Divulgação/Globo

Globo escondeu menção a Hitler, motivo da saída de Lina e outras polêmicas do BBB

A Globo tem feita uma edição bastante dirigida do “BBB 22”, escondendo as principais polêmicas do programa, apesar da grande repercussão que geram nas redes sociais.

O resultado dessa manipulação de imagens, por incrível que pareça, interfere até na cobertura de colunistas “especialistas em TV”, que publicam comentários sem nenhum embasamento, completamente desconectados do público que assiste ao programa madrugada adentro na Globoplay e no PPV.

Quem não tem Globoplay, por exemplo, não ficou sabendo que Gustavo Marsengo se comparou a Hitler na madrugada de segunda (11/4), dizendo que dormiria no quarto Lollipop (que ele “dominou”) como Hitler fez com Paris ao conquistar a França. A declaração chocou até seus aliados no programa. Mas a Globo escondeu na TV aberta.

De todos os casos, o mais exemplar foi a eliminação de Linn da Quebrada, a Lina, no domingo (10/4) passado, devido à reação exacerbada de colunistas que jamais consideraram os fatos escondidos pela exibição oficial.

Não faltaram acusações de conservadorismo, transfobia e gritos inconformados de injustiça diante da alta percentagem de votos recebidos pela artista. Nas redes sociais, famosos (os “verificados”) que assistem bissextamente engrossaram as reclamações, atacando até Eliezer do Carmo Neto, um adversário direto do paredão, porque o público teria preferido deixá-lo no programa para tirar a favorita deles.

Quem realmente vê o programa sabe o que motivou a saída de Lina. E não foi a explicação oficial, dirigida pela conversa do apresentador Tadeu Schmidt: uma suposta rejeição à sua ingratidão com Paulo André, o P.A., após o gesto gracioso dele, de Pedro Scooby e Douglas Silva, que desistiram de uma prova de liderança para torná-la líder – situação que lhe o poder para colocar um deles no paredão.

Este dirigismo foi notado desde o começo do programa, quando a emissora evitou mostrar a quantidade de vezes que os integrantes da casa erraram o pronome de Lina, fixando apenas uma pessoa como “vilã” da história.

O caminho escolhido desde cedo foi uma narrativa que dividiu os confinados entre heróis e vilões. A emissora até usou logotipos e iconografia inspirada por produções da Marvel para criar subtexto, fazendo piadinhas como a saga dos “Lolliflopers”, que transformou Jade Picon em malvada e Arthur Aguiar em herói logo no começo da exibição.

O resultado se viu nas votações maciças. Só que essa técnica foi tão bem sucedida que, ao tentar mudar o rumo da história, a própria emissora não conseguiu emplacar uma nova fase, explorando as contradições de Arthur.

O fracasso da guinada foi resultado direto da falta de transparência da edição da TV aberta.

De fato, uma noite inteira de diálogos polêmicos entre Arthur e Lucas Bissoli, que resultou no rompimento da aliança entre os dois, foi totalmente ignorada pela edição oficial. Importantíssima para o futuro do programa, a conversa foi recuperada em pedaços, em alguns flashbacks incompletos, após suas consequências levarem Scooby ao paredão.

Por coincidência, na época a Globo investia na epopeia heroica de Arthur e a discussão escondida não condizia com essa narrativa. Caso tivesse sido revelada na hora certa, poderia dar outro rumo ao programa.

Mais recentemente, a emissora passou a privilegiar a narrativa de Lina e suas amigas. Com brigas violentas e histéricas, as comadres receberam até tratamento de sitcom, ganhando um VT em que o show de horrores visto em várias noitadas pelos espectadores da Globoplay foi apresentado como exemplo de amor e amizade. A agressão de Natália a Jessi? Não apareceu nem quando a Globo colocou no ar os momentos mais intensos dessa “linda amizade”, que só não virou tragédia por conta da coragem verdadeiramente heroica da “vilã” Eslovênia Marques, atitude que Tadeu Schmidt só lembrou de comentar no dia em que a Miss Pernambuco foi eliminada.

