Anima Mundi 2018 transforma a crise em arte animada

O Festival Anima Mundi começa sua 26ª edição neste sábado (21/7) no Rio de Janeiro com recorde de inscritos. Exibindo cerca de 576 produções de mais de 40 países até o dia 29, o evento trará muitos atividades, entre elas, pela primeira vez, um espaço para a “imersão” nos filmes de realidade virtual (VR, na sigla em inglês).

A tecnologia é a grande novidade do evento, mas a maioria das obras selecionadas falam de temas conhecidos do mundo real: as grandes crises humanitárias do século 21, como as questões de imigração, refugiados, racismo e repressão policial.

Entre os longas em competição, há “Wall”, do canadense Cam Christiansen, sobre o muro erguido entre Israel e Cisjordânia, e o premiadíssimo “The Breadwinner”, da irlandesa Nora Towmey, sobre uma menina afegã perseguida pelo Talibã, que se disfarça de menino para sustentar a família – concorreu ao Oscar e tem a atriz Angelina Jolie como produtora executiva. Entre os curtas, há o francês “Riot”, de Frank Ternier, sobre a reação de vizinhos diante do assassinato de um morador negro pela polícia.

Mas há espaço também para fábulas, como no curta “Take Rabbit”, do britânico Peter Peake — que já disputou o Oscar com “Humdrum” (1999) – e o longa brasileiro “Tito e os Pássaros”, de Gustavo Steinberg, Gabriel Bitar e André Catoto Dias. Este tem uma história bem original, acompanhando um menino encarregado de encontrar a cura para uma doença contraída por quem leva sustos.

A produção nacional comparece com 108 títulos, que concorrerão a uma premiação especial do cineasta Carlos Saldanha, indicado ao Oscar 2018 por “O Touro Ferdinando”. O diretor vai premiar o melhor curta brasileiro e estudantes de animação que participam da mostra competitiva.

Considerado o maior festival de animação da América Latina, deste 2012 o Anima Mundi pré-qualifica o trabalho premiado como Melhor Curta ao Oscar da categoria.

A programação do evento segue para São Paulo em 1º de agosto, onde se estenderá até o dia 5 do próximo mês.