Estreias | Filmes do Oscar chegam ao streaming. Confira os destaques da semana

Lançamentos para ver em casa incluem os vencedores do Oscar "Pobres Criaturas" e "Anatomia de uma Queda", além da nova série dos criadores de "Game of Thrones"

Divulgação/Searchlight Pictures

A lista de estreias do streaming traz dois destaques do Oscar 2024 para os serviços de assinatura. “Pobres Criaturas” e “Anatomia de uma Queda” chegam, respectivamente, na Star+ e na Prime Video. Já os fãs de séries podem maratonar na Netflix a esperada sci-fi “O Problema dos 3 Corpos”, nova produção dos criadores de “Game of Thrones”. Confira as 10 principais novidades das plataformas digitais na semana.

 

SÉRIES

 

O PROBLEMA DOS 3 CORPOS | NETFLIX

 

A nova série dos criadores de “Game of Thrones” gira em torno do primeiro contato da humanidade com uma civilização alienígena, que busca um novo planeta para sua sobrevivência. Nos anos 1960, cientistas chineses tomaram uma decisão impulsiva, que volta para assombrá-los nos dias de hoje, quando uma mensagem enviada ao espaço ganha uma resposta. A antecipação de uma invasão em larga escala faz cientistas de todo o mundo, que tiveram acesso à informação, se desesperarem. Ou se matam ou interrompem suas pesquisas, deixando a mídia chocada, sem determinar por quê. Enquanto isso, outro cientista alheio ao que está acontecendo se vê à beira de uma grande descoberta, e então começa a ver uma contagem regressiva em sua cabeça.

Com uma narrativa entrelaçada por histórias paralelas, visual impressionante e muito estilo, a atração é uma adaptação da trilogia literária de mesmo nome escrita pelo chinês Liu Cixin, vencedora do Hugo Award (o Oscar da literatura sci-fi) – e que foi adaptada recentemente numa série chinesa bastante elogiada. Os roteiros são de David Benioff e D.B. Weiss (a dupla de “Game of Thrones”) e Alexander Woo (showrunner de “The Terror”). E além dos três, a série conta com produção do cineasta Rian Johnson, que dirigiu “Guerra nas Estrelas: O Último Jedi”, e da empresa de entretenimento Plan B, de Brad Pitt.

O extenso elenco inclui Jovan Adepo (“Watchmen”), Rosalind Chao (“Better Things”), Eiza González (“Em Ritmo de Fuga”), Jess Hong (“Inked”), Marlo Kelly (“Dare Me”), Jonathan Pryce (“The Crown”), Eve Ridley (“Peppa Pig”), Ben Schnetzer (“Y: The Last Man”), Alex Sharp (“The Curious Incident of the Dog in the Night-Time”), Sea Shimooka (“Pink Skies Ahead”), Saamer Usmani (“Succession”), John Bradley (“Game of Thrones”) e Benedict Wong (“Dr. Estranho no Multiverso da Loucura”). Mas não se apegue muito. A série replica uma característica de “Game of Thrones”, com muitos personagens supostamente importantes encontrando seu fim de forma precoce.

 

X-MEN ’97 | DISNEY

 

A continuação de “X-Men: A Série Animada” dos anos 1990 retoma a história do ponto em que foi interrompida – a morte do Professor X – , mantendo o estilo da atração original, com a formação e os uniformes clássicos da época. Boa parte da temporada inaugural gira em torno de decepções dos heróis, a começar pela descoberta de que Magneto herdou a sede da equipe. Para complicar, Jean Grey está grávida, e ela e Scott/Ciclope estão considerando deixar para trás o time de super-heróis para criar uma família longe da ação – já que Ciclope é considerado um líder fraco por Wolverine, Vampira (Rogue) e Gambit.

A produção original, exibida entre 1992 e 1997, foi precursora de diversas séries animadas modernas de super-heróis, encontrando um tom mais sério e fiel aos quadrinhos que as séries feitas até então, especialmente da Marvel. Os episódios clássicos adaptaram histórias icônicas de Chris Claremont, como as sagas da “Fênix Negra” e de “Dias de um Futuro Esquecido”, e popularizaram o visual dos heróis da era do desenhista Jim Lee.

Roteiros e produção são de Beau DeMayo, que escreveu a série “Cavaleiro da Lua” e o longa animado “The Witcher: Lenda do Lobo”, enquanto a direção dos episódios foi dividida entre Jake Castorena (“A Morte do Superman”), Chase Conley (que trabalhou na arte de “Cyberpunk: Mercenários”) e Emi Yonemura (“gen:LOCK”).

