Cobertura internacional de Game of Thrones marca final da era dos mimimi de spoilers

Cobertura internacional de Game of Thrones marca final da era dos mimimi de spoilers

 

O final do último episódio de “Game of Thrones” deixou os fãs na ponta das cadeiras, com Jaime (Nikolaj Coster-Waldau) avançando contra Daenerys (Emilia Clarke), no que Tyrion (Peter Dinklage) imaginava corretamente ser um ataque suicida. Mas segundos antes de ser incinerado, o general do exército Lannister é salvo por um salto de Bronn (Jerome Flynn), que mergulha a ambos num lago. A última imagem do capítulo mostra Jaime afundando, com sua armadura e mão postiça de ouro arrastando-o para o fundo. Spoilers?

Provando que “Game of Thrones” é uma série tão envolvente que a maioria acompanha ao vivo, a imprensa norte-americana amanheceu nesta segunda (7/8) estampando manchetes sobre o destino do personagem do ator dinamarquês. “Jaime morreu?”, perguntaram em seus títulos publicações de prestígio, como as revistas Time e The Hollywood Reporter, sem sequer se preocupar com o que as palavras escolhidas revelavam.

A cobertura de “Game of Thrones” caminha rumo a uma nova era, pós-mimimi de spoiler.

A saída para quem não quer saber o que aconteceu, por ter perdido o episódio, é cada vez mais parecida com um esquete de programa humorístico, em que o comediante decide isolar-se do mundo, no monte Evereste, apenas para ouvir outro montanhista comentar tudo. Não é preciso ir tão longe, mas a solução parece realmente passar pela desconexão da internet.

A avalanche de spoilers é incentivada pela própria HBO, que programa entrevistas de seu elenco, após cada participação decisiva na trama, além, claro, de disponibilizar loga em seguida vídeos de bastidores que esmiúçam detalhes do episódio recém-exibido.

Trata-se de uma estratégia assumida. Spoilers, quem diria, tornaram-se a principal arma dos canais contra a pirataria.

Ver as séries ao vivo, em seus horários televisivos, virou a única garantia para quem quiser evitar os (malditos/benditos) spoilers.

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Marcel Plasse é jornalista, participou da geração histórica da revista de música Bizz, editou as primeiras graphic novels lançadas no Brasil, criou a revista Set de cinema, foi crítico na Folha, Estadão e Valor Econômico, escreveu na Playboy, assinou colunas na Superinteressante e DVD News, produziu discos indies e é criador e editor do site Pipoca Moderna