Rupert Grint se junta a Daniel Radcliffe e Emma Watson contra JK Rowling

O ator Rupert Grint, intérprete de Ron Weasley nos filmes de “Harry Potter”, voltou a se juntar a seus colegas de elenco Daniel Radcliffe e Emma Watson na mesma luta. Desta vez, eles não enfrentam Voldemort, mas a criadora da saga infantil, J.K. Rowling. Os três saíram em defesa dos direitos trans após a escritora manifestar opiniões transfóbicas no Twitter e em seu site pessoal.

Grint divulgou um comunicado nesta sexta-feira (12/6), em que diz: “Estou firmemente com a comunidade trans e ecoo os sentimentos expressos por muitos de meus colegas. Mulheres trans são mulheres. Homens trans são homens. Todos devemos ter o direito de viver com amor e sem julgamento.”

É basicamente o que disseram seus colegas.

“Mulheres transgêneros são mulheres”, escreveu Radcliffe na segunda (8/6), em um ensaio publicado no site do Trevor Project, uma organização sem fins lucrativos dedicada à intervenção em crises e prevenção de suicídio para pessoas LGBTQ+. “Qualquer declaração em contrário apaga a identidade e a dignidade das pessoas trans e vai contra todos os conselhos dados por associações profissionais de saúde que têm muito mais conhecimento sobre esse assunto do que Jo ou eu.”

E Watson escreveu no Twitter na quarta-feira (10/6): “As pessoas trans são o que dizem ser e merecem viver suas vidas sem serem constantemente questionadas ou informadas de que não são quem dizem ser”

Além deles, o roteirista Steve Kloves, que adaptou os livros de Rowling nos filmes de “Harry Potter”, também se posicionou, dizendo à revista Variety nesta sexta: “Nossa diversidade é a nossa força. Nestes tempos difíceis, é mais importante do que nunca que mulheres e homens trans e pessoas não binárias se sintam seguras e aceitas por quem são. Parece muito pouco para se pedir”.

Outros integrantes da franquia, como as atrizes Katie Leung, a Cho Chang, e Bonnie Wright, a Gina Weasley, além da estrela do prólogo “Animais Fantásticos”, Eddie Redmayne, também se manifestaram a favor da comunidade trans desde que Rowling começou a atacá-la no sábado (6/6).

Tudo quando Rowling reagiu a um artigo no site de desenvolvimento global Devex, intitulado “Criando um mundo mais igualitário pós-Covid-19 para pessoas que menstruam”, com o seguinte tuíte: “‘Pessoas que menstruam’. Tenho certeza de que costumava haver uma palavra para essas pessoas. Alguém me ajude? Wumben? Wimpund? Woomud? [modificações propositais da palavra ‘woman’, que significa mulher em inglês]”.

Após reclamações de trans que menstruam, ela reagiu: “Se o sexo não é real, não há atração pelo mesmo sexo. Se o sexo não é real, uma realidade vivida por mulheres em todo o mundo é apagada. Conheço e amo pessoas trans, mas excluir o conceito de sexo remove a capacidade de discutir suas vidas de maneira significativa. Não é ódio falar a verdade… A ideia de que mulheres como eu – que são empáticas com pessoas trans há décadas, encontrando parentesco porque elas são vulneráveis ​​da mesma maneira que mulheres, ou seja, sofrem violência masculina – ‘odeiam’ trans só porque acham que sexo é real e tem consequências… é um absurdo.”

O comentário não caiu bem, especialmente porque, no ano passado, Rowling já tinha se envolvido numa discussão similar ao defender uma mulher demitida por tuitar que as pessoas não podiam alterar seu sexo biológico. Naquele momento, ela se posicionou contra uma legislação do Reino Unido que permitiria que as pessoas trans pudessem assumir suas identidades sociais.

Para justificar suas posições, ela publicou um longo texto em seu site, em que assume um ataque explícito ao que chama de “ativismo trans”. Rowling contou que foi encorajada a tuitar seus pensamentos no sábado depois de ler que o governo escocês continuava com planos de reconhecimento de gênero que ela considera “controversos” e “que na verdade significam que tudo que um homem precisa para ‘se tornar mulher’ é dizer que é mulher. Para usar uma palavra muito contemporânea, esse foi meu ‘gatilho’. ”

“Eu me recuso a me curvar a um movimento que eu acredito estar causando um dano demonstrável ao tentar erodir a ‘mulher’ como uma classe política e biológica e oferecer cobertura a predadores como poucos antes dele”, ela escreveu. “Quando você abre as portas dos banheiros e dos vestiários para qualquer homem que acredite ou se sinta mulher – e, como já disse, os certificados de confirmação de gênero agora podem ser concedidos sem a necessidade de cirurgia ou hormônios -, você abre a porta a todo e qualquer homem que deseje entrar. Essa é a verdade simples”, disse a autora.

Outra justificativa usada por Rowling para manter seu ataque vem da “enorme explosão de mulheres jovens que desejam fazer a transição e também com o número crescente de pessoas que parecem estar destransicionando (retornando ao sexo original), porque se arrependeram de tomar medidas que, em alguns casos, alteraram seu corpo irrevogavelmente e tiraram sua fertilidade. Alguns dizem que decidiram fazer a transição depois de perceberem que eram atraídos pelo mesmo sexo, e que a transição foi parcialmente motivada pela homofobia, na sociedade ou em suas famílias.”

“A atual explosão do ativismo trans está exigindo a remoção de quase todos os sistemas robustos pelos quais os candidatos à reatribuição sexual eram obrigados a passar. Um homem que não pretendia fazer cirurgia e não tomar hormônios pode agora obter um certificado de reconhecimento de gênero e ser uma mulher à vista da lei. Muitas pessoas não estão cientes disso”, completou.