 

TIME 2 | MAX

 

Transformada em antologia, a 2ª temporada da série britânica sobre prisioneiros foca-se num presídio feminino, destacando em seu elenco as atrizes Bella Ramsey (a estrela de “The Last Of Us”), Jodie Whittaker (a “Doctor Who”) e Tamara Lawrance (“Um Natal Entre Nós”).

A 1ª temporada venceu o BAFTA nas categorias de Melhor Série Limitada e Melhor Ator, pelo desempenho de Sean Bean (de “Game of Thrones”) como um homem condenado a 4 anos de prisão depois de matar um homem em um acidente de trânsito. Consumido pela culpa, ele aceita abertamente sua sentença, mas é rapidamente confrontado com a dura realidade da vida na prisão. O drama foi aclamado pela crítica e teve uma média de mais de 10 milhões de espectadores por episódio. O sucesso transformou o que era originalmente uma minissérie em série de formato antológico, com uma história diferente por temporada.

Nos novos episódios, Ramsey vive uma prisioneira chamada Kelsey, que chega na prisão junto com Orla (Whittaker) e Abi (Lawrance) e tomam um choque com sua nova realidade. Em meio à violência, o trio logo encontra um senso de comunidade e até mesmo um entendimento compartilhado em seu novo ambiente. Além disso, alguns atores da 1ª temporada reprisarão seus papéis – incluindo Siobhan Finneran (“Downton Abbey”) como capelã da prisão.

“Time” é uma criação do produtor-roteirista inglês Jimmy McGovern, vencedor do prêmio Emmy Internacional por “The Street” (2006-2009) e aclamado no Reino Unido por séries como “Cracker” (1993-2006) e “Accused” (2010-2012), que ganhou remake americano no ano passado.

 

PALM ROYALE | APPLE TV+

 

A comédia dramática, passada em 1969, traz Kristen Wiig (“Duas Tias Loucas de Férias”) como Maxine Simmons, uma mulher ambiciosa que tenta entrar no círculo social mais exclusivo de Palm Beach. Ela é uma nativa de Tallahassee e uma caipira quase ingênua que quer conquistar o litoral chique – especificamente, o Palm Royale, um clube sofisticado com um círculo de altivas matronas a quem ela deseja desesperadamente se juntar.

Maxine passa de humilhação em humilhação enquanto imita as poses das esnobes e rejeita alegremente a rejeição delas. Ela é o tipo de alpinista social cujos esquemas incluem literalmente escalar a cerca do clube que ela espera se juntar. Mas de tanto realizar golpes improváveis (e adquirir influência social) até as mulheres de nariz mais empinado começam a se perguntar se a julgaram mal.

Os figurinos são ótimos, os cenários são sublimes e o elenco ainda inclui Allison Janney (“Resistência”), Leslie Bibb (“Meu Pai é um Perigo”), Julia Duffy (“Newhart”), Josh Lucas (“Yellowstone”), Laura Dern (“Big Little Lies”), Amber Chardae Robinson (“Os 7 de Chicago”), Dominic Burgess (“The Good Place”), a veterana Carol Burnett (“The Carol Burnett Show”) e o cantor Ricky Martin (“The Assassination of Gianni Versace: American Crime Story”). Já o roteiro varia entre uma comédia refinada dos irmãos Coen (como “O Amor Custa Caro”) e vários clichês previsíveis.

A série é uma adaptação do romance “Mr. and Mrs. American Pie”, de Juliet McDaniel, e foi desenvolvida por Abe Sylvia (roteirista de “Os Olhos de Tammy Faye”).

 

BRIARPATCH | UNIVERSAL+

 

A minissérie produzida por Sam Esmail, o criador de “Mr. Robot”, traz Rosario Dawson (“Luke Cage”) como Allegra Dill, uma investigadora que retorna para sua casa no Texas, na fronteira com o México, depois que sua irmã policial é assassinada. O que começa como a busca pelo assassino logo se transforma em luta para enfrentar uma cidade corrupta, repleta de personagens pitorescos, no melhor estilo da série “Fargo”. Quando bombas começam explodir e seu empregador decide forçá-la a se dedicar a outro caso, Allegra se vê sem alternativas além de buscar um velho amigo da infância, que hoje é altamente perigoso, como proteção.

Sam Esmail assinou a produção, mas a adaptação do romance homônimo do escritor Ross Thomas foi escrita e desenvolvida por Andy Greenwald (produtor de “Legion”), e ainda contou com direção da cineasta Ana Lily Amirpour (“Amores Canibais”).

Além de Rosario Dawson, o elenco inclui Kim Dickens (“Fear the Walking Dead”), Jay R. Ferguson (“The Conners”), Alan Cumming (“Instinct”), Brian Geraghty (“The Alienist”), Jon Beavers (“Animal Kingdom”), Edward Asner (“Disque Amiga para Matar”) e Edi Gathegi (“The Blacklist: Redemption”).

