Divulgação/UniFrance

Jean-Pierre Bacri (1951 – 2021)

O premiado ator e roteirista francês Jean-Pierre Bacri, conhecido por suas parcerias com a cineasta Agnès Jaoui, morreu na segunda (18/1) em Paris após uma batalha contra o câncer, aos 69 anos.

Bacri começou a ter destaque nos palcos e na telas no final da década de 1970, e tornou-se conhecido internacionalmente após aparecer como “Batman” no bem-sucedido thriller “Subway”, que fez decolar a carreira do diretor Luc Besson em 1985. O papel lhe rendeu sua primeira indicação ao César (o Oscar francês) como Melhor Ator Coadjuvante.

Foi nessa época também que ele conheceu a atriz Agnès Jaoui, que se tornaria sua esposa e parceira criativa.

O casal contracenou nas telas pela primeira vez em “Cuisine et Dépendances” (1993), adaptação de uma peça de teatro escrita pelos dois (vencedora do troféu Molière), que também foi o primeiro filme concebido em conjunto pela dupla, com ambos assinando juntos o roteiro.

Logo, a rotina de escrever tornou-se complementar ao trabalho de interpretação para ambos.

Eles receberam um grande empurrão nesta direção ao colaboraram no texto de “Smoking e No Smoking” (1993), de Alain Resnais, que venceu cinco prêmios César (o Oscar francês), entre eles o primeiro troféu de Melhor Roteiro da dupla – além de ser considerado o Melhor Filme do ano.

A parceria continuou com outra adaptação de peça do casal, “Odeio te Amar” (1996), e seguiu com o musical “Amores Parisienses” (1997), que acrescentaram mais dois Césars à estante da família por seus roteiros. O último ainda rendeu o César de Melhor Ator Coadjuvante a Bacri.

O casamento criativo acompanhou a evolução da carreira de Jaoui, que virou diretora a partir de “O Gosto dos Outros” (2000). Um começo e tanto, pois, além de ser premiado com o quarto César de Melhor Roteiro da dupla, foi reconhecido como Melhor Roteiro da Europa pela Academia do Cinema Europeu e indicado ao Oscar de Melhor Filme em Língua Estrangeira.

O trabalho de Bacri e Jaoui também rendeu aclamação no Festival de Cannes. Seu filme de 2004, “Questão de Imagem”, foi considerado o Melhor Roteiro do festival e ainda lhes deu o segundo troféu da categoria na premiação da Academia do Cinema Europeu.

Os dois continuaram a trabalhar juntos, tanto na frente quanto atrás das câmeras, até “Praça Pública”, escrito e estrelado pelo casal e dirigido por Jaoui, em 2018. Depois disso, Bacri apareceu em apenas mais um filme, “Photo de Famille”, lançado no mesmo ano, antes da doença se manifestar.

Um autêntico intelectual, Bacri também ficou conhecido por aparecer sempre mal-humorado na tela. Seus papéis eram geralmente personagens rudes, embora com um toque de humanidade. “Aos meus olhos, sempre desempenhei papéis diferentes. Mas não sou um cara sorridente e o que sou, como minha maneira de ver a vida, passa para a tela. Coisas alegres não me interessam, prefiro anti-heróis”, disse ele ao Le Parisien em uma entrevista de 2017.

A morte do artista comoveu a França, rendendo várias homenagens, incluindo do presidente do país, Emmanuel Macron.