Divulgação/Globo

Arthur é o campeão do “BBB 22”

A rede Globo consagrou na noite desta terça (26/4) o ator Arthur Aguiar como vencedor do “BBB 22”. Ele superou os finalistas Paulo André Camilo (2º lugar) e Douglas Silva (3º), numa final que contou com apresentação emocionada de Tadeu Schmidt, que interagiu no mesmo ambiente com os últimos confinados, além de uma longa procissão de VTs e shows.

Foi uma das vitórias mais anticlimáticas da história do programa, praticamente definida nas primeiras semanas. O sofá passou a assistir quase sem reação a torcida engajadíssima de Arthur, autodenominada de Padaria, eliminar todos os adversários do confinado durante o jogo. Até a ordem de eliminação foi previsível, tirando qualquer possibilidade de surpresa e emoção do “BBB 22”.

O direcionamento dado pela votação da Padaria foi tão evidente que levantou muitas suspeitas, até de Lula, em relação à influência do poder econômico na contratação de equipes e “fábricas” de robôs para atingir os resultados. Não por acaso, muitos gostariam que os produtores mudassem completamente o esquema de votação, permitindo apenas um voto por CPF.

Mas isso vai contra a netflixação dos números celebrada pelo “BBB”. Durante a transmissão, Tadeu Schmidt se encheu de orgulho para comentar os recordes da maior votação da temporada, a segunda maior da História e o maior número de votos já registrados numa final, mais de 751 milhões.

Apesar da lenda de que Arthur foi um grande jogador, o ator foi um dos participantes mais chatos da edição. Sem beber e quase não dançar nas festas, ele passou o programa reclamando, inclusive de aliados, demonstrando egoísmo, isolando-se e dormindo, tendo pouquíssimas interações até chegar próximo da final, num quadro clássico de depressão.

Com isso, o que realmente ficou do “BBB 22” foram as scoobiadas, a amizade de Scooby, P.A. e DG, a fofice do namoro de Eslovênia e Lucas, o sexo sem medo de Eliezer, Maria e Natália, o azar de Eliezero e os surtos da Bad Nat, situações que chamaram muito mais atenção que a suposta narrativa do vencedor.

Os produtores do documentário sobre o campeão do “BBB 22”, atualmente em desenvolvimento na Globoplay, terão que se esforçar muito, e se focar mais no que aconteceu fora da casa cenográfica, para explicar como um jogador frio e de pouca empatia virou o vencedor da edição.

Para a Globo, ficou o saldo da arrecadação recorde com patrocinadores e ações publicitárias, além de uma audiência que, embora venha em tendência de queda, continua respeitável. A final do reality show, por exemplo, chegou a registrar duas vez mais público que o jogo Corinthians x Boca Juniors pela Libertadores, transmitido pelo SBT. Na Grande São Paulo, o “Big Brother” teve uma média 25,9 pontos de audiência, enquanto a partida registrou média de 13,7 pontos por volta de 23h30, de acordo com dados da Kantar Ibope.

Entretanto, esta vitória se encolhe quando comparada a final de 2021, quando Juliette venceu a atração. O último dia do “BBB 21” rendeu 34,1 pontos. Ou seja, o “BBB 22” registrou uma queda de quase 25% nos índices de audiência. Um recorde de votos que, aparentemente, não refletiu o número de pessoas reais interessadas no programa.