 

FILMES

 

POBRES CRIATURAS | STAR+

 

A fantasia gótica retrofuturista, que volta a juntar Emma Stone e o diretor Yorgos Lanthimos após “A Favorita” (2018), é um “Frankenstein” feminista e sexual. A trama se passa num passado alternativo, rico em elementos expressionistas e steampunk, com equivalência à era vitoriana. Neste mundo anacrônico surge Bella Baxter, uma criatura renascida através dos experimentos de um cientista deformado (Willem Dafoe, de “Aquaman”), que pegou seu corpo adulto recém-falecido e lhe deu vida com o cérebro de um bebê.

À medida que Bella se adapta à sua nova existência, ela começa a aprender e a se desenvolver rapidamente, adquirindo linguagem e conhecimento sobre o mundo que a rodeia. É quando um advogado aventureiro, vivido por Mark Ruffalo (o Hulk de “Os Vingadores”), fica fascinado por sua existência e decide introduzi-la ao mundo exterior, guiando-a pela Europa decadente, onde ela vivencia uma série de situações extremas que moldam sua compreensão sobre a vida, sua sexualidade e as interações humanas. Ao longo de sua jornada, Bella transforma-se em uma mulher autêntica, com desejos e ambições, ao mesmo tempo em que desafia as convenções sociais de sua época por admitir francamente seus gostos e desejos.

Mais que uma variação de “A Prometida”, o filme baseado num livro de Alasdair Gray e roteirizado por Tony McNamara (também de “A Favorita”) tem um visual impressionante – da cenografia ao figurino e à paleta de cores. Mas seu maior atrativo é a performance audaciosa de Emma Stone, principalmente em seus aspectos físicos. A atriz usa seu corpo e expressões faciais para comunicar a evolução de Bella, e explora seu despertar sexual com uma franqueza e uma intensidade raras. Pelo desempenho desinibido, ela foi premiada como Melhor Atriz no Festival de Veneza, Globo de Ouro, Critics Choice e venceu o Oscar 2024. O filme também conquistou as estatuetas da Academia de Melhor Desenho de Produção, Figurino e Maquiagem.

 

ANATOMIA DE UMA QUEDA | PRIME VIDEO

 

Filme europeu mais premiado do ano, vencedor do Festival de Cannes, do European Film Awards (o Oscar europeu) e do Oscar de Melhor Roteiro Original, o drama de tribunal e suspense da francesa Justine Triet (“Sibyl”) acompanha o julgamento de uma mulher suspeita de matar o marido. O homem foi encontrado ensanguentado no gelo, após uma queda de um andar elevado da casa da família e a única testemunha do que aconteceu é o filho cego do casal, que vive mudando sua versão dos acontecimentos.

A trama se desdobra em torno de um mistério: foi acidente, suicídio ou assassinato? A verdade transita entre a vida doméstica do casal e o tribunal, e para expô-la Triet explora temáticas como sexo, ambição, papéis de gênero, casamento e os julgamentos sociais impostos às mulheres. A narrativa é enriquecida por flashbacks do marido e pelo envolvimento do filho do casal, vivido por Milo Machado Graner, cuja visão prejudicada é tanto um ponto do enredo quanto uma metáfora na história. Este é o tipo de filme que mantém o espectador questionando a verdadeira natureza dos eventos e a culpabilidade dos personagens até o final, provocando reflexões sobre percepção, verdade e justiça.

O papel principal é interpretado pela alemã Sandra Hüller (conhecida por “Toni Erdmann”), que também venceu o European Awards na categoria de Melhor Atriz do ano e concorreu ao Oscar de Melhor Atriz. Curiosamente, a França não inscreveu o longa na categoria de Filme Internacional do Oscar, preferindo ser representada por uma opção irrelevante. Mas, numa coincidência, a categoria acabou vencida por “Zona de Interesse”, outro filme importante estrelado por Sandra Hüller na temporada.

 

MATADOR DE ALUGUEL | PRIME VIDEO

 

Jake Gyllenhaal (“Homem-Aranha: Longe de Casa”) estrela o remake do clássico de ação de 1989, no papel originalmente interpretado por Patrick Swayze. Na trama atualizada, ele vive Elwood Dalton, um ex-lutador do UFC enfrentando dificuldades financeiras. Após ser encontrado dormindo em seu carro pela dona de um bar de beira de estrada nas Florida Keys, Elwood Dalton torna-se segurança do local e é envolvido em uma guerra contra foras da lei e motociclistas – entre eles o lutador de MMA da vida real e ator estreante Conor McGregor, além de um empresário determinado a construir um resort luxuoso no local.

