Crítica: Io é só mais uma sci-fi fraquinha da Netflix



Graças à ganância do homem e sua exploração infinita da fauna e da flora, a vida na Terra acabou. Não dá mais para respirar e a (parte rica da) humanidade deixou o planeta em busca de um novo lugar para morar. Apenas uma pessoa é deixada para trás. E não estamos falando do robozinho Wall-E, mas de Margaret Qualley (“The Leftovers”).

A premissa de “Io” é a mesma de “Wall-E” (2008), mas seu desenvolvimento parte para outro caminho, embora dê em um lugar já muito visitado. Esse nem é o maior problema, afinal é a jornada que importa, mas ela é desenvolvida através de clichês, situações previsíveis e diálogos pobres.

Margaret Qualley é Sam, filha de um renomado cientista. Ambos ficaram na Terra para estudarem a possibilidade de reconstrução ou a readaptação do planeta. O resto foi para Io, nome de uma lua de Júpiter. Num belo dia, ela cruza com outro perdido que chega do nada de balão (!). Micah é interpretado por Anthony Mackie (o Falcão de “Vingadores: Guerra Infinita”), que recita Platão para ilustrar o que já estamos vendo em cena, e explica em seguida, novamente, para quem não entendeu o claro significado da reflexão. Até sua ponta em “Homem-Formiga” é mais profunda que toda sua participação em “Io”.



E não adianta o diretor Jonathan Helpert encher o filme de paisagens belas ou o cabelo de Sam ao vento, quando nenhuma imagem contribui para traduzir o que ela está pensando nem propõe a dimensão de sua angústia.

Em resumo, “Io” é só mais uma ficção científica fraquinha da Netflix, como “Titã”, “Mudo”, “Onde Está Segunda?”, “Spectral”, “O Paradoxo Cloverfield” e “Próxima Parada: Apocalipse”.



Otávio Almeida é formado em Publicidade e Propaganda e Jornalismo. Nasceu no Rio de Janeiro, mora em São Paulo, mas sempre torcerá pelo Flamengo. É fã de Star Wars, Steven Spielberg, Stanley Kubrick, Blade Runner, Martin Scorsese, Indiana Jones, Frank Capra, Billy Wilder, John Ford, Clint Eastwood, O Senhor dos Anéis, Woody Allen, George Lucas, Lawrence da Arábia, Quentin Tarantino, Rocco e Seus Irmãos, James Cameron e Chinatown. Além de editor do Hollywoodiano, escreve sobre cinema como colaborador da revista Preview.



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