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Instagram/Pedro Cardoso

Música|2 de janeiro de 2024

Pedro Cardoso é “cancelado” ao dizer bobagens sobre Beyoncé e raça: “Não sou branco”

O ator Pedro Cardoso começou 2024 com uma piada sem graça, em forma de textão, e acabou praticamente cancelado por falar bobagem. Sabe-se lá porque, ele decidiu comparar as carreiras das cantoras Tracy Chapman, que emplacou inúmeros sucessos nos anos 1980 e 1990, e Beyoncé, maior diva do século 21.

“A mim, mais me toca a arte de Tracy Chapman do que a de Beyoncé. Seria gosto? Mas a minha questão aqui é a razão de a Beyoncé ser mais consumida do que Trace”, começou Cardoso, em uma publicação no Instagram. Então, ele inventou que Beyoncé chamava mais atenção por causa da exposição de sua vida pessoal na mídia, o que seria o motivo de seu sucesso.

“E desconfio que o maior sucesso comercial das Beyonce frente às Chapman se deve aquelas venderem, além de sua arte, também a sua vida pessoal. Cito a própria Tracy, no Wikipedia: “Tenho uma vida pública, que é a do meu trabalho; e uma vida pessoal”. Hoje, há mais consumo de biografia espetacularizada de artistas do que de arte. Os jornais noticiam como fatos da cultura os namoros, os negócios, os treinos, os crimes etc e, principalmente, a vida sexual dos ditos ‘famosos’!”, escreveu.

“Problema para mim é se fazer um comércio ganancioso que não apenas atende a uma demanda psicológica natural mas a super excita artificialmente fabricando contos de fadas sexuais exuberantes de famosos. E nisso, a arte se torna um adorno secundário da vida pessoal dos artistas”, continuou. E ainda disse que Beyoncé não era autêntica. “Os artistas autênticos, e suas artes, circulam menos pelo planeta. Sem vender a vida, ‘Beyonces’ não venderiam tanto.”

 

Desconhecimento

O detalhe é que Beyoncé é uma das artistas mais discretas sobre sua vida pessoal na indústria musical. Casada há anos com o rapper Jay-Z e mãe de três filhos, ela nem é alvo de “contos de fadas sexuais exuberantes”. Pedro Cardoso possivelmente não conhece a carreira da artista, que é marcada por projetos sociais e luta contra o racismo.

Além disso, a própria cantora faz críticas à indústria musical e revolucionou o mercado ao lançar discos de surpresa, sem divulgação, acompanhados por “álbuns visuais” que lançaram tendência e impressionaram pela visão artística. Em seu disco mais recente, “Renaissance”, ela foi ainda mais radical e nem divulgou clipes. Isso não impediu o sucesso e a reverberação de sua mensagem, em que Beyoncé reivindica a dance music para a cultura negra, lembrando sua verdadeira origem.

 

“O que é ser branco?”

Não por acaso, a opinião do intérprete de Augustinho Carrara em “A Grande Família” causou comoção entre os fãs brasileiros da cantora. E a partir daí a situação só piorou. Quando um seguidor avisou que era “de péssimo tom um cara branco colocar duas mulheres pretas nessa posição comparativa”, ele se defendeu dizendo que não era branco.

“‘Um cara branco’? Quem é ‘um cara branco’ aqui? Eu? Não sou branco, nem cara. O que é ser branco? A cor da pele ou a ideologia? Para mim, sobre o que eu falo, o fenótipo é irrelevante”, escreveu o ator. E se defendeu dizendo que a comparação poderia ser entre Marisa Monte, Luisa Sonza, Rita Lee ou Madonna. “A obsessão com a questão tão relevante dos ecos da escravidão no presente é sua; e ela te interdita o pensamento de aspectos da realidade onde ela não é dominante”, concluiu Cardoso em sua resposta.

Internautas, então, resgatam um vídeo de uma entrevista do ator a Lázaro Ramos em que ele se define racialmente: “Eu sou um menino branco, que nasci na classe média alta do Rio de Janeiro e minha casa tinha cinco empregados, todos eram negros. Eu nunca tive um empregado branco”.

O Pedro Cardoso já tinha errado muito ao usar justo a Beyoncé na crítica à indústria cultural, mas esse comentário aqui foi o fundo do poço. pic.twitter.com/gPS4mRbRz2

— Lívia Lamblet 🎨🇵🇸 (@livialamblet) January 2, 2024

E Pedro Cardoso que saiu de onde estava enterrado para fazer textão rivalizando Beyoncé e Trace Chapman. Ousou dizer que, Beyoncé é apenas uma artista inventada pela indústria e seu sucesso se sustenta de exposição da vida sexual e pessoal . E ainda disse não ser branco. pic.twitter.com/f7rJThOuyh

— Flavia NS 🏳️‍🌈🇨🇵💃🏿 (@difeirenseada) January 2, 2024

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