Divulgação/Agência Brasil

Festival de Brasília começa sua primeira edição virtual

O Festival de Brasília do Cinema Brasileiro começa nesta terça-feira (15/12) sua 53ª edição de forma diferente do habitual. Por conta da pandemia, não serão realizadas atividades presenciais e o público poderá acompanhar todos os filmes pelo Canal Brasil e na plataforma de streaming Canais Globo.

A versão virtual e televisiva do festival ocorre até 20 de dezembro com a exibição de 30 títulos nacionais, selecionados entre 698 inscritos. Mas apenas seis, dos quais somente um é ficção, vão disputar a premiação do troféu Candango. Em sua seção competitiva, Brasília virou quase um festival de documentários.

O Canal Brasil exibirá os longas em competição, em sessões diárias em sua programação, a partir desta terça até domingo (20/12), sempre às 23h. Já os curtas da seleção oficial e as obras da Mostra Brasília estarão disponíveis na plataforma Canais Globo durante o festival.

A edição vai acontecer após a Secretaria de Cultura e Economia Criativa de Brasília ter anunciado o cancelamento do festival em junho, por falta de verba. À época, o governo do Distrito Federal argumentou que pretendia priorizar ações de combate ao coronavírus e nos efeitos econômicos da pandemia. Três dias após ste anúncio, no entanto, o secretário Bartolomeu Rodrigues voltou atrás e disse que o evento estava mantido. Segundo o secretário, o governador Ibaneis Rocha (MDB) garantiu os recursos necessários para a iniciativa.

“Como secretário de Cultura e Economia Criativa (Secec), não poderia deixar que o mais longevo e importante festival de cinema do país fosse pausado. Só a censura calou o Festival de Brasília e essa é uma cicatriz que não podemos remexer”, disse Bartolomeu.

A Secretaria de Cultura ainda tentou repassar a responsabilidade de montar o festival para uma Organização da Sociedade Civil (OSC), mas enfrentou protestos de entidades do setor, que afirmaram que a OSC selecionada (o Instituto Eu Ligo) não tinha experiência suficiente para realizar o evento.

Com tantas idas e vindas, o Festival, que ainda sofreu atraso em relação a sua data tradicional, acabou não criando a mesma expectativa midiática que costuma marcar sua realização. Para piorar, o evento começa sem site oficial (ficou restrito a um tópico no site do governo do DF) e com todas as suas plataformas de rede social desatualizadas (com conteúdo da edição passada), demonstrando pouco empenho organizacional.

Muitos cineastas, com filmes prontos, preferiram ficar de fora, temendo, inclusive, o impacto que a transmissão televisiva poderia trazer sobre suas futuras bilheterias ou negociações. Mas o aval de prêmios continua a ser um atrativo para produções mais independentes. Ainda mais que o curador da seleção deste ano foi ninguém menos que Sílvio Tendler. Considerado um dos mais importantes documentaristas da América Latina, ele produziu e dirigiu cerca de 80 filmes entre curtas, médias e longas-metragens em formato documental, além de séries.

O evento, que está completando 55 anos desde que nasceu em 1965 como Semana do Cinema Brasileiro – numa iniciativa do historiador e crítico Paulo Emílio Sales Gomes, professor do primeiro curso superior de cinema da Universidade de Brasília (UnB) – , só deixou de ser realizado entre os anos de 1972 e 1974, no auge repressivo da ditadura militar, que o censurou. Sua importância cultural foi oficializada em 2007, quando o festival recebeu o registro de patrimônio imaterial pelo governo do Distrito Federal.

Esta história também é tema de um dos filmes selecionados, o documentário “Candango: Memórias do Festival”, de Lino Meirelles, que será exibido na mostra Brasília. Esta seção tem 12 filmes – quatro longas e oito curtas – produzidos no Distrito Federal sobre temas diversos.

Confira abaixo a lista dos filmes selecionados para o festival e onde assisti-los.

Mostra Oficial Longa-Metragem (Canal Brasil)

“Espero que Esta te Encontre e que Estejas Bem”, de Natara Ney, Documentário, com exibição na terça (15/12), às 23h
“Longe do Paraíso”, de Orlando Senna, Ficção, com exibição na quarta (16/12), às 23h
“A Luz de Mario Carneiro”, de Betse de Paula, Documentário, com exibição na quinta (17/12), às 23h
“Por Onde Anda Makunaíma?”, de Rodrigo Séllos, Documentário, com exibição na sexta (18/12), às 23h
“Entre Nós Talvez Estejam Multidões”, de Aiano Bemfica e Pedro Maia de Brito, Documentário, com exibição no sábado (19/12), às 23h
“Ivan, O TerrirVel”, de Mario Abbade, Documentário, com exibição no domingo (20/12), às 23h

Mostra Oficial de Curtas (Canais Globo)

“A Morte Branca do Feiticeiro Negro”, de Rodrigo Ribeiro, Documentário
“A Tradicional Família Brasileira KATU”, de Rodrigo Sena, Documentário
“Distopia”, de Lilih Curi, Ficção
“Guardião dos Caminhos”, de Milena Manfredini, Experimental
“Inabitável”, de Matheus Faria e Enock Carvalho, Ficção
“Inabitáveis”, de Anderson Bardot, Ficção
“Noite de Seresta”, de Muniz Filho, Sávio Fernandes, Documentário
“Ouro Para o Bem do Brasil”, de Gregory Baltz, RJ, Documentário
“Pausa Para o Café”, de Tamiris Tertuliano, Ficção
“República”, de Grace Passô, Ficção
“Quanto Pesa”, de Breno Nina, Ficção
“Vitória”, de Ricardo Alves Jr. Ficção

Mostra Brasília de Longas (Canais Globo)
“O Mergulho na Piscina Vazia”, de Edson Fogaça, Documentário
“Cadê Edson?, de Dácia Ibiapina, Documentário
“Candango: Memórias do Festival”, de Lino Meirelles, Documentário
“Utopia Distopia”, de Jorge Bodanzky, Documentário

Mostra Brasília de Curtas (Canais Globo)

“Algoritmo”, de Thiago Foresti, Ficção
“Questão de Bom Senso”, de Péterson Paim, Documentário
“Do Outro Lado”, de David Murad, Ficção
“Rosas do Asfalto”, de Daiane Cortes, Documentário
“Eric”, de Letícia Castanheira, Documentário
“Brasília 60 + 60: Do Sonho ao Futuro”, de Raquel Piantino, Animação
“Delfini Brasília, Olhar Operário”, de Maria do Socorro Madeira, Documentário
“Curumins”, de Pablo Ravi, Documentário