Filme de Julia Murat é o único brasileiro premiado no Festival de Berlim

O filme brasileiro “Pendular”, de Julia Murat, venceu o prêmio da crítica no Festival de Berlim 2017. Ele foi eleito pela Federação Internacional dos Críticos de Cinema (Fripresci) como o melhor filme da mostra Panorama do festival alemão.

Os críticos elogiaram a “excelente qualidade visual” e “força narrativa” do filme, que aborda o relacionamento entre uma dançarina e um escultor boêmios à beira da meia-idade.

Ao receber o prêmio, Murat afirmou que, após dias falando sobre política – ela foi uma das cineastas que assinou a carta contra mudanças na política do audiovisual – , falaria sobre “afeto” e dedicou o troféu ao crítico José Carlos Avellar, morto em 2016.

“Pendular” foi uma das 12 produções brasileiras selecionadas para o festival alemão este ano, incluindo oito longa-metragens, numa participação recorde. A maioria dos filmes estava concentrado na mostra Panorama, mas nenhuma outra produção nacional foi premiada.

Todos os prêmios independentes já foram entregues, faltando apenas a disputa do Urso de Ouro.

Além de “Pendular”, a crítica elegeu a história de amor húngara “On Body and Soul” como Melhor Filme da mostra Competitiva. O mesmo filme venceu um prêmio do público, conferido pelo jornal alemão Berliner Morgenpost, e o prêmio do juri ecumênico.

Os vencedores da mostra Panorama, eleitos pelo público, foram “Insyriated”, um drama do diretor belga Philippe van Leeuw sobre uma casa sitiada durante a guerra civil síria, como Melhor Ficção, e “Eu Não Sou Seu Negro”, do haitiano Raoul Peck, já em cartaz no Brasil, como Melhor Documentário. O filme de Peck também concorre ao Oscar 2017 de sua categoria.

O longa que venceu a mostra Forum foi “Mama Colonel”, de Georg Genoux, documentário sobre como os militares lidam com a situação dos refugiados no Congo, país dividido numa eterna guerra civil.

“Butterfly Kisses”, estreia do polonês Rafael Kapelinski, venceu o Urso de Cristal como Melhor Filme da seção Geração, dedicada a filmes sobre a infância e a juventude.

E, para completar, o chileno “Una Mujer Fantástica”, de Sebastían Lelio, saiu com o prêmio Teddy, que elege as melhores obras LGBTQ, e também recebeu menção especial do júri ecumênico.