• Novela Os Adolescentes
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Flávio Guarnieri (1959 – 2016)

 

Morreu o ator Flávio Guarnieri, que seguiu os passos do pai, o grande dramaturgo Gianfracesco Guarnieri, no teatro, no cinema e na televisão. Ele faleceu na noite de quinta (7/4), aos 54 anos, em São Paulo. Em nota, a assessoria de imprensa não informou a causa da morte e pediu privacidade à família.

Flávio nasceu em Lisboa, em 26 de setembro de 1959, e sob influência do pai começou a atuar nos palcos desde a infância.

Com dezenas de peças de teatro no currículo, ele ganhou o prêmio da APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) de ator-revelação aos 21 anos de idade, por conta de seu papel na novela “Os Adolescentes” (1981), da Band, na pele de Caíto. A produção marcou época por trazer temas até então considerados tabus para a televisão, como vício em drogas, gravidez adolescente, pedofilia e homossexualidade. O personagem de Flávio era um jovem gay, que enfrentava preconceito. Além dele, o elenco de jovens protagonistas contava com Júlia Lemmertz, Tássia Camargo e André di Biasi, que acabaram tendo maior projeção na TV.

Depois da consagração crítica de “Os Adolescentes”, Flávio emplacou mais duas novelas na Band, “Ninho da Serpente” (1982) e “O Campeão” (1982), além da minissérie “O Cometa” (1989), mas a baixa audiência implodiu o projeto de dramaturgia do canal paulista. Ele fez apenas uma novela da Globo, “Transas e Caretas” (1984), por isso não se tornou tão conhecido quanto seu irmão mais novo Paulo, que apareceu em diversas obras populares da emissora carioca.

A estreia no cinema foi aos 18 anos, na rara sci-fi distópica “Parada 88 – O Limite de Alerta” (1977), que também foi o primeiro filme de Paulo, então com 15 anos. Participou ainda da pornochanchada “Viúvas Precisam de Consolo” (1979), produção da Boca do Lixo dirigida pelo ator Ewerton de Castro, antes de trabalhar com o pai no clássico “Eles Não Usam Black-Tie” (1981), adaptação da peça escrita por Gianfrancesco, que girava em torno de uma greve sindical.

Seu papel de maior destaque veio em “Janete” (1983), de Chico Botelho, sobre uma prostituta da Boca do Lixo. Com trilha de Arrigo Barnabé, o filme foi premiado no Festival de Gramado, mas seu realismo não agradou ao governo, que na época ainda exercia poder de censura na cultura, obrigando diversos cortes, o que prejudicou seu lançamento. Flávio nunca mais fez outro filme.

O ator reclamava da falta de espaço até na TV. Seu último personagem foi Juca Ramos na novela “Amigas e Rivais”, no SBT, em 2008. Mesmo assim, continuava a atuar no palco. Flávio esteve em cartaz recentemente com o irmão Paulo na peça “Irmãos, Irmãos… Negócios à Parte”.

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Marcel Plasse é jornalista, participou da geração histórica da revista de música Bizz, editou as primeiras graphic novels lançadas no Brasil, criou a revista Set de cinema, foi crítico na Folha, Estadão e Valor Econômico, escreveu na Playboy, assinou colunas na Superinteressante e DVD News, produziu discos indies e é criador e editor do site Pipoca Moderna