Festival de Sundance 2019 consagra filmes de cineastas femininas

O Festival de Sundance, mais importante evento do cinema independente americano e fomentador de novos talentos, anunciou os vencedores de sua edição de 2019 na noite de sábado (2/2) na cidade de Park City, Utah. E a premiação chamou atenção por destacar filmes dirigidos por mulheres.

As categorias principais consagraram obras de cinco diretoras, enquanto apenas um filme de diretor masculino saiu reconhecido. O detalhe é que até este foi uma codireção com uma cineasta feminina.

O fenômeno é importante por demonstrar que uma nova geração empoderada está sedenta para sepultar o clube do bolinha da Academia, que historicamente ignora trabalhos de diretoras mulheres na cerimônia do Oscar.

A premiação principal de Sundance é dividida em quatro seções: longas americanos, longas internacionais, documentários americanos e documentários internacionais.

“Clemency”, segundo longa-metragem da diretora e roteirista Chinonye Chukwu, foi eleito pelo júri o Melhor Filme Americano. A trama acompanha uma diretora de prisão (Alfre Woodard) que, após anos de execuções no corredor da morte, passa a confrontar os problemas psicológicos e emocionais derivados de seu trabalho.

Chukwu subiu ao palco agradecendo aos produtores de “Clemency”, que buscaram uma diretora para contar a história, e e explicou que fez o filme “para que nós, enquanto sociedade, possamos parar de definir as pessoas pelos seus piores atos possíveis, acabar com o encarceramento em massa e desmantelar a complexa indústria prisional, enraizando nossas sociedades na verdadeira justiça, misericórdia e liberdade”.

Entre os longas internacionais, o premiado foi “The Souvenir”, da britânica Joanna Hogg. O longa conta a história de uma jovem cineasta que põe em risco suas ambições profissionais ao se envolver com um homem viciado em drogas.

Apesar de ter sido elogiado pelos críticos, o filme brasileiro “Divino Amor”, de Gabriel Mascaro, não foi premiado no festival.

“One Child Nation”, da dupla Nanfu Wang e Zhang Lynn, foi escolhido o Melhor Documentário Americano. O filme se concentrou na experiência da cineasta chinesa Wan, radicada em Nova York, que usou sua família para discutir a política de filho único da China e como esse experimento social moldou gerações de pais e filhos.

Por fim, “Honeyland”, de Tamara Kotevska e Ljubomir Stefanov, que retrata a luta de um apicultor macedônio para proteger seu sustento, venceu Melhor Documentário Internacional pelo júri, e ainda saiu com dois prêmios especiais: Melhor Fotografia e de Impacto para Mudança.

Confira abaixo a lista dos prêmios principais de Sundance.

Premiação de Longas de Ficção Americanos
Prêmio do Júri: “Clemency”
Prêmio do Público: “Brittany runs a marathon”
Melhor Direção: Joe Talbot (“The Last Blackman in San Francisco”)
Melhor Roteiro: Pippa Bianco (“Share”)
Melhor Revelação: Rhianne Barreto, “Share”

Premiação de Documentários Americanos
Grande Prêmio do Júri: “One child nation”
Prêmio do Público: “Knock Down the House”
Melhor Direção: Steven Bognar e Julia Riechert (“American Factory”)

Premiação de Longas de Ficção Internacionais
Prêmio do Júri: “The Souvenir”
Prêmio do Público: “Queen of the Hearts”
Melhor Direção: Lucía Garibaldi (“The Sharks”)

Premiação de Documentários Internacionais
Prêmio do Júri: “Honeyland”
Prêmio do Público: “Sea of shadows”
Melhor Direção: Mads Brügger (“Cold Case Hammarskjöld”)