Piloto de Y: O Último Homem será refeito por nova showrunner da série



O canal pago americano FX divulgou a primeira foto da série derivada dos quadrinhos de “Y: O Último Homem” (Y: The Last Man) em fevereiro passado. Mas, desde então, a produção voltou à estaca zero, com a saída dos responsáveis pela adaptação, Michael Green (“Logan”) e Aïda Mashaka Croal (“Luke Cage”), que se demitiram após uma crise criativa com a emissora.

A produção só foi retomada nesta semana, com o anúncio da contratação de Eliza Clark (produtora-roteirista de “The Killing” e “Animal Kingdom”) como nova showrunner. Em comunicado, ela se declarou fã dos quadrinhos originais.

“Há uma década, devorei a coleção completa dos quadrinhos de ‘Y: O Último Homem’, imaginando como ela poderia tomar forma na tela”, disse Clark. “Estou feliz em contar essa história e trabalhar com esse elenco imensamente talentoso”, acrescentou.

Com a nova showrunner definida, o piloto dirigido por Melina Matsoukas (das séries “Insecure”, “Master of None” e de clipes premiados de Beyoncé e Rihanna) deve passar por regravações, visando tirar da série elementos que causaram a crise com os showrunners anteriores.

O material original, concebido por Brian K. Vaughan e Pia Guerra, é repleto de situações de potencial polêmico, que podem ser consideradas até inapropriadas para a TV. Mas não há declarações oficiais sobre o que teria sido excessivo a ponto de levar roteiristas conceituados como Green e Kroal a abandonar a produção.

Não é por acaso que a série levou uma década para sair do papel. A trama chegou a ser considerada como filme pela Warner e passou até pela HBO, que faz parte do mesmo conglomerado – assim como a DC Comics, editora dos quadrinhos originais, via seu selo adulto Vertigo – , mas nunca superou a fase inicial de desenvolvimento de roteiro, originando sua fama de ser arriscada demais.



Foi o próprio criador de “Y”, Brian K. Vaughan, quem trouxe o projeto para o FX há quatro anos, em parceria com o roteirista Michael Green. Mas o piloto só foi produzido no ano passado e apenas recentemente aprovado, com reservas. As reservas foram a razão do atrito.

Para quem não conhece, “Y: O Último Homem” é um dos quadrinhos mais cultuados da Vertigo, que venceu nada menos que cinco prêmios Eisner (o Oscar dos quadrinhos) e se tornou a primeira graphic novel (num de seus relançamentos como volume encadernado) a vencer o prêmio Hugo (o Oscar/Nobel da literatura sci-fi).

Ao longo de 60 edições, publicadas entre 2002 e 2008, Vaughan e Guerra contaram a história do jovem ilusionista Yorick Brown, sobrevivente de uma praga que extinguiu toda a população de machos da Terra. Ele e seu macaco Ampersand são as únicas exceções. Quando grupos de mulheres mal-intencionadas descobrem que ele é o último homem da terra, passam a caçá-lo de todas as formas possíveis. Mas ele também encontra aliadas em sua jornada, que veem em sua sobrevivência uma chance de encontrar uma cura que permita o nascimento de novos homens e, assim, impedir a extinção da humanidade.

O projeto é a segunda criação de Vaughan a virar série. Ele também criou os quadrinhos dos “Fugitivos” (Runaways), transformados em atração da plataforma Hulu.

A adaptação do FX será chamada apenas de “Y” e seu elenco traz Barry Keoghan (“O Sacrifício do Cervo Sagrado”) como Yorik, Diane Lane (“Batman vs Superman”), Imogen Poots (“Sala Verde”), Lashana Lynch (“Capitã Marvel”), Juliana Canfield (“Succession”), Marin Ireland (“Sneaky Pete”) e Amber Tamblyn (“Two and a Half Men”).



Marcel Plasse é jornalista, participou da geração histórica da revista de música Bizz, editou as primeiras graphic novels lançadas no Brasil, criou a revista Set de cinema, foi crítico na Folha, Estadão e Valor Econômico, escreveu na Playboy, assinou colunas na Superinteressante e DVD News, produziu discos indies e é criador e editor do site Pipoca Moderna



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