O pior aconteceu um dia antes desse raro elogio à Eslô: o verdadeiro motivo da eliminação de Lina.

Completamente bêbada, Lina contou uma mentira deslavada sobre Rodrigo, a esta altura já hospitalizado devido ao acidente de carro que sofrera, e ainda atacou a “aliada” Eslô com acusações guardadas por dois meses, destruindo a menina no seu momento de maior fragilidade, após perder o namorado no jogo e estar a poucas horas de ser eliminada.

A Globo não exibiu Lina dizer em tom alterado para Eslovênia: “O Rodrigo olhou nos meus olhos, olhando na minha cara e me chamou de traveco. E você foi a segunda pessoa. Depois do Rodrigo, você foi a segunda pessoa que mais me ofendeu aqui dentro.”

Quem acompanha pelo PPV sabe que Rodrigo nunca chamou Lina de traveco, muito menos olhando nos olhos, com a intenção de ofender. O que houve foi uma orientação do pessoal do Lollipop para que Rodrigo fosse conferir com Lina porque a palavra era errada. “Você não tem obrigação nenhuma de me dar orientação das coisas, mas, às vezes, eu sinto necessidade. Soltei uma palavra que você tem lugar de fala para me ajudar, orientar. Se você quiser”, pediu ele.

“Lina mentiu sobre Rodrigo”, repetiram dezenas de tuítes, num momento em que o ex-BBB atraía apenas energias positivas do público, com mensagens e orações por melhoras.

“Acho que todos concordamos que o Rodrigo foi bem desnecessário e sem noção no lance de usar o termo traveco e depois de ir perguntar pra Lina sobre, mas é bem diferente do que ‘me chamou de traveco na minha cara’”, resumiu um tuite.

O ataque gratuito foi bastante explorada nas redes sociais. Mas vetado na Globo. E, aparentemente, até hoje é desconhecido por “verificados” e colunistas profissionais.

Os assinantes da Globoplay também se chocaram com o comportamento de Lina com Eslô. Poucos dias antes, após um Jogo da Discórdia, ela tinha proclamado para os mais próximos que Eslô era a segunda pessoa mais agradável para ela no programa, ficando atrás apenas da Jessi. Por conta disso, convidou a Miss Pernambuco a participar de seu VIP. E ao justificar a indicação de Paulo André para o paredão, Lina ainda citou como um dos motivos justamente o fato dele ter tirado o casal Eslô e Lucas de seu VIP.

No entanto, na noite que antecedeu a eliminação de Eslô, Lina praticamente empurrou a “agradável” para um recorde de rejeição – que felizmente não aconteceu. Eslô não arredou o pé, chorando abraçada a Lina, enquanto seguiu ouvindo “verdades” na cara por boa parte da “festa”. Devolveu só pedidos de desculpas, admissão de erro e elogios. Eslô também foi a primeiríssima ex-confinada a postar uma homenagem a Lina no Instagram, quando esta foi eliminada no último domingo (10/4). E ela era uma das “vilãs” da edição.

Não, a eliminação de Lina do “BBB” não indicou vitória de uma suposta força “conservadora”. Foi resultado exclusivo de ações no jogo e não de fatores “de fora”, ainda que a Globo tenha tentado ser o principal fator para impedir a eliminação.

Boninho e os produtores do “BBB” ainda fazem o programa como se não existisse Globoplay. Embora muitos só acompanhem pela TV aberta, os que assistem em streaming gravam e repercutem tudo nas redes sociais, trazendo os “podres” à tona. Só fica sem conhecer o lado sombrio do programa quem não tem internet. Será que vale a pena mostrar na TV que a roupa nova do rei é linda, quando até as crianças riem da sua nudez? Fora colunistas e “verificados”, quantos são os sem internet no Brasil?