A história foi atualizada pelos roteiristas Anthony Bagarozzi (“Dois Caras Legais”) e Charles Mondry (do vindouro filme de “Doc Savage”), e a direção é do experiente Doug Liman (“No Limite do Amanhã”). Já o elenco também inclui Billy Magnussen (“007 – Sem Tempo Para Morrer”), Jessica Williams (“Falando a Real”), Daniela Melchior (“O Esquadrão Suicida”) e Gbemisola Ikumelo (“Uma Equipe Muito Especial”), entre outros.

 

SHIRLEY PARA PRESIDENTE | NETFLIX

 

O drama biográfico conta a história da pioneira campanha presidencial de Shirley Chisholm nos anos 1970. Interpretada por Regina King (“Watchmen”), Chisholm foi a primeira mulher negra eleita para o Congresso dos Estados Unidos. Mas seu pioneirismo não ficou nisso. Ela também foi a primeira candidata negra a buscar a indicação de um grande partido para presidente, além de primeira mulher de qualquer cor a concorrer à indicação presidencial do Partido Democrata. Sua campanha inovadora foi marcada pelo engajamento dos jovens, enquanto ela tentou ganhar delegados suficientes para falar na Convenção Nacional Democrata de 1972.

A inciativa causa surpresa generalizada, já que ela não era homem e tampouco branca. Enquanto tentava ganhar apoio para sua candidatura presidencial, inclusive entre os Panteras Negras, ela precisou enfrentar muitos contratempos, provenientes de pessoas que pensavam que ela jamais conseguiria – ou deveria – realizar seu sonho.

O filme escrito e dirigido por John Ridley, vencedor do Oscar pelo roteiro de “12 Anos de Escravidão”, também conta com o falecido Lance Reddick (“John Wick”) em um de seus últimos papéis, além de Lucas Hedges (“Manchester à Beira-Mar”), Brian Stokes Mitchell (“tick, tick… BOOM!”), Christina Jackson (“Outsiders”), Dorian Crossmond Missick (“Southland”), Amirah Vann (“Underground”), André Holland (“Moonlight”) e Terrence Howard (“Empire”)

Vale lembrar que esse não é o primeiro projeto sobre a feminista negra. Uzo Aduba venceu o Emmy ao interpretar Chisholm na minissérie “Mrs. America”, enquanto Danai Gurira (“Pantera Negra”) está definida para vivê-la em outra cinebiografia, “The Fighting Shirley Chisholm”.

 

SOBREVIVENTES – DEPOIS DO TERREMOTO | VOD*

 

Candidato da Coreia do Sul a uma vaga no Oscar de Melhor Filme Internacional, a superprodução de desastre explora, dirigida por Um Tae-hwa, é uma crítica brutal à natureza humana, retratando a luta pela sobrevivência em um mundo pós-apocalíptico, onde as pessoas cedem ao tribalismo primal.

A história se passa em Seul, após um terremoto catastrófico reduzir a cidade à ruínas. O único edifício que permanece de pé é o complexo de apartamentos Hwang Gung, onde um jovem funcionário público e sua esposa tentam ajudar os menos afortunados, apesar da escassez de alimentos e água. No meio do caos, um homem de meia-idade emerge como o líder dos residentes. Sua primeira ordem de negócios é expulsar violentamente todos aqueles cujas casas foram destruídas e que buscaram refúgio em Hwang Gung, mesmo que exilá-los signifique condená-los à morte.

Como os proprietários do apartamento conseguem construir um microcosmo funcional em meio ao caos, eles preferem ignorar que sua pequena sociedade está se transformando num estado fascista, com táticas ditatoriais e uso de linguagem desumanizadora contra aqueles que seu líder considera indignos dos mesmos privilégios.

A história é baseada num webtoon (quadrinhos online) de Kim Soong-Nyung, que examina a complexidade moral em tempos de crise e desafia o público a refletir sobre a natureza humana e as escolhas feitas em circunstâncias extremas. A direção é de Um Tae-hwa (“Desaparecimento: O Garoto que Retornou”) e o elenco destaca Park Seo-joon (“A Criatura de Gyeongseong”), Park Bo-young (“Uma Dose Diária de Sol”) e Lee Byung-hun (“Round 6”), que tem o papel do ditador.

 

 

* Os lançamentos em VOD (video on demand) podem ser alugados individualmente em plataformas como Apple TV, Claro TV+, Google Play, Loja Prime, Microsoft Store, Vivo Play e YouTube, entre outras, que funcionam como locadoras digitais sem a necessidade de assinatura mensal.