÊMIO FIPRESCI
“Viejo Calavera” e “Era o Hotel Cambridge”

Mostra Novos Rumos

MELHOR FILME
“Então Morri”

PRÊMIO ESPECIAL DO JÚRI
“Deixa na Régua”

MELHOR CURTA-METRAGEM
“Não Me Prometa Nada”

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Marcel Plasse é jornalista, participou da geração histórica da revista de música Bizz, editou as primeiras graphic novels lançadas no Brasil, criou a revista Set de cinema, foi crítico na Folha, Estadão e Valor Econômico, escreveu na Playboy, assinou colunas na Superinteressante e DVD News, produziu discos indies e é criador e editor do site Pipoca Moderna