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Etc,  Filme,  Série|22 de janeiro de 2020

Terry Jones (1942 – 2020)

O ator, roteirista e diretor Terry Jones, um dos membros da trupe de comédia britânica Monty Python, morreu na noite de terça (21/1) aos 77 anos.

Jones lutava contra a demência desde pelo menos 2016, quando o seu filho, Bill, revelou a doença para o público. O comediante passou seus últimos anos sem conseguir falar.

“Nos últimos dias, a mulher, filhos, família estendida e amigos de Terry estiveram constantemente em contato com ele. Todos nós perdemos um homem gentil, engraçado, caloroso, criativo e amoroso, cuja individualidade, intelecto e humor deram prazer a milhões durante seis décadas de carreira”, comentou a família em comunicado oficial.

Nascido no País de Gales, Jones estudou na Universidade de Oxford, onde conheceu seu amigo e parceiro de longa data Michael Palin. Os dois formaram seu primeiro grupo humorístico na faculdade, o Oxford Revue, e após a formatura, estrearam juntos na TV, no programa humorístico “Twice a Fortnight”, em 1967.

Dois anos depois, eles criaram “The Complete and Utter History of Britain”, que apresentava feitos históricos do passado distante como se existisse reportagem televisiva na época. No programa seguinte, “Do Not Adjust Your Set”, eles encontraram Eric Idle, que havia atuado ao lado de John Cleese e Graham Chapman no clube teatral da Universidade de Cambridge.

Os cinco – junto com Terry Gilliam, que Cleese conhecera em Nova York – decidiram juntar seus talentos em um novo humorístico, o “Monty Python Flying Circus”, que foi transmitido pela BBC durante quatro temporadas, entre 1969 e 1974.

O programa revolucionou a comédia britânica, a ponto de seus integrantes serem considerados os Beatles do humor – e os próprios Beatles eram fãs assumidos. Por suas inciativas inovadoras, Jones seria o equivalente ao John Lennon do grupo.

Entre suas performances mais famosas da série, ele viveu um cardeal inapto da Inquisição Espanhola, um membro do Hell’s Grannies, um grupo de mulheres idosas que aterrorizam as ruas de Londres, um garçom francês excessivamente apologético e um pianista nu que frequentemente aparecia em cenas usadas para separar blocos humorísticos, mas principalmente por suas representações de donas-de-casa de meia-idade, muitas vezes com vozes histericamente falsas, marca que ele levou ao cinema ao interpretar a mãe de Brian, em “A Vida de Brian” (1979), que também dirigiu.

Mais talentoso dos Python para organizar esquetes, Jones virou, ao lado de Terry Gilliam, o diretor oficial dos filmes do grupo após o fim do programa televisivo. Em “Monty Python em Busca do Cálice Sagrado” (1975), também interpretou, entre outros papéis, Sir Bedevere, o Sábio, o Príncipe Herbert (“Pai, eu só quero cantar!”) e um membro dos temidos Cavaleiros que dizem “Ni”.

Ele assumiu sozinho a direção de “A Vida de Brian”, considerado um dos filmes ingleses mais engraçados de todos os tempos, após Gilliam concordar que sua abordagem era mais adequada ao estilo de apresentação do grupo, mas os dois voltaram a trabalhar juntos em “O Sentido da Vida” (1983), último longa de ficção da trupe.

Após a separação dos Pythons, Jones continuou dirigindo filmes, como as comédias “Serviços Íntimos” (1987), “As Aventuras de Erik, o Viking” (1989) e “Amigos para Sempre” (1996). Também trabalhou como roteirista, criando “Labirinto, a Magia do Tempo” (1986), fantasia estrelada por David Bowie, e “Ferocidade Máxima” (1995), divertida comédia em que reviveu a parceria com John Cleese, além de ter criado vários programas televisivos e iniciado uma carreira paralela como escritor. Ele publicou 20 romances de ficção infanto-juvenil e ainda se tornou um autor reconhecido de livros sobre a Idade Média.

Esta parte mais séria de sua carreira levou-o a apresentar diversos programas documentais sobre o período medieval, que frequentemente ofereciam uma visão alternativa da época. Inclusive, chegou a ser indicado ao Emmy em 2004 por “Medieval Lives”, em que argumentava que a Idade Média foi um período muito mais sofisticado do que a maioria acredita.

Nos últimos anos, retomou as parcerias clássicas com os Python, dirigindo o filme “Absolutamente Impossível” (2015), primeiro longa a reunir todos os membros (ainda vivos) dos Python desde “O Sentido da Vida”, e juntando-se a seus colegas no palco para um retorno que virou a despedida do grupo, durante a curta turnê de humor “Monty Python Live (Mostly)”, realizada em Londres em 2014.

Ele também dirigiu e dublou a animação “Boom Bust Boom” (2015) e deixou gravada sua participação em “The Land of Sometimes”, uma fantasia animada ainda inédita, que também traz as vozes de Ewan McGregor e Helena Bonham-Carter, num esforço derradeiro que virou seu papel final, enfrentando a doença que primeiro tirou sua fala e por fim sua vida.

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Marcel Plasse

Marcel Plasse é jornalista, participou da geração histórica da revista de música Bizz, editou as primeiras graphic novels lançadas no Brasil, criou a revista Set de cinema, foi crítico na Folha, Estadão e Valor Econômico, escreveu na Playboy, assinou colunas na Superinteressante e DVD News, produziu discos indies e é criador e editor do site Pipoca Moderna.

@Pipoca Moderna 2025
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